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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Mais de 1.000.000 de espécies em perigo segundo o IPBES

Antes da publicação do relatório de avaliação global sobre a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas, o IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services) apresentou as suas principais conclusões à comunicação social no passado dia 6 de Maio. 

Este novo relatório pretende ser o mais completo até à data e é o primeiro relatório intergovernamental deste género e vem no seguimento da avaliação dos Ecossistemas do Milénio apresentado em 2005.

O relatório do IPBES analisa as alterações nos ecossistemas que aconteceram nos últimos 50 anos e sugere possíveis cenários para as próximas décadas. Para este trabalho contribuíram 145 autores especialistas de 50 países e ainda mais 310 autores participantes.



No que diz respeito às principais conclusões, o número que mais impressiona pela sua grandeza é o número 1.000.000 - que representa a quantidade de espécies de animais e plantas que estão ameaçadas pela extinção, numa escala nunca vista na história humana.

A abundância média de espécies nativas diminui pelo menos 20% na maioria dos habitats terrestres, desde 1900. Mais de 40% dos anfíbios, quase 33% dos corais e mais de um terço dos mamíferos marinhos estão ameaçados.



O relatório também ordena pela primeira vez os cinco principais factores para as mudanças no mundo natural. Estes são 1) alteração no uso do solo e mar, 2) exploração directa de organismos, 3) alterações climáticas, 4) poluição e 5) espécies exóticas invasoras.

Outro aspecto diz respeito com o insucesso das políticas para a conservação e para a sustentabilidade. A manter-se as trajectórias actuais, apenas 4 das 20 das metas de biodiversidade de Aichi não serão atingidas até 2020 e cerca de 80% dos objectivos dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável relacionados com a pobreza, fome, saúde, água, cidades, clima, oceanos e terra serão afectados. Portanto a perda de biodiversidade é não só apenas um problema ambiental, mas também um problema de desenvolvimento, económico, segurança, social e moral e serão necessárias transformações significativas a nível económico, social, político e tecnológico para reverter a situação.

Fonte:

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Relatório Living Planet 2018: principais conclusões

No passado mês de Outubro, o WWF e a Zoological Society of London publicaram a mais recente versão do relatório Living Planet, um dos mais importantes documentos a nível mundial sobre a saúde do nosso planeta e o impacto da actividade humana.



No primeiro capítulo, é destacado o papel da biodiversidade para a nossa saúde, bem-estar e segurança alimentar. Estima-se que, globalmente, a natureza fornece serviços que quando avaliados somariam cerca de 125 trilliões de dólares. Também se refere a dúvida por parte dos investigadores se é possível continuar o desenvolvimento humano na ausência de sistemas naturais saudáveis.

No segundo capítulo, onde se explora as ameaças e pressões, são referidas que a sobreexploração e a actividade agrícola, em resultado do consumismo descontrolado, são ainda as principais causas da extinção de espécies. A degradação da solo afecta 75% dos ecossistemas terrestres, reduzindo o bem-estar de mais de 3 mil milhões de pessoas, com grandes custos económicos. As abelhas, outros polinizadores e os nossos solos, que são críticos para a segurança alimentar global, estão sob ameaça crescente. A sobrepesca e a poluição por plásticos estão a ameçar os nossos oceanos, enquanto que a poluição, a fragmentação e destruição de habitats têm levado ao declínio da biodiversidade em ecossistemas de água doce.

Um dos dados mais importantes deste relatório é o que resulta do Índice Living Planet que revela um declínio global de 60% nas populações das espécies entre 1970 e 2014. O mesmo índice mostra que este declínio é mais acentuado nos trópicos, sendo que a América Central e do Sul registam 89% de perda de biodiversidade tendo o ano de 1970 como comparativo.

No último capítulo, conclui-se que, apesar de múltiplos acordos internacionais e da investigação extensiva, a biodiversidade continua em declínio. Portanto mais ambição será necessária para não apenas parar o declínio mas reverter esta tendência. Para isso a visão da Convenção para a Diversidade Biológica (CBD) para o ano de 2050 será fundamental.

Fonte:
Living Planet 2018: https://www.wwf.org.uk/sites/default/files/2018-10/wwfintl_livingplanet_full.pdf

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Biodiversidade e as Alterações Climáticas

As alterações climáticas têm impacto na biodiversidade através de uma complexa interacção entre as espécies e os seus habitats. Tanto a estrutura dos habitats e as suas funções ecológicas irão se alterar num novo regime climático. No entanto, o movimento das espécies para dentro e fora de uma comunidade irá também afectar também os elementos físicos de um ecossistema e outras espécies.



As alterações às condições e recursos locais irão, portanto, influenciar a capacidade de um espécie sobreviver. Se uma espécie não pode sobreviver num ecossistema, tem duas escolhas. Se tem  uma rápida capacidade de dispersão, pode mudar-se, no caso de existir um habitat alternativo acessível e apropriado. Ou pode gradualmente desaparecer em diferentes locais e pode, por fim, extinguir-se.

Directa ou indirectamente, as alterações climáticas podem produzir uma variedade de efeitos nas populações, tais como:

  • Alterações na distribuição devido à perda de habitat;
  • Alterações aos limites de dispersão através dos movimentos de contracção e expansão;
  • Alterações fenológicas através da alteração do timing de etapas da vida das espécies;
  • Alterações ecológicas através do desequilíbrio entre os momentos do ciclo de vida das espécies e as fontes de alimento, desaparecimento de ligações entre predador e presa, novas invasões e a expansão de espécies exóticas invasoras já estabelecidas. 
Sob um novo regime climático os indivíduos de algumas espécies podem colonizar regiões novas e mais apropriadas. No entanto, um conjunto de factores pode limitar a disponibilidade e acessibilidade de tais áreas, como são as alterações e fragmentação do uso de solo, alterações hidrológicas, nitrificação e o aumento do nível do mar.

Entre os ecossistemas mais vulneráveis estão os recifes de coral, mares polares, áreas húmidas costeiras, florestas de altitude e a tundra árctica e alpina.

Mapa de vulnerabilidade sob alterações climáticas. 
(Fonte: https://news.mongabay.com/2013/09/which-ecosystems-are-most-vulnerable-to-climate-change/)

As alterações na composição das espécies, na estrutura dos habitats e no funcionamento dos ecossistemas serão notadas e em combinação, podem afectar a resiliência dos ecossistemas e dos serviços que prestam à humanidade.

Fonte:

quinta-feira, 23 de março de 2017

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico E

O Objectivo Estratégico E, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em aumentar a implementação através de planeamento participativo, gestão do conhecimento e reforço das capacidades.

Deste objectivo fazem parte as seguintes quatro metas.


A meta 17 define que:

Até 2015 cada parte tenha desenvolvido, adoptado como instrumento de política, e tenha começado a implementar um plano de acção e estratégia para a biodiversidade nacionais efectivos, participativos e actualizados.

Os Planos de Acção e Estratégias para a Biodiversidade nacionais são os principais instrumentos para a implementação da Convenção ao nível nacional. Esta meta implica que sejam desenvolvidos através de uma abordagem participativa, mas que sejam usados como ferramentas efectivas para a divulgação da biodiversidade nos governos e sociedades.

A meta 18 define que:

Até 2020, o conhecimento tradicional, inovações e práticas das comunidades indígenas e locais relevantes para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e o seu uso habitual dos recursos biológicos são respeitados, sujeitos a legislação nacional e obrigações internacionais relevantes, e totalmente integrados e reflectidos na implementação da Convenção com a ample e efectiva participação das comunidades indígenas e locais, a todos os níveis relevantes.

Existe uma dependência estreita e tradicional de muitas comunidades indígenas e locais dos recursos biológicos. O conhecimento tradicional pode contribuir para a conservação e o uso sustentável da diversidade biológica. Desenvolvido da experiência adquirida durante milénios e adaptada à cultura e ambiente locais, o conhecimento tradicional tende a ser pertencer ao colectivo, transmitido oralmente de geração em geração e tem uma diversidade de formas desde histórias e folclore até práticas agrícolas e de pecuária.

A meta 19 define que:

Até 2020, o conhecimento, a ciência base e as tecnologias relacionadas com a biodiversidade, os seus valores, funcionamento, estado e tendências e as consequências da sua perda, sejam aumentados, amplamente partilhados e transferidos, e aplicados.

Todos os países necessitam de identificar as ameaças à biodiversidade e determinar as propriedade para a conservação e uso sustentável. Enquanto quase todos os países relatam que estão a tomar acções relacionadas com a monitorização e investigação, a maioria também indica que a ausência e a dificuldade em aceder a informação relevante é um obstáculo para a implementação dos objectivos da Convenção.

A meta 20 define que:

Até 2020, a mobilização de recursos financeiros para a implementação efectiva do Plano Estratégico para a Biodiversidade entre 2011 e 2020 de todas as fontes e em concordância com o processo consolidado e acordado na Estratégia para a Mobilização de Recursos deve aumentar substancialmente relativamente aos níveis actuais. Esta meta será sujeita a alterações contingentes aos recursos necessitam de avaliações a ser desenvolvidas e relatadas pelas Partes.

A maioria dos Países indicaram nos seus relatórios nacionais que a capacidade limitada, tanto a nível financeiro e humano, foram um obstáculo importante à implementação da Convenção. A capacidade que actualmente existe nos países necessita de ser salvaguardada e aumenta em relação aos níveis actuais, em linha com o processo definido na Estratégia para a Mobilização de Recursos, de forma a permitir aos países enfrentar os desafios da implementação do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020. 

Fontes:

quarta-feira, 22 de março de 2017

Por que razão a biodiversidade é importante? (por Filipe Duarte Santos)

(...) Biodiversidade designa, de forma genérica, os organismos que constituem o mundo vivo, o seu número, variedade e variabilidade. Importa ter também presente que a diversidade biológica se manifesta nos três níveis hierárquicos fundamentais da organização biológica: os genes, espécies e os ecossistemas. A diversidade genética resulta da variação genética entre os indivíduos e entre diferentes populações da mesma espécie. A diversidade das espécies representa os diferentes tipos de animais, plantas e outros organismos que habitam uma dada região e a diversidade dos ecossistemas representa a variedade de habitats que se encontram numa determinada área.

Fonte: http://www.greenrooftechnology.com/Pictures%20from%20JBi/Biodiversity.jpg

(...) Os ecossistemas naturais providenciam à humanidade um vasto e diversificado conjunto de serviços essenciais à vida. À escala global, o principal resulta de que a biosfera é uma das componentes do sistema climático terrestre e desempenha um papel crucial para assegurar a estabilidade da composição química da atmosfera para regular o clima.

(...) Um dos principais serviços prestados pelos ecossistemas naturais, consiste na geração, manutenção e fertilidade dos solos. Num grama de solo agrícola fértil existem milhares de milhões de bactérias e dezenas de milhares de fungos, algas e protozoários. São estes microorganismos que asseguram a conversão dos nutrientes - azoto, fósforo e enxofre - em substâncias químicas assimiláveis pelas plantas superiores e em particular pelas plantas das culturas agrícolas. São também os ecossistemas residentes nos solos que decompõem a matéria orgânica acumulada nas florestas e reciclam os seus nutrientes. Uma outra função crucial desempenhada pelos ecossistemas naturais é evitar a disseminação de muitas pragas e doenças que atacam as culturas agrícolas e os animais domésticos.

(...) No passado, antes da descoberta da agricultura, os ecossistemas naturais asseguravam completamente a alimentação das comunidades humanas. Na actualidade, esse serviço restringe-se quase em exclusivo aos oceanos e zonas costeiras que providenciam peixes e outros tipos de organismos marinhos comestíveis. Note-se porém que todos os tipos de plantas actualmente cultivadas para fins alimentares provieram de espécies selvagens com características especialmente favoráveis à agricultura e que foram desenvolvidas no sentido de se tornarem mais produtivas. Tal como os animais domésticos, foram espécies descobertas pelo homem na grande reserva de biodiversidade dos ecossistemas naturais. Esta imensa biblioteca genética, formada por milhões de espécies diferentes e por um número muito maior de populações geneticamente distintas, continua a ser imprescindível para a humanidade.

(...) Um dos maiores benefícios da biodiversidade é providenciar novos medicamentos. Mais de metade dos remédios usados nos países em vias de desenvolvimento têm origem em plantas. Mais de uma centena de drogas importantes na medicina actual são extraídas exclusivamente de plantas e novas descobertas são feitas, todos os anos, ao explorar e investigar uma enorme variedade de organismos, que vão desde os fungos às árvores. Ao destruir sistematicamente ecossistemas ricos em biodiversidade como, por exemplo, grandes áreas de floresta tropical húmida, estamos a provocar a extinção ou a aumentar o risco de extinção de muitas espécies, algumas ainda porventura desconhecidas e que poderão ter valor medicinal.

Finalmente restam os valores da biodiversidade que se situam nos domínios educativo, cultural, estético e ético, porventura mais importantes em termos de futuro, pelo seu carácter fundamental, estruturante e formativo. A beleza dos organismos vivos, a variedade das suas formas, cores e funções, o encanto das regiões selvagens e das paisagens naturais são valores inestimáveis, presentes nas mais diversas civilizações e profundamente ligados à nossa natureza humana. Negá-los ou subestimá-los é repudiar as nossas culturas, as nossas origens e quebrar a harmonia com o meio ambiente. É aceitar viver num mundo cada vez mais artificial, contingente, incerto, conflituoso e inseguro.

Fonte: https://www.epa.gov/sites/production/files/2015-04/new_ecowheel.jpg

(...) Há cada vez mais pessoas que apreciam o contacto directo com a natureza selvagem, que sabem identificar e conhecem a grande diversidade de espécies da fauna e flora das regiões do mundo onde vivem e que contribuem de forma empenhada para a conservação da natureza. Contudo somos ainda uma minoria à escala global. Aprender a observar e a apreciar a natureza quando se é jovem é um bem inestimável cujos benefícios e alegrias nos acompanham durante toda a vida.

Retirado de:
Que Futuro? - Ciência, Tecnologia e Ambiente, Edição Gradiva 

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico D

O Objectivo Estratégico D, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em "aumentar os benefícios para todos da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas".

Deste objectivo fazem parte as três seguintes metas.

A meta 14 define que:

Até 2020, os ecossistemas que fornecem serviços essenciais, incluindo serviços relacionados com a água e que contribuem para a saúde, subsistência e bem-estar, sejam restaurados e salvaguardados, tendo em consideração as necessidades das mulheres, populações indígenas e locais, e os pobres e vulneráveis.

Todos os ecossistemas fornecem produtos e serviços. No entanto, alguns ecossistemas são particularmente importantes para o bem-estar humano devido aos serviços que fornecem. Os ecossistemas que fornecem serviços relacionados com a provisão de alimentos, fibra, medicamentos e água potável, polinização de colheitas, filtração de poluentes, e protecção contra desastres naturais; são provavelmente os mais essenciais para o bem-estar humano.

A meta 15 define que:

Até 2020, a resiliência dos ecossistemas e a contribuição da biodiversidade para as reservas de carbono tenham sido aumentadas, através da conservação e restauração, incluindo a restauração de pelo menos 15% dos ecossistemas degradados, e desse modo contribuindo para a mitigação e adaptação às alterações climáticas e para o combate à desertificação.

A desflorestação, a drenagem de zonas húmidas e outros tipos de alteração e degradação de habitat levam à emissão de dióxido de carbono, metano e outros gases com efeito de estufa. A reversão destes processos, através da restauração dos ecossistemas, representa uma oportunidade imensa para a restauração da biodiversidade e o sequestro de carbono. Paisagens terrestres e marítimas restauradas podem melhorar a resiliência incluindo a capacidade adaptativa dos ecossistemas e sociedades, e podem contribuir para a adaptação e gerar benefícios adicionais para as pessoas, em particular as comunidade indígenas e locais e a população rural. A conservação, restauração e a gestão sustentável das florestas, solos, zonas húmidas e outros ecossistemas são métodos provados, económicos, seguros e à disposição para sequestrar carbono e prevenir a libertação de outros gases com efeito de estufa.

Em 2010, algumas estimativas apontavam para que dois terços dos ecossistemas do planeta estariam degradadas. O potencial global para a restauração da floresta está estimado em cerca de 1 bilião de hectares, ou seja, 25% da área florestal global actual.

A meta 16 define que:

Até 2015, o Protocolo de Nagoya sobre o acesso a recursos genéticos e partilha justa e equitativa dos benefícios da sua utilização entre em vigor e em funcionamento, em consistência com a legislação nacional.

Ao aumentar a segurança jurídica e promover a partilha de benefícios, o Protocolo de Nagoya encoraja ao avanço de investigação de recursos genéticos que podem levar a novas descobertas de benefícios para todos. O Protocolo também cria incentivos para a conservação e uso sustentável dos recursos genéticos, e assim aumentar a contribuição da biodiversidade para o desenvolvimento e bem-estar humano. 

Fonte:

terça-feira, 7 de março de 2017

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico C

O Objectivo Estratégico C, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em "melhorar o estado da biodiversidade através da salvaguarda dos ecossistemas, espécies e diversidade genética".

Deste objectivo derivaram as seguintes três metas:

A meta 11 define que: 

Até 2020, pelo menos 17% das áreas terrestres e de águas interiores e 10% das áreas costeiras e marinhas, em especial as áreas de especial importância para a biodiversidade e serviços dos ecossistemas, sejam conservadas através de um sistemas de áreas protegidas geridas forma efectiva e equitativa, ecologicamente representativa e bem conectada e outras medidas de conservação eficazes baseadas em áreas, e sejam integradas em paisagens terrestres e marinhas mais amplas.

As áreas protegidas com boa governação e geridas de forma efectiva são um método com provas para a salvaguarda dos habitats e populações de espécies e para o fornecimento de serviços de ecossistemas importantes. Uma particular ênfase é necessária para proteger ecossistemas críticos como os recifes de coral tropicais, pradarias de ervas marinhas, recifes de coral de água frias profundas, montanhas submarinas, florestas tropicais, turfeiras, ecossistemas de água doce e zonas húmidas costeiras. Adicionalmente, existe a necessidade para a atenção crescente para a representatividade, conectividade e efectividade da gestão das áreas protegidas.

Actualmente, cerca de 13% das áreas terrestres e 6% das áreas costeiras são protegidas, no entanto, apenas uma pequena percentagem dos mares abertos está sob protecção.


A meta 12 define que:

Até 2020, a extinção de espécies ameaçadas conhecidas seja impedida e o seu estado de conservação, em particular das espécies que estão em declínio, tenha sido melhorada e sustentada.

Apesar de algumas extinções serem o resultado de processos naturais, a acção humana tem acelerado as actuais taxas de extinção. A redução de ameaça da extinção ligada ao homem requer acção para abordar os factores de mudança directos e indirectos e pode ser um processo a longo prazo. No entanto, as extinções iminentes de espécies ameaçadas pode em muitos casos ser prevenida através da protecção de habitats importantes ou através do tratamento das causas específicas directas do declínio dessas espécies (como a sobre-exploração, espécies exóticas invasoras, poluição e doença).


A meta 13 define que:

Até 2020, a diversidade genética de plantas cultivadas, animais explorados e domesticados e dos seus parentes selvagens, incluindo outras espécies valiosas do ponto de vista sócio-económico e cultural, é mantida, e estratégias tenham sido desenvolvidas e implementadas para minimizar a erosão genética e a salvaguardar a sua diversidade genética.

A diversidade genética de plantas cultivadas e animais explorados e domesticados e dos seus parentes selvagens está em declínio bem como a diversidade genética de espécies valiosos em termos sócio-económicos e culturais. A presente diversidade genética necessita de ser mantida e estratégias precisam de ser desenvolvidas e implementadas a fim de minimizar a presente erosão de diversidade genética, particularmente as que oferecem opções para um aumento da resiliência de sistemas agrícolas e da adaptação a condições em constante mudança.

Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T11-quick-guide-en.pdf
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T12-quick-guide-en.pdf
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T13-quick-guide-en.pdf

domingo, 5 de março de 2017

Meta 10 de Aichi para a Biodiversidade: Redução da pressões sobre ecossistemas vulneráveis

A décima meta de Aichi para a Biodiversidade define que:

Até 2015, as múltiplas pressões antropogénicas sobre os recifes de coral e outros ecossistemas vulneráveis afectados pelas alterações climáticas e acidificação dos oceanos sejam minimizados, de forma a manter a sua integridade e funcionalidade.


A somar às alterações climáticas, o aumento das concentrações de dióxido de carbono atmosférico tem resultado na acidificação dos oceanos. Os efeitos das alterações climáticas e da acidificação dos oceanos pode ter um efeito negativos nesses ecossistemas que são sensíveis a flutuações de temperatura e/ou dependem da disponibilidade de minerais de carbonato.

Para além das alterações climáticas e a acidificação dos oceanos existe uma variedade de outras pressões humanas que afectam os ecossistemas. Estas incluem a poluição/sedimentação proveniente da terra, captura insustentável e outras pressões que resultam em perda de habitat. Dado que alguns ecossistemas, como os recifes de coral, onde se esperam declínios sérios no futuro, como resultado das alterações climáticas e/ou acidificação dos oceanos, acções urgentes precisam de ser tomadas para reduzir essas pressões.

Possíveis indicadores
  • Tendências do risco de extinção de corais e peixes de coral.
  • Tendências nos impactos das alterações climáticas no risco de extensão.
  • Tendências nos impactos climáticos na composição da comunidade.
  • Tendências nos impactos climáticos nas dinâmicas populacionais.
  • Tendências no estado dos recifes de corais.
  • Tendências na extensão, e taxa de mudanças das fronteiras de ecossistemas vulneráveis.
Fonte:

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Meta 9 de Aichi para a Biodiversidade: Controlo e prevenção de espécies exóticas invasoras

A nona meta de Aichi para a Biodiversidade define que:

Até 2020, sejam identificadas e priorizadas as espécies exóticas invasores e as suas vias de introdução, sejam controladas ou erradicadas as espécies prioritárias e sejam postas em práticas as medidas para gerir as vias de introdução de modo a prevenir a sua introdução e estabelecimento.

As espécies exóticas invasoras são uma das principais causas para a perda de biodiversidade a nível global. Em alguns ecossistemas como são os ecossistemas insulares, as espécies invasoras exóticas são a principal causa para o declínio da biodiversidade. Estas espécies afecta a biodiversidade pela predação de espécies nativas ou pela competição com elas pelos recursos. Adicionalmente, as espécies exóticas invasoras podem ser uma ameaça à segurança alimentar, saúde humana e desenvolvimento económico. O aumento das viagens áreas, comércio e turismo tem facilitado o movimento de espécies para além das barreiras naturais bio-geográficas pela criação de novas vias introdução. Com o crescimento da globalização, a ocorrência de espécies exóticas invasoras é provável que aumente a menos que medidas adicionais sejam tomadas.

As vias de introdução, também referidas como vectores, são os meios pelos quais as espécies invasoras exóticas são introduzidas em novos ambientes. As vias de introdução mais comuns incluem as descargas das águas de lastro no mar, cascos dos barco, contentores de navios, a introdução acidental e intencional de actividades agrícolas e aquacultura e a fuga de espécies introduzidas para um novo ambiente.

A primeira acção que os países podem tomar são a identificação e priorização de espécies exóticas invasoras e as suas vias de introdução. Dada a multiplicidade das vias de introdução e das espécies invasoras na maioria dos países será necessário dar prioridade os esforços da gestão, controlo e erradicação dessas espécies e quais as vias de introdução que têm mais impacto na biodiversidade e/ou onde se usem os recursos de forma mais efectiva. A prevenção da introdução é mais rentável do que a erradicação uma vez que está estabelecida. A condução de uma análise de risco à introdução de espécies exóticas bem como o reforço do controlo das fronteiras e quarentena bem como mecanismos de aviso, medidas de resposta rápidas e plano de gestão são os tipos de acções que podem ser implementadas para prevenir o estabelecimento de espécies invasoras.

Possíveis indicadores:
  • Tendências no número de espécies invasoras exóticas.
  • Tendências na gestão das vias de introdução de espécies invasoras exóticas.
  • Tendências no impacto de espécies invasoras exóticas nas tendências do risco de extinção.
  • Tendências na incidência das doenças na vida selvagem causadas por espécies invasoras exóticas.
  • Tendências nos impactos económicos de espécies invasoras exóticas seleccionadas.
  • Tendências nas políticas, legislação e planos de gestão para controlar e prevenir a difusão de espécies invasoras exóticas.

Fonte:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Meta 8 de Aichi para a Biodiversidade: Redução da poluição

A oitava meta de Aichi para a Biodiversidade define que:

Até 2020, a poluição, incluindo o excesso de nutrientes, se tenha reduzido a níveis que não seja prejudicial para a função dos ecossistemas e biodiversidade.


A poluição e em particular, a descarga de nutrientes, principalmente de nitrogénio e fósforo, é uma das principais causa para a crescente perda de biodiversidade e a disfunção dos ecossistemas, especialmente, em zonas húmidas, costeiras e secas. Como o nitrogénio e fósforo são frequentemente nutrientes limitantes em muitos ecossistemas, quando estes estão presentes em quantidades excessivas, podem resultar num rápido crescimento de plantas e algas que podem alterar a composição e função do ecossistema. Nos ambientes aquáticos, estes podem resultar na eutrofização e a criação de "zonas mortas" com grandes perdas de serviços dos ecossistemas relevantes. As causas de nutrientes excessivos são as águas residuais e agrícolas.

Um número de acções podem ser implementados para atingir esta meta. Como ponto de partida, os países podem começar por identificar os tipos de poluição que desejam abordar. O desenvolvimento de linhas de orientação para a qualidade da água a nível nacional podem limitar a poluição e o excesso de nutrientes que entram em ecossistemas de água doce e marinhos. Relativamente ao excesso de nutrientes, o uso mais eficientes de fertilizantes poderia ajudar a reduzir a poluição enquanto ao mesmo tempo se melhora a eficiência dos processos agrícolas. 

Indicadores possíveis:
  • Impacto da poluição na tendência do risco de extinção.
  • Tendências na emissão para o ambiente de poluentes relevantes para a biodiversidade.
  • Tendências nos níveis de contaminates para a vida selvagem.
  • Tendências na incidência de zonas com pouco oxigénio e eflorescências de algas tóxicas.
  • Tendências na pegada de nitrogénio das actividades de consumo.
  • Tendências nos níveis de ozono nos ecossistemas naturais.
  • Tendências na taxa de deposição de poluição.
  • Tendências na proporção de águas residuais descarregadas depois de tratamento.
  • Tendências nas taxas de transferências de sedimentos.
  • Tendências na qualidade de água em sistemas aquáticos.
Fonte:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Meta 7 de Aichi para a Biodiversidade: Agricultura, aquacultura e silvicultura sustentáveis

A sétima meta de Aichi para a Biodiversidade define que:

Até 2020 as áreas com actividades de agricultura, aquacultura e silvicultura sejam geridas de forma sustentável, assegurando a conservação da biodiversidade.


A crescente procura por alimento, fibra e combustível irá conduzir a perdas cada vez maiores de biodiversidade e serviços dos ecossistemas se os problemas relacionados com gestão sustentável não forem tratados. Por outro lado, a gestão sustentável não só contribui para a conservação da biodiversidade mas também pode beneficiar sistemas de produção em termos de serviços com a fertilização do solo, controlo da erosão, melhoria da polinização e redução de surtos de pragas, bem como contribuir para o bem-estar e para a vida sustentável das comunidades locais envolvidas na gestão dos recursos naturais locais.

Indicadores possíveis:
  • Tendências na área de ecossistemas de silvicultura, agricultura e aquacultura sob gestão sustentável.
  • Tendências nas populações de espécies dependentes da silvicultura e agricultura em sistemas produtivos.
  • Tendências na produção por input.
  • Tendências na proporção de produtos provenientes de fontes sustentáveis.
Fonte:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Meta 6 de Aichi para a Biodiversidade: Gestão sustentável dos recursos marinhos

A sexta meta de Aichi para a Biodiversidade diz que:


Até 2020, todos os stocks de peixe e invertebrados e plantas aquáticas sejam geridos e capturados de forma sustentável, legal e aplicando abordagens baseadas no ecossistema, de modo a que a pesca excessiva seja evitada; planos e medidas de recuperação sejam postos em prática para todas as espécies sob ameaça, recursos pesqueiros não tenham impactos adversos em espécies ameaçada e ecossistemas vulneráveis e os impacto das pesca nos stocks, espécies e ecossistemas esteja dentro de limites ecológicos de segurança.


A sobre-exploração é uma pressão importante nos ecossistemas marinhos a nível global e tem conduzido à perda de biodiversidade e a estrutura dos ecossistemas. As capturas de pesca marítima têm vindo a ser reduzidas a partir dos níveis insustentáveis desde há mais de uma década. No entanto, a pesca excessiva ainda ocorre em muitos locais e as actividades piscatórias poderiam contribuir mais para a economia global e a segurança alimentar com um maior comprometimento com as políticas de desenvolvimento sustentável. 

Para atingir esta meta, poderá ser necessário restringir a pesca em locais onde os recursos pesqueiros não estão a ser geridos de forma sustentável e a utilizar abordagens baseadas no ecossistema. De igual forma, acções para assegurar que o equipamento de pesca é usado de forma e em lugares onde não cause impactos adversos graves no fundo do mar ou espécies não-alvo. Outras medidas poderão incluir o estabelecimento de rede de áreas marinhas protegidas e restrições em termos temporais e locais para protecção de zonas de reprodução.

Indicadores possíveis:
  • Tendências na proporção de espécies alvo e espécies não-alvo com stocks reduzidos.
  • Tendências na área, frequência e/ou intensidade das práticas piscatórias destrutivas.
  • Tendências na captura por unidade de esforço.
  • Tendências na capacidade de esforço de captura.
  • Tendências nas populações de espécies alvo e espécies não-alvo.
  • Tendências na proporção de stocks utilizados fora dos limites biológicos de segurança

Fonte:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Meta 5 de Aichi para a Biodiversidade: Redução da perda de habitat

A quinta meta para a biodiversidade é a seguinte:

Até 2020, a taxa de perda de todos os habitats naturais é, pelo menos, reduzida para metade e trazida para valores próximos do zero, onde seja possível; e a degradação e fragmentação é significativamente reduzida.


A perda de habitat, incluindo a degradação e fragmentação é a causa mais importante para a perda da biodiversidade a nível global. Os habitats naturais na maior parte do planeta continua em declínio em extensão e integridade, apesar de ter havido um progresso significativo na redução desta tendência em algumas regiões e habitats. A redução da taxa de perda de habitat é essencial para proteger a biodiversidade e manter os serviços dos ecossistemas vitais para o bem-estar humano.

Esta meta refere-se a todos os habitats naturais, incluindo as florestas. A ênfase desta meta deverá ser na prevenção da perda dos habitats com alto valor de biodiversidade, como florestas primárias, zonas húmidas e recifes de corais, e de ecossistemas onde os riscos de perda que passam os "pontos de ruptura" que podem levar a efeitos negativos de larga escala no bem-estar humano.

Existe uma variedade de formas de reduzir a taxa de perda, degradação e fragmentação de habitat dependendo das circunstâncias e prioridades de cada país. A redução da perda e degradação de habitats naturais pode ser alcançada através de melhoria na eficiência na produção e no planeamento do uso do solo, e mecanismos aprimorados para a governança dos recursos naturais combinada com maior cumprimento da lei de tais políticas. Para além disso, o maior reconhecimento do valor económico e social dos serviços dos ecossistemas fornecidos pelos habitats naturais como a captação de água, controlo da erosão e o valor do sequestro do carbono por florestas e zonas húmidas, proporcionam os incentivos contemporâneos para a redução da taxa líquida destes habitats e reverter o seu declínio. 

Possíveis indicadores
  • Tendências na proporção de habitats degradados e ameaçados.
  • Tendências na extensão de biomas, ecossistemas e habitats.
  • Tendências na condição e vulnerabilidade dos ecossistemas.
  • Tendências na fragmentação de habitats naturais.
  • Tendências populacionais das espécies que dependem de um habitat em cada tipo de habitat mais importante.

Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T5-quick-guide-en.pdf

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Meta 4 de Aichi para a biodiversidade: Produção e consumo sustentáveis

A quarta meta de Aichi para a biodiversidade é a seguinte:

Até 2020, o mais tarde, Governos, empresas e interessados a todos os níveis tenham desenvolvido esforços para alcançar ou tenham implementado planos para a produção e consumo sustentáveis e que tenham mantido os impactos do uso de recursos naturais dentro de limites ecológicos de segurança.


O uso insustentável ou sobre-exploração dos recursos é uma das principais ameaças à biodiversidade. No presente, empresas e países estão a fazer esforço para reduzir de forma substancial o uso de combustíveis fósseis, com o objectivo de mitigar os efeitos das alterações climáticas. Serão necessários esforços similares para assegurar que o uso de outros recursos naturais é feito dentro dos limites sustentáveis.

O conceito de limites ecológicos pode ser definido como o ponto onde a quantidade de recursos que são extraídos ou usados é menor ou igual do que a quantidade de recursos que os ecossistemas são capazes de fornecer numa base sustentável enquanto mantêm a sua funcionalidade. Os limites específicos irão variar com diferentes ecossistemas dependendo das condições e composição dos ecossistemas e o tipo e magnitude da pressão. Em muitos casos os limites actuais serão desconhecidos, pelo que a aplicação do principio da precaução será necessária.

A redução da procura total e o aumento da eficiência irão contribuir para a meta e pode ser perseguido através de regulamentos e/ou incentivos governamentais, educação e responsabilidade social e empresarial. Adicionalmente o fomento de padrões de produção e consumo sustentáveis para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, tanto no sector público e privado estão alinhadas com os objectivos da Convenção, e o desenvolvimento de métodos para promover informação com base científica sobre biodiversidade para influenciar decisões de consumo e produção irão contribuir para o alcance da meta.

Possíveis indicadores
  • Tendências na Pegada Ecológica e/ou conceitos relacionados.
  • Tendências do modo como os valores da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas são incorporados na contabilidade e relatórios organizacionais.
  • Tendências da biodiversidade nas cidades.
  • Limites ecológicos avaliados em termos da produção e consumo sustentáveis.
  • Tendências nas populações e risco de extinção das espécies utilizadas, incluindo espécies comercializadas.
Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T4-quick-guide-en.pdf

Meta 3 de Aichi para a Biodiversidade: Reforma dos incentivos

A terceira meta de Aichi para a biodiversidade é a seguinte:

Até 2020, o mais tardar, os incentivos, incluindo os subsídios, prejudiciais à biodiversidade sejam eliminados, totalmente ou por fases, ou reformados de forma a minimizar ou evitar impactos negativos, e que incentivos positivos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade sejam desenvolvidos e aplicados, em coerência e harmonia com a Convenção e outras obrigações internacionais relevantes, levando em conta as condições sociais e económicas nacionais.


Os incentivos prejudiciais à biodiversidade geralmente emanam de políticas ou programas que induzem ao comportamento insustentável prejudicial à biodiversidade, cujo efeitos secundários são frequentemente não antecipados e não desejados.

Os incentivos positivos são medidas económicas, legais e institucionais desenhadas para encorajar actividades benéficas para a biodiversidade.

Possíveis indicadores:
  • Tendências no número e valor dos incentivos, incluindo subsídios, prejudiciais para a biodiversidade removidos, totalmente ou por fases, ou reformados.
  • Tendências na identificação, avaliação e estabelecimento e reforço de incentivos que premeie a contribuição positiva para a biodiversidade e serviços dos ecossistemas e que penalize impactos adversos.
Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T3-quick-guide-en.pdf

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Meta 2 de Aichi para a Biodiversidade: Integração dos valores da Biodiversidade

A segunda meta de Aichi para a Biodiversidade é a seguinte:

Até 2020, o mais tardar, os valores da Biodiversidade tenham sido integrados nas estratégias e processos de planeamento nacionais e locais de desenvolvimento e redução da pobreza e sejam integrados em sistemas nacionais de contabilidade e sistemas de reporte.


Os valores da biodiversidade não estão devidamente reflectidos no processo de tomada de decisão no contexto das estratégias de desenvolvimento e redução da pobreza. A integração e a reflexão da contribuição da biodiversidade e os serviço dos ecossistemas que fornece, em estratégias, políticas, programas e sistemas de reporte é um elemento importante para que os valores da biodiversidade e as oportunidades que derivam da sua conservação e uso sustentável sejam reconhecidos e reflectidos na tomada de decisão.

A biodiversidade sustenta um conjunto vasto de serviço que sustentam economias, sistemas de produção de alimento, condições de vida segura e saúde human. Adicionalmente, a biodiversidade é central para muitas culturas, crenças espirituais e visões do mundo e tem valor intrínseco de direito próprio. Como tal, a biodiversidade tem múltiplos valores, alguns dos quais podem ser quantificados em termos monetários e outros que são mais abstractos. Dada a variedade de valores que são necessários ser em conta quando se implementam acções para alcançar esta meta, uma abordagem multidisciplinar será necessária para avaliar os valores da biodiversidade.

As estratégias nacionais de desenvolvimento e redução da pobreza são instrumentos chaves para erradicar a pobreza na linha com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Os processos de planeamento nacionais e locais, em particular o planeamento do uso do solo, podem ter impactos significativos na biodiversidade. A integração dos problemas da biodiversidade em decisões nacionais e locais ajudarão a internalizar os custos e benefícios da conservação e o uso sustentável da biodiversidade e ajudar a enquadrar a conservação e uso sustentável em termos de oportunidades para desenvolvimento.

Os sistemas nacionais de contabilidade proporcionam um meio para acompanhar os fluxos de recursos e melhor compreender os benefícios que derivam da biodiversidade. Essa informação permitirá que decisões de políticas mais informadas possam ser tomadas. Incluir a biodiversidade em sistemas de reporte, quando relevante, pode ajudar a assegurar que a importância da biodiversidade permanece visível e é devidamente tido em conta na tomada de decisão.

Existem uma variedade de ferramentas disponíveis para avaliar os valores da biodiversidade. Estas incluem o trabalho da Convenção da Diversidade Biológica em medidas económicas, comércio e incentivo, o estudo da Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB) e o Sistema de Contabilidade Económico e Ambiental (SEEA). Também estão disponíveis ferramentas para a integração do biodiversidade nos exercício de planeamento espacial através do mapeamento dos serviço dos ecossistemas da biodiversidade e através de planeamento sistemático de conservação.

Possíveis indicadores:
  • Tendências na incorporação de valores dos recursos naturais, biodiversidade e serviços dos ecossistemas nos sistemas nacionais de contabilidade.
  • Tendências no número de avaliação dos valores da biodiversidade, de acordo com a Convenção.
  • Tendências em linhas de orientação e aplicação de ferramentas de avaliação económica.
  • Tendências na integração dos valores da biodiversidade e serviços dos ecossistemas em políticas sectoriais e de desenvolvimento.
  • Tendências nas políticas que consideram a biodiversidade e os sistemas dos ecossistemas na s avaliações de impacto ambiental e estratégia ambiental.
Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T2-quick-guide-en.pdf

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Meta 1 de Aichi para a Biodiversidade: Maior sensibilização

A primeira meta de Aichi é a seguinte:

Até 2020, as pessoas estão sensibilizadas para os valores da biodiversidade e para os passos que podem tomar para a conservar e usar de forma sustentável.

Para atingir esta meta será necessário que as pessoas sejam sensibilizadas para os valores da biodiversidade, num contexto mais amplo, olhando para os valores ambientais, culturais, económicos e intrínsecos. Apesar de esse conhecimento ser importante na motivação para a acção, não é suficiente. As pessoas também necessitam de estar sensibilizadas para os tipos de acções que podem tomar para conservar e usar a biodiversidade de forma sustentável. Diferentes segmentos da sociedade podem tomar diferentes acções dependendo do tipo de actividades que têm controlo ou influência sobre. Tal informação podem ajudar a capacitar os indivíduos a tomar acções.

De forma a progredir em direcção a essa meta, será necessário desenvolver e implementar uma esforços nas áreas da comunicação, educação e consciencialização do público de forma coerente, estratégica e sustentada. Diferentes tipos de actividade de educação e consciencialização serão necessários para chegar a diferentes audiências.

A aprendizagem ocorre em contextos formais, como escolas e universidades, bem como em contextos informais, como sejam o aconselhamento por parte dos mais velhos e também museus e parques e através de filmes, televisão e literatura. A aprendizagem pode igualmente ocorrer através da participação em eventos e outras oportunidades para troca de informação entre os interessados. Existem, portanto, uma variedade de comunicação e veículos de disseminação que podem ser usados.

Uma acção inicial para atingir esta meta que pode ser tomada será a realização de uma avaliação do estado actual da consciencialização para a biodiversidade de forma a identificar falhas e os grupos para cuja consciencialização dos valores da biodiversidade é mais importante para o estado da biodiversidade em cada país. Esta informação pode ajudar a identificar e dar prioridade aos tipos de  acções de comunicação e educação que são necessárias. São também importantes para alcançar esta meta: identificar as mensagens relevantes e os canais de comunicação para cada grupo, estudos a determinar e comunicar os valores da biodiversidade e o envolvimento de agentes parceiros.

Possíveis indicadores
  • Tendências na consciencialização e atitudes em relação à biodiversidade.
  • Tendências na participação pública relacionada com a biodiversidade.
  • Tendências em programas de comunicação e acções a promover a responsabilidade social das empresas.
Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T1-quick-guide-en.pdf

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Plano Estratégico 2011-2020 e as Metas de Aichi

Fonte: https://www.cbd.int/images/youth/cbd-world.gif
A Convenção para a Diversidade Biológica (CDB) ou a Convenção para a Biodiversidade, como é informalmente conhecida, é um tratado multilateral que tem como principais objectivos: a conservação da diversidade biológica (biodiversidade), o uso sustentável dos seus componentes e a partilha justa e igual dos benefícios que surgem dos recursos genéticos.

A Convenção foi criada aquando da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e entrou em pleno funcionamento no final do ano de 1993. Em 2016, faziam parte 196 partes, que incluía 195 estados e a União Europeia. Todos os membros das Nações Unidas - com a excepção dos Estados Unidos - ratificaram o tratado.

Na décimo encontro da Conferência de Partes, que aconteceu em 2010 em Nagoya (Aichi) no Japão, foi adoptado um Plano Estratégico para a Biodiversidade para o período de 2011-2020, incluindo as Metas de Aichi para a Biodiversidade.

O Plano Estratégico é composto por uma visão partilhada, uma missão, objectivos estratégicos e 20 metas ambiciosas, conhecidas como Metas de Aichi, 

A visão é definida da seguinte forma: "Até 2050, a biodiversidade é valorizada, conservada, restaurada e sabiamente usada, mantendo os serviços dos ecossistemas, sustentando um planeta saudável e fornecendo os benefícios essenciais para todas as pessoas."

Já a missão da Convenção é traduzida do seguinte modo: "Tomar medidas efectivas e urgentes para travar a perda da diversidade biológica a fim de assegurar que até 2020, os ecossistemas sejam resistentes e que continuem a fornecer os serviços essenciais, assegurando deste modo, a diversidade da vida no planeta e contribuindo para o bem-estar humano e para a erradicação da pobreza. Para que isso aconteça, é necessário que as pressões sobre a biodiversidade se reduzem, os ecossistemas se restaurem, os recursos biológicos sejam utilizados de forma sustentável e os benefícios que surjam da utilização dos recursos genéticos sejam partilhados de forma justa e equitativa; que sejam disponibilizados os recursos financeiros adequados, se melhorem as capacidades, as questões e valores da biodiversidade se tornem conhecidos, as políticas apropriadas sejam implementadas de forma efectiva e a tomada de decisão seja baseada em fundamentos científicos sólidos e numa abordagem de precaução."

Fonte: http://explore.tandfonline.com/uploads/images/campaigns/BIG_7751-Aichi_Biodiversity_Targets_978x509.jpg

As 20 Metas de Aichi estão divididas de acordo com 4 objectivos estratégicos:
  • Objectivo estratégico A: abordar as causas subjacentes à perda de diversidade biológica através da incorporação da diversidade biológica em todos âmbitos governamentais e da sociedade.
  • Objectivo estratégico B: Reduzir as pressões directas sobre a diversidade biológica e promover o seu uso sustentável.
  • Objectivo estratégico C: Melhorar a situação da diversidade biológica salvaguardando os ecossistemas, as espécies e a diversidade genética.
  • Objectivo estratégico D: Aumentar os benefícios da diversidade biológica e os serviços dos ecossistemas para todos.

Fontes:

domingo, 15 de janeiro de 2017

Índice Local da Integridade da Biodiversidade

O Índice Local da Integridade da Biodiversidade (ILIB) estima em quanto a biodiversidade original de uma área terrestre permanece em face da ocupação do solo e das pressões associadas por parte dos humanos. Em virtude de o ILIB estar relacionado com o biodiversidade a nível local, esta pode calculada e reportada para qualquer escala espacial maior (por ex.: países, focos de biodiversidade ou biomas mas também a nível global).

O ILIB pode reportar-se à riqueza de espécies e à abundância média e está a ser desenvolvida para também reportar à raridade de alcance geográfico (endemismo) e diversidade filogenética. O ILIB é complementar do proposto Índice de Biodiversidade e Habitat (IBH). O foco do ILB é a integridade biótica local média, que reflecte a persistência das espécies numa paisagem e a capacidade dos ecossistemas locais que fornecerem muitos serviços. O IBH, por contraste, foca-se em como a diversidade global de área mais abrangente é afectada pela degradação e perda de habitat.

O ILIB abrange toda a superfície terrestre e pode reportar tanto a nível global como a uma escala mais pequena relevante para políticas globais.

Índice Local da Integridade da Biodiversidade (Fonte: http://www.ipbes.net/sites/default/files/Metadata_GEO_BON_PREDICTS_Local_Biodiversity_Intactness_Index.pdf)

Fonte:

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Relatório Living Planet

A cada dois anos, a Global Footprint Network, a World Wildlife Fund (WWF) e a Zoological Society of London (ZSL) publicam o relatório Living Planet, uma das mais importantes análises científicas a nível mundial sobre a saúde do nosso planeta e o impacto da actividade humana. O relatório utiliza a Pegada Ecológica e outras medidas complementares para avaliar o estado de mudança da biodiversidade a nível global e do consumo humano. O relatório documenta a extensão da pressão humana sobre o Planeta, como a comparamos entre nações e como está a causar impactos no mundo natural.

Capa do relatório Living Planet de 2016
(Fonte: http://www.livingplanetindex.org/assets/cms/images/LPR2016_cover-274.jpg)

O relatório Living Planet de 2016, lançado a 27 de Outubro de 2016, apresentou as seguintes conclusões:

  • O índice Living Planet mostra um declínio de 58% entre 1970 e 2012 com grandes perdas nos ambientes de água doce.
  • Se a actual tendência continua até 2020 as populações de vertebrados pode entrar em declínio em cerca de 67% em comparação com 1970.
  • O crescimento da pressão humana ameaça os recursos naturais de que a humanidade depende, aumentando o risco de insegurança alimentar e escassez de água e competição sobre recursos naturais.
  • As actividades e recursos humanos cresceram de forma tão dramática, em particular desde os meados do século XX, que estão a colocar em perigo um número de sistemas ambientais chave.
  • Os impactos globais e os riscos associados com os humanos são já evidentes em relação às alterações climáticas, integridade da biosfera, fluxos biogeoquímicos e mudanças no uso do solo.
  • Em 2012, seria necessário o equivalente a 1.6 planetas Terra para fornecer os recursos e serviços naturais consumidos em um ano pela humanidade.
  • Um pré-requisito para reduzir as pressões humanas é compreender a natureza do processo de decisão que resulta em degradação ambiental, social e ecológica.
  • O pensamento sistémico pode ajudar a definir os principais factores do comportamento humano que leva a padrões de consumo insustentáveis, padrões de produção destrutivos, estruturas disfuncionais de governança e planeamento económico focado no curto prazo.
  • No que concerne ao sistema alimentar, as causas de base são a armadilha da pobreza, concentração de poder, bloqueios ao comércio e investigação e tecnologia na área da agricultura.
  • O século XXI coloca a humanidade com um duplo desafio: conservar a natureza em todas as suas formas e funções e proporcionar condições de igualdade para os seus habitantes num planeta finito.
  • O redireccionamento para um caminho de sustentabilidade requer mudanças fundamentais imediatas em dois sistemas importantes: energia e indústria alimentar.
  • O ritmo a que vamos fazer a transição para uma sociedade sustentável é um factor chave na determinação do nosso futuro.

Índice Living Planet

O índice Living Planet (ILP) é uma medida do estado de diversidade biológica a nível global baseado em tendências da população de espécies de vertebrados em todo o Mundo. A base de dados do índice armazena séries cronológicas de informação relativa a mais de 18.000 populações de mais de 3.600 espécies de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios em todo o Mundo, que é reunida por publicações periódicas, bases de dados online e relatórios governamentais. Usando o método desenvolvido pela WWF e ZSL, estas tendências de populações de espécies são agregados para produzir índices do estado de biodiversidade. O resto do trabalho foca-se em expandir a cobertura do ILP para melhor representar a biodiversidade dos vertebrados de todo o Mundo e em desagregar o índice para medir tendências em diferentes áreas temáticas. O que inclui avaliar as mudanças em diferentes grupos taxonómicos, olhar para as tendências das populações de espécies a nível nacional ou regional, identificar como diferentes ameaças afectam as populações e proporcionam uma visão de como a intervenção na conservação pode promover a recuperação das espécies.

O ILP global mostra que um conjunto de 14.152 populações de 3.706 espécies registou um declínio de 58% entre 1970 e 2012.

Evolução do índice Living Planet entre 1970 e 2012
(Fonte: http://www.livingplanetindex.org/projects?main_page_project=AboutTheIndex&home_flag=1)

Fontes: