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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Grande Aceleração

A Grande Aceleração é um evento único na história de 4.5 biliões de anos do nosso planeta. Este período da história que começa no início da Revolução Industrial, por volta de 1750, e continua nos dias de hoje. Pela primeira vez, as actividades humanas e o sistema económico global em particular, são o principal factor de alteração do sistema Terra ou seja a soma de todos os processos físicos, químicos, biológicos e humanos que interagem entre si.

Desde então, a população mundial cresceu 7 vezes, ultrapassando os 7.6 mil milhões e a economia mundial cresceu mais de 30 vezes. Mas foi nos últimos 50 anos que o desenvolvimento económico tem provocado uma procura crescente de energia, solo e água o que altera de forma fundamental o sistema de funcionamento da Terra.

O desenvolvimento económico e o crescimento das classes médias tem trazido vários benefícios nomeamente na melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. No entanto, as melhorias exponenciais nos campos da saúde, conhecimento e qualidade de vida vêm acompanhadas de um custo enorme para a estabilidade dos sistemas naturais que nos sustentam. O nosso impacto atingiu uma tal escala que interfere com a atmosfera, a criosfera, os oceanos, as florestas, o solo e a biodiversidade do nosso planeta.

Para ilustrar essa aceleração foram apresentados, em 2004, 24 indicadores na síntese Global Change and the Earth System pelo IGBP (International Geosphere-Biosphere Programme) e que foram em 2015 revistos e actualizados na publicação Anthropocene Review.

12 tendências sócio-económicas.

Esses indicadores foram divididos em 12 indicadores relativos a tendências sócio-económicas e 12 relativos às tendências do sistema Terra. Os primeiros 12 reflectem as tendências da população, produto interno bruto, investimento directo estrangeiro, população urbano, uso primário de energia, consumo de fertilizantes, grandes barragens, uso da água, a produção de papel, transporte, telecomunicações e turismo internacional. Os segundos 12 reflectem as tendências relativamente ao dióxido de carbono, óxido nitroso, metano, ozono estratosférico, temperatura à superfície, acidificação dos oceanos, captura de peixes marinhos, aquacultura, fluxo de azoto que chega à costa, perda de floresta tropical, transformação do solo e degradação da biosfera terrestre. 

12 tendências do Sistema Terra.

As tendências da Grande Aceleração suportam a sugestão de que a Terra entrou numa nova era geológica - o Antropoceno - cujo termo foi autoria de Paul Crutzen e Eugene Stoermer em 2000. Até agora, o termo ainda não foi formalizado e também questiona-se quanto data do seu início.

Fontes:
Living Planet Report 2018
https://www.wwf.org.uk/sites/default/files/2018-10/wwfintl_livingplanet_full.pdf
Planetary dashboard shows “Great Acceleration” in human activity since 1950
http://www.igbp.net/news/pressreleases/pressreleases/planetarydashboardshowsgreataccelerationinhumanactivitysince1950.5.950c2fa1495db7081eb42.html

domingo, 31 de janeiro de 2016

Limites ao crescimento

Em 1972 um grupo de investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) publicou o livro "Os Limites ao Crescimento". Este famoso e controverso livro apresentou os resultados do estudo do MIT conduzido por  Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jørgen Randers e William W. Behrens III e encomendado pelo Clube de Roma, que analisou a problemática mundial utilizando um modelo informático "World3" desenvolvido pelo MIT. Este modelo permitiu analisar as interacções dos cinco subsistemas do sistema económico global nomeadamente: população, produção agrícola, produção industrial, poluição e consumo de recursos naturais não-renováveis. A escala temporal para este modelo inicia-se no ano 1900 e continua até ao ano 2100. 

A publicação deste livro teve impactos imediatos que perduraram até hoje. As questões ambientais e o debate sobre sustentabilidade foram mais popularizados pela venda de milhões de cópias e tradução para 30 línguas. O World3 foi o primeiro modelo integrado global ao fazer a ligação entre a economia mundial com o ambiente. A mensagem que sobressaiu do modelo foi a de que o crescimento continuado na economia  mundial levaria a que os limites do planeta fossem ultrapassados algures durante o século XXI, muito provavelmente resultando no colapso da população e do sistema económico; porém este colapso poderia ser evitado com a combinação de atempada mudanças de comportamento, políticas e tecnologia.

Estas recomendações para mudanças fundamentais nas políticas e no comportamento tendo em vista a sustentabilidade nunca viriam a ser seguidas. Desde o tempo da sua publicação até aos dias de hoje, o livro têm recebido bastante criticismo que falsamente alega que o estudo previu que os recursos seriam esgotados e que o sistema mundial iria colapsar até ao final do século XX. Essas alegações vão produzidas em artigos científicos, livros, materiais educativos, jornais, artigos de revistas e websites.

Desde a publicação do livro em 1972, o Clube de Roma tem lançado actualizações ao mesmo numa base de 5 anos.

Previsões do estudo Limites ao crescimento em 1972 
(Fonte: http://www.commondreams.org/)
Através do gráfico acima, podemos observar a comparação entre a previsão do estudo de 1972 e a realidade observada. No período 1970-2000, o output industrial aumentou bem como a produção agrícola e serviços per capita. Paralelamente, a poluição global e a população registaram um aumento enquanto a quantidade de recursos não-renováveis remanescentes diminuíram. O estudo prevê também o declínio da população provocado pelo colapso da economia mundial por volta do ano de 2030.

Nesse estudo, os autores concluíram: "Se as tendências de crescimento da população mundial, industrialização, produção agrícola e esgotamento de recursos continuarem inalteradas, os limites ao crescimento neste planeta serão atingidos algures nos próximos cem anos. O resultado mais provável será um rápido e incontrolável declínio na população e capacidade industrial."

Fontes: