quinta-feira, 23 de março de 2017

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico E

O Objectivo Estratégico E, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em aumentar a implementação através de planeamento participativo, gestão do conhecimento e reforço das capacidades.

Deste objectivo fazem parte as seguintes quatro metas.


A meta 17 define que:

Até 2015 cada parte tenha desenvolvido, adoptado como instrumento de política, e tenha começado a implementar um plano de acção e estratégia para a biodiversidade nacionais efectivos, participativos e actualizados.

Os Planos de Acção e Estratégias para a Biodiversidade nacionais são os principais instrumentos para a implementação da Convenção ao nível nacional. Esta meta implica que sejam desenvolvidos através de uma abordagem participativa, mas que sejam usados como ferramentas efectivas para a divulgação da biodiversidade nos governos e sociedades.

A meta 18 define que:

Até 2020, o conhecimento tradicional, inovações e práticas das comunidades indígenas e locais relevantes para a conservação e uso sustentável da biodiversidade e o seu uso habitual dos recursos biológicos são respeitados, sujeitos a legislação nacional e obrigações internacionais relevantes, e totalmente integrados e reflectidos na implementação da Convenção com a ample e efectiva participação das comunidades indígenas e locais, a todos os níveis relevantes.

Existe uma dependência estreita e tradicional de muitas comunidades indígenas e locais dos recursos biológicos. O conhecimento tradicional pode contribuir para a conservação e o uso sustentável da diversidade biológica. Desenvolvido da experiência adquirida durante milénios e adaptada à cultura e ambiente locais, o conhecimento tradicional tende a ser pertencer ao colectivo, transmitido oralmente de geração em geração e tem uma diversidade de formas desde histórias e folclore até práticas agrícolas e de pecuária.

A meta 19 define que:

Até 2020, o conhecimento, a ciência base e as tecnologias relacionadas com a biodiversidade, os seus valores, funcionamento, estado e tendências e as consequências da sua perda, sejam aumentados, amplamente partilhados e transferidos, e aplicados.

Todos os países necessitam de identificar as ameaças à biodiversidade e determinar as propriedade para a conservação e uso sustentável. Enquanto quase todos os países relatam que estão a tomar acções relacionadas com a monitorização e investigação, a maioria também indica que a ausência e a dificuldade em aceder a informação relevante é um obstáculo para a implementação dos objectivos da Convenção.

A meta 20 define que:

Até 2020, a mobilização de recursos financeiros para a implementação efectiva do Plano Estratégico para a Biodiversidade entre 2011 e 2020 de todas as fontes e em concordância com o processo consolidado e acordado na Estratégia para a Mobilização de Recursos deve aumentar substancialmente relativamente aos níveis actuais. Esta meta será sujeita a alterações contingentes aos recursos necessitam de avaliações a ser desenvolvidas e relatadas pelas Partes.

A maioria dos Países indicaram nos seus relatórios nacionais que a capacidade limitada, tanto a nível financeiro e humano, foram um obstáculo importante à implementação da Convenção. A capacidade que actualmente existe nos países necessita de ser salvaguardada e aumenta em relação aos níveis actuais, em linha com o processo definido na Estratégia para a Mobilização de Recursos, de forma a permitir aos países enfrentar os desafios da implementação do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020. 

Fontes:

quarta-feira, 22 de março de 2017

Por que razão a biodiversidade é importante? (por Filipe Duarte Santos)

(...) Biodiversidade designa, de forma genérica, os organismos que constituem o mundo vivo, o seu número, variedade e variabilidade. Importa ter também presente que a diversidade biológica se manifesta nos três níveis hierárquicos fundamentais da organização biológica: os genes, espécies e os ecossistemas. A diversidade genética resulta da variação genética entre os indivíduos e entre diferentes populações da mesma espécie. A diversidade das espécies representa os diferentes tipos de animais, plantas e outros organismos que habitam uma dada região e a diversidade dos ecossistemas representa a variedade de habitats que se encontram numa determinada área.

Fonte: http://www.greenrooftechnology.com/Pictures%20from%20JBi/Biodiversity.jpg

(...) Os ecossistemas naturais providenciam à humanidade um vasto e diversificado conjunto de serviços essenciais à vida. À escala global, o principal resulta de que a biosfera é uma das componentes do sistema climático terrestre e desempenha um papel crucial para assegurar a estabilidade da composição química da atmosfera para regular o clima.

(...) Um dos principais serviços prestados pelos ecossistemas naturais, consiste na geração, manutenção e fertilidade dos solos. Num grama de solo agrícola fértil existem milhares de milhões de bactérias e dezenas de milhares de fungos, algas e protozoários. São estes microorganismos que asseguram a conversão dos nutrientes - azoto, fósforo e enxofre - em substâncias químicas assimiláveis pelas plantas superiores e em particular pelas plantas das culturas agrícolas. São também os ecossistemas residentes nos solos que decompõem a matéria orgânica acumulada nas florestas e reciclam os seus nutrientes. Uma outra função crucial desempenhada pelos ecossistemas naturais é evitar a disseminação de muitas pragas e doenças que atacam as culturas agrícolas e os animais domésticos.

(...) No passado, antes da descoberta da agricultura, os ecossistemas naturais asseguravam completamente a alimentação das comunidades humanas. Na actualidade, esse serviço restringe-se quase em exclusivo aos oceanos e zonas costeiras que providenciam peixes e outros tipos de organismos marinhos comestíveis. Note-se porém que todos os tipos de plantas actualmente cultivadas para fins alimentares provieram de espécies selvagens com características especialmente favoráveis à agricultura e que foram desenvolvidas no sentido de se tornarem mais produtivas. Tal como os animais domésticos, foram espécies descobertas pelo homem na grande reserva de biodiversidade dos ecossistemas naturais. Esta imensa biblioteca genética, formada por milhões de espécies diferentes e por um número muito maior de populações geneticamente distintas, continua a ser imprescindível para a humanidade.

(...) Um dos maiores benefícios da biodiversidade é providenciar novos medicamentos. Mais de metade dos remédios usados nos países em vias de desenvolvimento têm origem em plantas. Mais de uma centena de drogas importantes na medicina actual são extraídas exclusivamente de plantas e novas descobertas são feitas, todos os anos, ao explorar e investigar uma enorme variedade de organismos, que vão desde os fungos às árvores. Ao destruir sistematicamente ecossistemas ricos em biodiversidade como, por exemplo, grandes áreas de floresta tropical húmida, estamos a provocar a extinção ou a aumentar o risco de extinção de muitas espécies, algumas ainda porventura desconhecidas e que poderão ter valor medicinal.

Finalmente restam os valores da biodiversidade que se situam nos domínios educativo, cultural, estético e ético, porventura mais importantes em termos de futuro, pelo seu carácter fundamental, estruturante e formativo. A beleza dos organismos vivos, a variedade das suas formas, cores e funções, o encanto das regiões selvagens e das paisagens naturais são valores inestimáveis, presentes nas mais diversas civilizações e profundamente ligados à nossa natureza humana. Negá-los ou subestimá-los é repudiar as nossas culturas, as nossas origens e quebrar a harmonia com o meio ambiente. É aceitar viver num mundo cada vez mais artificial, contingente, incerto, conflituoso e inseguro.

Fonte: https://www.epa.gov/sites/production/files/2015-04/new_ecowheel.jpg

(...) Há cada vez mais pessoas que apreciam o contacto directo com a natureza selvagem, que sabem identificar e conhecem a grande diversidade de espécies da fauna e flora das regiões do mundo onde vivem e que contribuem de forma empenhada para a conservação da natureza. Contudo somos ainda uma minoria à escala global. Aprender a observar e a apreciar a natureza quando se é jovem é um bem inestimável cujos benefícios e alegrias nos acompanham durante toda a vida.

Retirado de:
Que Futuro? - Ciência, Tecnologia e Ambiente, Edição Gradiva 

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico D

O Objectivo Estratégico D, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em "aumentar os benefícios para todos da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas".

Deste objectivo fazem parte as três seguintes metas.

A meta 14 define que:

Até 2020, os ecossistemas que fornecem serviços essenciais, incluindo serviços relacionados com a água e que contribuem para a saúde, subsistência e bem-estar, sejam restaurados e salvaguardados, tendo em consideração as necessidades das mulheres, populações indígenas e locais, e os pobres e vulneráveis.

Todos os ecossistemas fornecem produtos e serviços. No entanto, alguns ecossistemas são particularmente importantes para o bem-estar humano devido aos serviços que fornecem. Os ecossistemas que fornecem serviços relacionados com a provisão de alimentos, fibra, medicamentos e água potável, polinização de colheitas, filtração de poluentes, e protecção contra desastres naturais; são provavelmente os mais essenciais para o bem-estar humano.

A meta 15 define que:

Até 2020, a resiliência dos ecossistemas e a contribuição da biodiversidade para as reservas de carbono tenham sido aumentadas, através da conservação e restauração, incluindo a restauração de pelo menos 15% dos ecossistemas degradados, e desse modo contribuindo para a mitigação e adaptação às alterações climáticas e para o combate à desertificação.

A desflorestação, a drenagem de zonas húmidas e outros tipos de alteração e degradação de habitat levam à emissão de dióxido de carbono, metano e outros gases com efeito de estufa. A reversão destes processos, através da restauração dos ecossistemas, representa uma oportunidade imensa para a restauração da biodiversidade e o sequestro de carbono. Paisagens terrestres e marítimas restauradas podem melhorar a resiliência incluindo a capacidade adaptativa dos ecossistemas e sociedades, e podem contribuir para a adaptação e gerar benefícios adicionais para as pessoas, em particular as comunidade indígenas e locais e a população rural. A conservação, restauração e a gestão sustentável das florestas, solos, zonas húmidas e outros ecossistemas são métodos provados, económicos, seguros e à disposição para sequestrar carbono e prevenir a libertação de outros gases com efeito de estufa.

Em 2010, algumas estimativas apontavam para que dois terços dos ecossistemas do planeta estariam degradadas. O potencial global para a restauração da floresta está estimado em cerca de 1 bilião de hectares, ou seja, 25% da área florestal global actual.

A meta 16 define que:

Até 2015, o Protocolo de Nagoya sobre o acesso a recursos genéticos e partilha justa e equitativa dos benefícios da sua utilização entre em vigor e em funcionamento, em consistência com a legislação nacional.

Ao aumentar a segurança jurídica e promover a partilha de benefícios, o Protocolo de Nagoya encoraja ao avanço de investigação de recursos genéticos que podem levar a novas descobertas de benefícios para todos. O Protocolo também cria incentivos para a conservação e uso sustentável dos recursos genéticos, e assim aumentar a contribuição da biodiversidade para o desenvolvimento e bem-estar humano. 

Fonte:

terça-feira, 7 de março de 2017

Metas de Aichi para a Biodiversidade: Objectivo Estratégico C

O Objectivo Estratégico C, que faz parte do Plano Estratégico para o período 2011-2010 da Convenção para a Diversidade Biológica, consiste em "melhorar o estado da biodiversidade através da salvaguarda dos ecossistemas, espécies e diversidade genética".

Deste objectivo derivaram as seguintes três metas:

A meta 11 define que: 

Até 2020, pelo menos 17% das áreas terrestres e de águas interiores e 10% das áreas costeiras e marinhas, em especial as áreas de especial importância para a biodiversidade e serviços dos ecossistemas, sejam conservadas através de um sistemas de áreas protegidas geridas forma efectiva e equitativa, ecologicamente representativa e bem conectada e outras medidas de conservação eficazes baseadas em áreas, e sejam integradas em paisagens terrestres e marinhas mais amplas.

As áreas protegidas com boa governação e geridas de forma efectiva são um método com provas para a salvaguarda dos habitats e populações de espécies e para o fornecimento de serviços de ecossistemas importantes. Uma particular ênfase é necessária para proteger ecossistemas críticos como os recifes de coral tropicais, pradarias de ervas marinhas, recifes de coral de água frias profundas, montanhas submarinas, florestas tropicais, turfeiras, ecossistemas de água doce e zonas húmidas costeiras. Adicionalmente, existe a necessidade para a atenção crescente para a representatividade, conectividade e efectividade da gestão das áreas protegidas.

Actualmente, cerca de 13% das áreas terrestres e 6% das áreas costeiras são protegidas, no entanto, apenas uma pequena percentagem dos mares abertos está sob protecção.


A meta 12 define que:

Até 2020, a extinção de espécies ameaçadas conhecidas seja impedida e o seu estado de conservação, em particular das espécies que estão em declínio, tenha sido melhorada e sustentada.

Apesar de algumas extinções serem o resultado de processos naturais, a acção humana tem acelerado as actuais taxas de extinção. A redução de ameaça da extinção ligada ao homem requer acção para abordar os factores de mudança directos e indirectos e pode ser um processo a longo prazo. No entanto, as extinções iminentes de espécies ameaçadas pode em muitos casos ser prevenida através da protecção de habitats importantes ou através do tratamento das causas específicas directas do declínio dessas espécies (como a sobre-exploração, espécies exóticas invasoras, poluição e doença).


A meta 13 define que:

Até 2020, a diversidade genética de plantas cultivadas, animais explorados e domesticados e dos seus parentes selvagens, incluindo outras espécies valiosas do ponto de vista sócio-económico e cultural, é mantida, e estratégias tenham sido desenvolvidas e implementadas para minimizar a erosão genética e a salvaguardar a sua diversidade genética.

A diversidade genética de plantas cultivadas e animais explorados e domesticados e dos seus parentes selvagens está em declínio bem como a diversidade genética de espécies valiosos em termos sócio-económicos e culturais. A presente diversidade genética necessita de ser mantida e estratégias precisam de ser desenvolvidas e implementadas a fim de minimizar a presente erosão de diversidade genética, particularmente as que oferecem opções para um aumento da resiliência de sistemas agrícolas e da adaptação a condições em constante mudança.

Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T11-quick-guide-en.pdf
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T12-quick-guide-en.pdf
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T13-quick-guide-en.pdf

domingo, 5 de março de 2017

Meta 10 de Aichi para a Biodiversidade: Redução da pressões sobre ecossistemas vulneráveis

A décima meta de Aichi para a Biodiversidade define que:

Até 2015, as múltiplas pressões antropogénicas sobre os recifes de coral e outros ecossistemas vulneráveis afectados pelas alterações climáticas e acidificação dos oceanos sejam minimizados, de forma a manter a sua integridade e funcionalidade.


A somar às alterações climáticas, o aumento das concentrações de dióxido de carbono atmosférico tem resultado na acidificação dos oceanos. Os efeitos das alterações climáticas e da acidificação dos oceanos pode ter um efeito negativos nesses ecossistemas que são sensíveis a flutuações de temperatura e/ou dependem da disponibilidade de minerais de carbonato.

Para além das alterações climáticas e a acidificação dos oceanos existe uma variedade de outras pressões humanas que afectam os ecossistemas. Estas incluem a poluição/sedimentação proveniente da terra, captura insustentável e outras pressões que resultam em perda de habitat. Dado que alguns ecossistemas, como os recifes de coral, onde se esperam declínios sérios no futuro, como resultado das alterações climáticas e/ou acidificação dos oceanos, acções urgentes precisam de ser tomadas para reduzir essas pressões.

Possíveis indicadores
  • Tendências do risco de extinção de corais e peixes de coral.
  • Tendências nos impactos das alterações climáticas no risco de extensão.
  • Tendências nos impactos climáticos na composição da comunidade.
  • Tendências nos impactos climáticos nas dinâmicas populacionais.
  • Tendências no estado dos recifes de corais.
  • Tendências na extensão, e taxa de mudanças das fronteiras de ecossistemas vulneráveis.
Fonte: