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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Pegada Ecológica Mundial - últimos dados de 2014

Antes do crescimento exponencial da população no século XX, o consumo da humanidade era muito menor do que a capacidade regenerativa do Planeta. No entanto, desde os meados da década de 70 que as necessidades da humanidade têm excedido aquilo que a Terra pode renovar.

Utilizando os conceitos de Pegada Ecológica e de Biocapacidade em hectares globais (gha) podemos avaliar de que forma a humanidade tem usado os recursos do planeta e como essa relação se tem alterado com o tempo.

Nos últimos 50 anos a biocapacidade aumentou cerca de 27% graças a alterações na tecnologia e nas práticas do uso do solo. O que não foi suficiente para contrabalançar o aumento de 190% da pegada ecológica durante o mesmo período.

Pegada ecológica mundial relacionada com o consumo por tipo de área entre 1961 e 2014 (em hectares globais).


A pegada ecológica calcula a quantidade de área biologicamente produtiva necessária para satisfazer as diferentes necessidades em termos de alimento, fibra, madeira, construção de estradas e edifícios e o sequestro de dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis.

Tipos de pegada ecológica de acordo com o tipo de necessidade.

Segundo os últimos dados disponíveis referentes a 2014, os países com maior pegada ecológica (acima dos 7 gha) são o Canadá, os Estados Unidos, a Dinamarca, o Luxemburgo, o Kuwait, o Bahrain, os Emirados Árabes Unidos e a Mongólia.

Mapa mundial da Pegada Ecológica relacionada com o consumo, 2014.

Fonte:
Living Planet Report 2018

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Como podemos parar o crescimento da população humana?

Assumindo que a nossa população irá exceder a capacidade dos recursos da Terra para nos suportar, mesmo não sabendo quando isso irá acontecer, muitos cientistas defendem a adopção de uma abordagem de precaução através de medidas para abrandar ou parar o crescimento populacional. Estudos científicos têm mostrado que as três medidas mais importantes para atingir esse objectivo são: 1) reduzir a pobreza principalmente através do desenvolvimento económico e da educação primária universal, 2) elevar o estatuto da mulher e 3) encorajar o planeamento familiar e os cuidados de saúde reprodutiva.

Desenvolvimento económico

Os especialistas em demografia, ao examinar as taxas de natalidade e mortalidade dos países da Europa ocidental que se iriam tornar industrializados durante o século XIX, desenvolveram uma evolução da população denominada de transição demográfica. À medida que os países se tornam industrializados e economicamente desenvolvidos, num primeiro momento as taxas de mortalidade descem e a que se segue uma descida das taxas de natalidade. De acordo com esta hipótese, esta transição pode identificar 5 fases.

Transição demográfica em 5 fases
(Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8c/Demographic-TransitionOWID.png/600px-Demographic-TransitionOWID.png)

Alguns analistas acreditam que a maioria dos países menos desenvolvidos irão fazer a transição demográfica durante as próximas décadas, em grande parte porque a tecnologia moderna pode trazer rendimentos que permitirão desenvolvimento económico e acesso a planeamento familiar. No entanto, outros analistas temem que o rápido crescimento da população, a pobreza extrema e a crescente degradação ambiental em países de baixos rendimento e menos desenvolvidos - especialmente países africanos - podem deixar esses países "presos" na fase 2.

Muitos destes países são classificados como estados falhados. São estados onde os governos nacionais não mais garantem a segurança pessoal da maior parte das pessoas, principalmente porque perderam controlo sobre todo ou a maior parte do território. Nestes estados os governos não conseguem assegurar os serviços básicos (segurança alimentar, cuidados de saúde e educação) às populações. Normalmente, a guerra civil acaba por se instalar, quando a regra da lei e ordem deixa de existir e grupos opostos lutam pelo poder. Em alguns estados falhados também se podem tornar campos de treino para grupos terroristas internacionais que em muitos casos recrutam jovens adultos em condições economicamente débeis e desempregados. 17 dos 20 estados falhados tinham em 2008 taxas de crescimento populacional altas, taxas de fertilidade total elevadas e uma grande percentagem da sua população abaixo dos 15 anos.

Top 20 dos Estados Falhados em 2008
(Fonte: https://grist.files.wordpress.com/2010/01/top_20_failing_states_83zoom.gif)

Outros factores que podem impedir alguns países menos desenvolvidos de continuarem a sua transição demográfica são a média de idade de cientistas, engenheiros e profissionais qualificados, capital financeiro insuficiente, dívidas elevadas a países mais desenvolvidos e uma descida da assistência económica dos países mais desenvolvidos desde 1985.

Capacitação das mulheres

Um número de estudos mostraram que as mulheres tendem a ter menos filhos se tiveram acesso a educação, se têm a capacidade de controlar a sua própria fertilidade, se têm a capacidade de gerar o seu rendimento e se vivem em sociedades que não reprimam os seus direitos. Apesar de as mulheres totalizarem cerca de 50% da população, na maior parte das sociedades têm menos direitos e oportunidades educativas e económicas do que os homens têm.

As mulheres fazem quase todo o trabalho doméstico e a guarda das crianças do Mundo em troca de pouco ou nenhum pagamento e prestam mais cuidados de saúde (dentro das suas famílias) do que todos os serviços de saúde do Mundo combinados. Elas também fazem 60 a 80% do trabalho associado à agricultura, recolha e transporte de madeira e estrume animal para combustível e transporte de água em áreas rurais de África, América Latina e Ásia. Da mesma forma, as mulheres constituem 70% da população pobre do Mundo e 64% dos 800 milhões de adultos iletrados.

Em virtude de os filhos serem mais valorizados que as filhas em muitas sociedades, as raparigas são mantidas em casa em vez de terem a possibilidade de irem para a escola. A nível global, o número de raparigas com idade escolar que não frequenta a escola primária ultrapassa os 900 milhões. A literacia tem um impacto significativo nas taxas de fertilidade e no crescimento populacional.

Nos países menos desenvolvidos, um número crescente de mulheres estão a assumir o controlo das suas vidas e do seu comportamento reprodutivo. Esta mudança contribuirá para a estabilização das populações e redução da pobreza e degradação ambiental e permitirá um maior acesso a direitos humanos básicos.

Planeamento Familiar

O planeamento familiar fornece serviços de educação e clínicos que ajudam os casais a escolher quantas crianças vão ter e quando vão tê-las. Tais programas variam de cultura para cultura, mas a maioria oferece informação sobre espaçamento de nascimentos, controlo da natalidade e cuidados de saúde para mulheres grávidas e crianças.

O planeamento familiar tem sido um factor fundamental para reduzir o número de nascimentos por todo o Mundo. Também tem ajudado a reduzir o número de abortos realizados em cada ano e o número de mães e fetos a morrerem durante a gravidez.

Estudos da Divisão da População das Nações Unidas e de outras agências indicam que o planeamento familiar é responsável por 55% da descida das taxas de fertilidade totais nos países menos desenvolvidos, de 6.0 em 1960 para 2.7 em 2010.

O planeamento familiar tem também benefícios financeiros. Estudos mostram que cada dólar gasto em planeamento familiar em países como a Tailândia, Egipto e Bangladesh, são poupados 10 a 16 dólares em custos de saúde, educação e serviço social pela prevenção de nascimentos não desejados.

Apesar destes avanços, dois problemas permanecem. Primeiro, 42% de todas as gravidezes em países menos desenvolvidos são não planeados 26% acabam em aborto, de acordo com o Fundo da População das Nações Unidas. Segundo, estima-se que 201 milhões de casais em países menos desenvolvidos querem limitar o número de filhos e definir o espaçamento entre nascimentos, mas não têm acesso a planeamento familiar. Se estas necessidades fossem correspondidas poderiam ser evitadas 52 milhões de gravidezes não desejadas, 22 milhões de abortos e 142 mil mortes relacionadas com a gravidez. Isto poderia reduzir em mais de 1 milhar de milhão de pessoas a população projectada para 2050, com um custo médio de 20 dólares por casal por ano.

Números do planeamento familiar nos países em desenvolvimento
(Fonte: https://forwardnotbackward.files.wordpress.com/2012/10/un-report-shows-more-family-planning-would-prevent-millions-of-abortions.jpg)
Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Que factores influenciam o tamanho da população (parte 2)

O rápido crescimento da população mundial durante o último século não se deveu fundamentalmente ao crescimento das taxas de natalidade mas sim graças à descida das taxas de mortalidade, especialmente em países menos desenvolvidos. As melhorias em diversas áreas - fornecimento e distribuição de alimento, nutrição, medicina, saneamento e fontes de água potável - contribuíram para esse facto.

Dois indicadores usados para avaliar a saúde da população de uma região ou país são a esperança média de vida (o número médio de anos que um recém-nascido espera viver) e a taxa de mortalidade infantil (o número de crianças em cada 1000 nascidos que morrem antes do primeiro aniversário). Entre 1955 e 2010, a esperança média de vida aumentou de 48 para 69 anos (77 anos nos países mais desenvolvidos e 67 anos nos países menos desenvolvidos). Em 2010, o Japão tinha a esperança média de vida mais elevada - 83 anos.

Esperança média de vida no nascimento entre 1950 e 2010
(Fonte: https://healthyplanetpro.files.wordpress.com/2013/02/f-i.png)

A mortalidade infantil é vista como uma das melhores medidas para avaliar a qualidade de vida de uma sociedade porque ela reflecte o nível geral das condições de saúde e de nutrição. Uma alta mortalidade infantil normalmente indica uma falta de alimento (subnutrição), uma nutrição pobre (desnutrição) e uma incidência alta de doenças infecciosas (que surgem da ingestão de água contaminada ou da fraca resistência a doenças devido a uma situação de subnutrição ou desnutrição). A mortalidade infantil também afecta a taxa de fertilidade total. Em regiões onde as taxas de mortalidade são baixas, as mulheres tendem a ter menos filhos porque menos crianças morrem nos primeiros anos de vida.

As taxas de mortalidade infantil nos países mais e menos desenvolvidos têm vindo a descer de forma abrupta desde 1965 no entanto, mais de 4 milhões de crianças (a maioria em países menos desenvolvidos) morrem todos os anos de doenças curáveis durante o primeiro ano de vida.

Taxas de mortalidade infantil entre 1950 e 2010 (Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1e/Infant_Mortality_Rates_-_1950-2010.png/800px-Infant_Mortality_Rates_-_1950-2010.png)

Os cientistas também medem a mortalidade dentro dos primeiros anos de vida (child mortality) em cada 1000 nados-vivos. De acordo com as Nações Unidas, este tipo de mortalidade infantil diminuiu 20% entre 1960 e 2008, o que traduziu numa queda de 20 milhões para 8.8 milhões. A causa mais comum para a mortalidade nesta faixa etária é a utilização de água contaminada para consumo que resulta em situações de diarreias e outras doenças.

Mortalidade infantil até aos 5 anos por região do globo
(Fonte: https://ourworldindata.org/wp-content/uploads/2013/05/ourworldindata_child-mortality-since-1960.png)

Um outro factor que influencia o tamanho da população é a migração: o movimento para dentro (imigração) e o movimento para fora (emigração) de uma área geográfica específica. Em 2009 mais de 190 milhões de pessoas migraram de um país para o outro, com mais de 60 milhões a saírem de países menos desenvolvidos para os mais desenvolvidos. A maioria das pessoas emigra em busca de emprego e para melhorar a sua situação económica. Mas outros factores como a perseguição religiosa, conflitos étnicos, opressão política, guerras e determinados tipos de degradação ambiental como a erosão do solo ou a falta de alimento e água levam também a que as pessoas escolham mudar de país ou região. Estima-se que existiram em 2008 cerca de 40 milhões de refugiados que deixaram o seu país devido a razões ambientais e espera-se que cerca de 1 milhão de pessoas seja adicionado a cada ano.

Mapa de refugiados climáticos em 2005
(Fonte: https://static.skepticalscience.com/images/A_Refugee_Map.png)
Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quantas pessoas pode o planeta suportar?

Durante a maior parte da história, a população humana cresceu a um ritmo lento mas nos últimos 200 anos, cresceu a um ritmo acelerado, resultando na curva tipo J característica do crescimento exponencial.

Os três principais factores que levaram a este aumento populacional. Primeiro, os humanos desenvolveram a capacidade de se expandir para quase todas as zonas climáticas e habitats do planeta. Segundo, o aparecimento da agricultura antiga e moderna permitiu à humanidade produzir mais alimento por unidade de área cultivada. Terceiro, as taxas de mortalidade caíram abruptamente devido à melhoria das condições sanitárias e de saúde e o desenvolvimento de antibióticos e vacinas que ajudaram a controlar doenças infecciosas. Durante os últimos 100 anos, o crescimento da população mundial ocorreu maioritariamente devido à queda abrupta das taxas de mortalidade.

Cerca de 10.000 anos atrás, quando começou o período da agricultura, existiam cerca de 5 milhões de pessoas no planeta, agora existem mais de 7,5 mil milhões de pessoas. Desde que chegamos à Terra até 1927, os primeiros 2 mil milhões de pessoas foram adicionados à Terra. Foram precisos menos de 50 anos para adicionar os seguintes 2 mil milhões (até 1974) e apenas 25 anos para adicionar os próximos 2 mil milhões (até 1999).

História da população mundial
(Fonte: www.astro.sunysb.edu/fwalter/HON301/GEAS_Jun_12_Carrying_Capacity.pdf)

O ritmo de crescimento populacional tem abrandado mas a população mundial ainda cresce exponencialmente a um ritmo de cerca de 1,21% ao ano. Isto significa que cerca de 80 milhões de pessoas são adicionadas todos os anos, o que dá uma me´dia de 227.000 por dia ou 2 pessoas a cada batimento cardíaco.

As previsões da população mundial para o ano de 2050 apontam para que sejamos cerca de 7,5 a 10,8 mil milhões, como uma previsão média de 9,6 mil milhões de pessoas. As possibilidades de a população mundial estabilizar são muito reduzidas num futuro próximo mas durante este século, a população mundial passará de um crescimento característico de uma curva forma de J para um crescimento característico de uma curva em forma de S.

A pergunta que se levanta é: Quantas pessoas pode o planeta suportar? Alguns especialistas acreditam que esta é uma questão errada. Em vez disso, eles pensam que devemos perguntar: Qual é a capacidade de carga do planeta? Ou seja, qual o máximo número de pessoas que podem viver uma certa liberdade e conforto indefinidamente, sem comprometer a capacidade da Terra em suster as gerações futuras.

Capacidade de carga do planeta

As tentativas de se chegar à capacidade de carga do planeta datam pelo menos desde o século 17. O cientista belga Antoni van Leeuwenhoek estimou que se a população da Holanda na altura (1 milhão de pessoas) fosse extrapolada pela área inabitada do globo, esta seria de 13 mil milhões de pessoas. Desde Leeuwenboek, muitas mais estimativas foram sendo feitas para avançar um número. O intervalo dessas estimativas é enorme e tenderam a convergir para um intervalo mais apertado. Um estudo olhou para 94 estimativas dos limites superiores da população da Terra e encontrou estimativas desde 500.000.000 até 1 000 000 000 000 000 000 000. Esta diferença é explicada por métodos utilizados calcular a estimativa.

Capacidade de carga da Terra de 65 estimativas
(Fonte: www.astro.sunysb.edu/fwalter/HON301/GEAS_Jun_12_Carrying_Capacity.pdf)

Muitos estudos assumiram um único factor a restringir a população como o máximo de população que pode ser suportado pela disponibilidade de alimento. Uma variação mais sofisticada deste método assume um conjunto de possíveis restrições como alimento, água e combustível e o factor que entrasse em falta, determinaria o limite da população. Uma outra abordagem ainda mais sofisticada identifica diversos factores e também leva em conta a interdependência dessas variáveis. À medida que estes métodos se tornam mais avançados, têm de incorporar mais factores, que geralmente apenas podem ser estimados ou ter valores incertos.

As escolhas sociais e individuais ao nível do que é "necessário" para o bem-estar e as privações que poderiam ser toleradas no futuro podem ser estimadas dentro de um intervalo plausível. Qual é a quantidade de alimento, medicamentos, calor, roupa, água e abrigo que podemos assumir como sendo o necessário para cada individuo no futuro? Como podem estes ser distribuídos de forma igual?

No final, o resultado destas tentativas de estabelecer um tecto para a população humana sustentável parece destinado à incerteza. No entanto, poderá ser mais importante entender a dinâmica do sistema complexo do qual a população depende. Os modelos que captem as dinâmicas chave do sistema Terra podem servir como mapa para as escolhas que terão impacto no nosso futuro colectivo.

Fontes:

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Esperança de vida e migração

A revisão de 2015 das perspectivas da população mundial da Divisão da População das Nações Unidas confirma que se atingiram ganhos significativos na esperança de vida nos recentes anos. A nível global, a esperança de vida aumentou 3 anos de 67 para 70 anos entre 2000-2005 e 2010-2015. Todas as áreas do globo assistiram a um aumento da esperança de vida, no entanto os maiores aumentos aconteceram em África, onde a esperança de vida aumentou 6 anos nos anos 2000 depois de ter aumentado apenas 2 anos na década anterior. A esperança de vida em África em 2010-2015 situou-se nos 60 anos, comparados com os 72 anos na Ásia, 75 anos na América Latina e Caraíbas, 77 anos na Europa e Oceânia e 79 anos na América do Norte.

Esperança de vida entre 1950 e 2010 nas principais regiões do globo
(Fonte: https://healthyplanetpro.files.wordpress.com/2013/02/f-i.png)

A mortalidade de menores de cinco anos é um importante indicador do desenvolvimento e bem-estar das crianças. A nível global, as mortes entres crianças com menos de 5 anos caiu de 71 por 1000 nascimento em 2000-2005 para 50 por 1000 em 2010-2015. Descidas significativas ocorreram na África Sub-sariana (de 142 para 99 por 1000) e nos países menos desenvolvidos (de 125 para 86 por 1000).

Espera que a esperança de vida suba de 70 anos em 2010-2015 para 77 anos em 2045-2050 e para 83 anos em 2095-2100. Prevê-se que África ganhe cerca de 19 anos em esperança de vida até ao final do século, atingindo os 70 anos em 2045-2050 e 78 anos em 2095-2100. Tanto na Ásia como na América Latina e as Caraíbas a esperança de vida deverá aumentar 13 e 14 anos de 2095-2100 enquanto que na Europa, América do Norte e Oceânia esse crescimento rondará os 10-11 anos.

Apesar de a migração internacional ser uma pequena componente das alterações demográficas comparativamente com os nascimentos ou mortes. No entanto, em alguns países e áreas, o impacto da migração no tamanho da população é significante, incluindo os países que enviam ou recebem grandes números de migrantes económicos ou aqueles afectados por fluxos de refugiados.

No geral, entre 1950 e 2015, a Europa, América do Norte e Oceânia foram as áreas com maior saldo entre imigrantes e emigrantes, enquanto que África, Ásia, América Latina e Caraíbas foram as áreas onde o número de emigrantes superou o número de imigrantes. De 2000 a 2014, a migração anual líquida atingiu os 2,8 milhões de pessoas por ano. No futuro, a migração líquida deverá ser o maior contribuidor para o crescimento populacional nos países mais ricos. Entre 2015 e 2050, o número total de nascimentos nesses países deverá ultrapassar os 20 milhões, enquanto que o ganho líquido de migrantes deverá rondar os 91 milhões. Assim, a migração contribuirá em 82% para o crescimento da população nesse grupo de países.

Fluxos migratórios entre países de 2005 a 2010
(Fonte: https://qzprod.files.wordpress.com/2014/03/vid_global_migration_datasheet_web-gimp3_colorcorrected.jpeg?quality=80&strip=all)

Entre 2015 e 2050, os países com um saldo maior entre imigrantes e emigrantes (mais de 100.000 anualmente) deverão ser os Estados Unidos, Canada, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Federação Russa e Itália. Por outro lado, os países com cujo saldo é superior mas no sentido contrário serão a Índia, Bangladesh, China, Paquistão e México.

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Crescimento populacional e fertilidade

No que diz ao respeito, a maioria do aumento global entre o momento actual e 2050 deverá ocorrer tanto em países com alta fertilidade, principalmente em África e em países com muita população. No período entre 2015 e 2050, espera-se que metade do crescimento da população mundial se centre em 9 países: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos da América, Indonésia e Uganda.

As novas projecções mostram também que, por exemplo, dentro de sete anos, a população da Índia irá ultrapassar a população da China. Actualmente, a população da China é de aproximadamente 1,38 mil milhões enquanto que a população da Índia se situa nos 1,31 mil milhões. Por volta de 2022, ambos os países deverão chegar aos 1,4 mil milhões. A partir de 2022, a população indiana deverá continuar a crescer durante várias décadas atingindo os 1,5 mil milhões em 2030 e os 1,7 mil milhões em 2050, enquanto que a população chinesa deverá manter-se constante até à década de 30, depois da qual se espera que venha a decrescer.

Entre os maiores países do Mundo, um situa-se em África (Nigéria), cinco situam-se na Ásia (Bangladesh, China, Índia, Indonésia e Paquistão), dois situam-se na América Latina (Brazil e México), um na América do Norte (Estados Unidos da América) e um na Europa (Federação Russa). Dentro destes, a população da Nigéria, a sétima mais elevada no Mundo, está a crescer rapidamente. Em 2050, tornar-se-à o terceiro maior país em termos de população. Nesse período, seis dos dez maiores países do Mundo deverão ultrapassar os 300 milhões: China, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos da América.

Crescimento populacional na China e na Índia
(Fonte: http://weakonomics.com/wp-content/uploads/2012/06/china-and-india-population-growth.png)

Os níveis de população projectados são um resultado da diminuição substancial da fertilidade projectada. De acordo com a variante média, a fertilidade global deverá cair de 2,5 filhos por mulher entre 2010 e 2015 para 2,4 filhos entre 2025 e 2030 e 2,0 entre 2095 e 2100. Em países menos desenvolvidos estão previstas reduções abruptas da fertilidade de 4,3 entre 2010 e 2015 para 3,5 entre 2025-2030 e para 2,1 entre 2095 e 2100.

De modo a se atingirem reduções substanciais na fertilidade que são previstas, é essencial que os países invistam em saúde reprodutiva e planeamento familiar, particularmente em países menos desenvolvidos, para que mulheres e casais possam atingir a dimensão desejada do seu agregado familiar. Em 2015, acerca de 34% das mulheres, em idade reprodutiva casadas ou em união, usavam métodos contraceptivos em países menos desenvolvidos.

Fertilidade a nível mundial entre 1950 e 2100
(Fonte: https://ourworldindata.org/wp-content/uploads/2014/02/ourworldindata_world-population-by-level-of-fertility.png)

Nas últimas décadas muitos países têm assistido a significantes diminuições do tamanho familiar médio. Actualmente, os países podem ser classificados em 3 grupos em função do seu nível de fertilidade. Estima-se que 46% da população mundial vive em países com baixos níveis de fertilidade onde as mulheres têm menos de 2,1 filhos ao longo da sua vida. Este conjunto de países inclui toda a Europa e América do Norte, 20 países na Ásia, 17 na América Latina e Caraíbas, 3 na Oceânia e 1 em África. Os maiores países com baixa fertilidade são a China, Estados Unidos, Brasil, Federação Russa, Japão e Vietname.

46% da população mundial live em países com "fertilidade média" onde se assiste já a um declínio da fertilidade e onde as mulheres têm em média entre 2,1 e 5 filhos. Estes países encontram-se em muitas regiões, sendo os maiores países são a Índia, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, México e Filipinas.

Os remanescentes 9% da população mundial vive em países com "fertilidade elevada". Nestes países as mulheres têm 5 ou mais filhos durante o seu período de vida. Dos 21 países com fertilidade elevada, 19 estão em África e 2 na Ásia. Os maiores países são a Nigéria, República Democrática do Congo, Tanzânia, Uganda e Afeganistão.

Mapa da fertilidade mundial
(Fonte: http://www.targetmap.com/ThumbnailsReports/7704_THUMB_IPAD.jpg)
Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

População: África e Europa em pólos distintos

Mais de metade do crescimento da população mundial até ao ano de 2050 espera-se que ocorra em África. O continente africano tem a maior alta taxa de crescimento populacional de todo o globo, crescendo a uma taxa anual de 2,55% entre 2010 e 2015. Consequentemente, das 2,4 mil milhões de pessoas que serão adicionadas ao planeta entre 2015 e 2050, 1,3 mil milhões de pessoas  nascerão em África. Projecta-se que continente asiático será o segundo a contribuir para o futuro crescimento populacional, adicionando mais 0,9 mil milhões de pessoas entre 2015 e 2050, que será seguido da América do Norte, América Latina e Caraíbas e Oceânia. Segundo a projecção média, a população europeia deverá ser inferior em 2050 relativamente a 2015.

Taxa anual média de alteração da população por continentes entre 2000-2050
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

O rápido crescimento populacional em África ocorrerá mesmo que haja uma redução substancial dos níveis de fertilidade num futuro próximo. De acordo com a projecção média, a fertilidade irá diminuir de 4,7 filhos (2010-2015) para 3,1 (2045-2050), atingindo os 2,2 no período entre 2095 e 2100. Como resultado, a percentagem da global que pertence ao continente Africano irá crescer de 25% em 2050 para 39% em 2100, enquanto que a percentagem que reside em Ásia descerá de 54% em 2050 para 44% em 2100.


Taxas de fertilidade em África em 2013
(Fonte: http://www.humanosphere.org/wp-content/uploads/2014/03/20140308_mam905_595_0.png)

O crescimento populacional continua especialmente alto no grupo de 48 países designados pelas Nações Unidas como os países menos desenvolvidos, dos quais 27 são países africanos. Apesar de se prever uma diminuição da taxa de crescimento populacional deste grupo de países, a sua população espera-se que cresça de 954 milhões (em 2015) para 1,9 mil milhões (em 2050) e para 3,2 mil milhões (em 2100). Entre 2015 e 2100, a população de 33 países, a maioria países menos desenvolvidos, poderão, no mínimo, triplicar. Entre esses países, as populações de Angola, Burundi, República Democrática do Congo, Malawi, Mali, Niger, Somália, Uganda, Tanzânia e Zâmbia podem quintuplicar até 2100.

A concentração de crescimento populacional nos países mais pobres irá dificultar a tarefa dos seus governos de erradicar a pobreza e as desigualdades, combater a fome e mal-nutrição, expandir os sistemas de educação e de saúde, melhorar o fornecimento de serviços básicos e implementar outros elementos da agenda de desenvolvimento sustentável.

Em claro contraste, espera-se que as populações de 48 países ou áreas diminua entre 2015 e 2050. Em diversos países espera-se que a população possa diminuir em mais de 15%, onde se inclui a Bósnia Herzegovina, Bulgária, Croácia, Hungria, Japão, Letónia, Lituânia, Moldávia, Roménia, Sérvia e Ucrânia. A fertilidade em todos os países europeus está abaixo do nível de substituição a longo prazo (cerca 2,1 filhos por mulher, em média) e na maioria dos casos, esta situação já acontece há várias décadas. Projecta-se que a fertilidade na Europa possa aumentar de 1,6 filhos por mulher entre 2010-2015 para 1,8 entre 2045 e 2050, mas esse aumento não será suficiente para impedir a provável diminuição do tamanho da população total.

Taxas de fertilidade totais pela Europa em 2011
(Fonte: https://libraryeuroparl.files.wordpress.com/2013/05/fertility2.png)

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

terça-feira, 4 de abril de 2017

O retrato e o futuro da População Mundial

De acordo com a Revisão de 2015 elaborada pela Divisão da População do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a população mundial atingiu os 7,3 mil milhões em 2015, o que significa que foram adicionados aproximadamente mil milhões de anos nos últimos 12 anos.

60% da população global vive na Ásia (4,4 mil milhões), 16% na África (1,2 mil milhões), 10% na Europa (738 milhões), 9% na América Latina e nas Caraíbas (634 milhões) e os restantes 5% na América do Norte (358 milhões) e Oceânia (39 milhões).  A China (1,4 mil milhões) e a Índia (1,3 mil milhões) continuam como os países com mais população, representando 19% e 18% da população mundial, respectivamente.


População mundial por áreas nos anos 2015, 2030, 2050 e 2010, de acordo com a projecção média
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

Em 2015, 50,4% da população mundial é masculina e 49,6% é feminina. A mediana da idade da população global, que se traduz, na idade em que metade da população é mais velha e a outra metade é mais jovem, é de 29,6 anos. Cerca de um quarto (26%) da população tem menos de 15 anos, 62% situam-se na faixa etária 15-69 anos e 12 % têm mais de 60 anos.

Distribuição da População Mundial por idade e sexo em 2015
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

Actualmente, a população mundial continua a crescer mas a um ritmo mais baixo do que no passado. Há 10 anos atrás, a população mundial estava a crescer a 1,24% ao ano. Hoje, assistimos a um crescimento de 1,18% por ano, ou seja, aproximadamente 83 milhões de pessoas são adicionadas anualmente. Projecta-se que a população mundial cresça em mais de mil milhões de pessoas dentro dos próximos 15 anos, atingindo os 8,5 mil milhões em 2030, 9,7 mil milhões em 2050 e 11,2 mil milhões em 2100.

Estimativas da População Mundial entre 2015 e 2100
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

A projecção média pressupõe um declínio da fertilidade para os países onde as grandes famílias ainda prevalecem bem como um ligeiro aumento da fertilidade em vários países com menos do que dois filhos por mulher em média. Projecta-se também as possibilidades de sobrevivência aumentem em todos os países. Apesar de algum grau de incerteza, pode-se afirmar com 95% de grau de confiança que a população global estará entre os 8,4 e os 8,6 mil milhões em 2030 e entre os 9,5 mil e os 13,3 mil milhões em 2100. Espera-se que a população continue a crescer até ao final do século, mas existe cerca de 23% de hipótese que possa estabilizar ou mesmo entrar em declínio até 2100.

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

População e a transição demográfica

O crescimento da população é, indubitavelmente, uma das principais causas subjacentes à maioria dos problemas ambientais que hoje enfrentamos. 

A população mundial continua a aumentar em cerca de 80 milhões de pessoas por ano, com a maior parte do crescimento a decorrer nos países menos desenvolvidos. Até 2050, de acordo com as projecções médias das Nações Unidas, a população mundial irá aumentar até 9,6 mil milhões de pessoas e irá continuar a crescer depois de 2100.

Fonte: https://www.allianz.com/v_1428562729000/en/about_us/open-knowledge/img/too_many_people_z_52580.jpg

O conceito de transição demográfica é um dos conceitos chave é fundamental para ajudar a compreender as dinâmicas de crescimento das populações.

Durante os últimos 200 anos, os países tiveram padrões similares de mudança de altas taxas de mortalidade para baixas taxas de mortalidade, levando os demógrafos a desenvolver um modelo denominado de transição demográfica. Esta teoria diz que a maioria dos países caracterizavam-se por altas taxas de natalidade e mortalidade e baixo crescimento populacional, numa fase inicial (Fase 1). Durante o período de transição (Fase 2) - um decréscimo na mortalidade precede e é mais acelerado do que o decréscimo na fertilidade, que resulta num crescimento populacional devido à diferença entre nascimentos e mortes. Na Fase 3, as taxas de natalidade descem até que na Fase 4 as mesmas atingem o mesmo nível das taxas de mortalidade e o crescimento populacional desacelera.

Embora a maioria dos países seguiram este padrão de evolução demográfica, o timing da transição e o ritmo do declínio da mortalidade e da fertilidade tem variado bastante nos diversos países, resultando em taxas de crescimento populacional diferentes. Na Europa e na América do Norte, esta transição ocorreu durante vários séculos. As taxas de mortalidade e de natalidade decresceram face à melhoria das condições de vida e de saúde, aumento da idade no casamento, disponibilidade de planeamento familiar, diminuição do tamanho da família e ao aumento do nível de educação e de emprego das mulheres.

Em muitos países em desenvolvimento, a transição demográfica começou em meados do século 20 e as mudanças ocorreram num período de poucas décadas. Actualmente, muitos países em desenvolvimento na Ásia e América Latina apresentam baixas taxas de mortalidade e fertilidade e os seus crescimentos populacionais estão a abrandar. Paralelamente, os países menos desenvolvidos estão ainda na fase inicial ou intermediária da transição com as taxas de natalidade e mortalidade a diminuir, mas relativamente elevadas quando comparadas com o resto do Mundo.

Modelo da transição demográfica
(Fonte: http://www.prb.org/pdf14/guide-population-development.pdf)
Actualmente os demógrafos estão a discutir uma quinta fase que ocorre quando um baixo crescimento populacional de um país se transforma num decréscimo da população. Isto ocorre quando as taxas de natalidade caem para níveis em que as taxas de fertilidade estão abaixo do nível de reposição, o que significa que em termos médios uma mulher tem menos do que 2 filhos durante a sua vida.

Modelo da transição demográfica com 5 fases (Fonte: http://francedemographics.weebly.com/uploads/5/8/7/9/5879699/398332822.jpg?876)

Mapa da transição demográfica em função da fase em que os países se encontram
(Fonte: http://www.prb.org/pdf14/guide-population-development.pdf)

Será fundamental que os líderes entendam em que fase se encontram os seus países, como podem promover o progresso para a diminuição das taxas de natalidade e mortalidade e finalmente como planear para um crescimento desacelerado, um declínio da população e uma eventual estabilização.

Fonte:
A Practical Guide to Population and Development, Population Reference Bureau (http://www.prb.org/pdf14/guide-population-development.pdf)