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terça-feira, 5 de abril de 2016

Forças que aumentam a desigualdade

Durante as últimas duas décadas, a desigualdade no rendimento aumentou marcadamente nos Estados Unidos e em muitos outros países. O rendimento per capita têm vindo a aumentar, mas esses ganhos têm beneficiado aqueles que estão no topo da distribuição de rendimento. O coeficiente de Gini nos Estados Unidos aumentou de 0.40 para 0.48 entre 1970 e 2013 - um aumento bastante considerável.

Existem pelo menos três forças fundamentais a desempenhar um papel no aumento das desigualdades económicas nos Estados Unidos, em diversos países europeus e em muitas economias emergentes. O primeiro factor fundamental é a discrepância dos salários entre os trabalhadores mais capacitados e com maior especialização e os trabalhadores com menor qualificações. Os retornos do investimento na educação têm aumentado, deixando aqueles com menor educação para trás.

Um segundo fenómeno tem sido o uso crescente de robótica, sistemas avançados de gestão de dados e outras tecnologias de informação, que parecem estar a mudar o rendimento do trabalho para o capital. Ao mesmo tempo, que se aumentou drasticamente a produtividade e se diminui o custo de muitos bens e serviços, os trabalhadores começaram a ser substituídos por essa tecnologia.

Paralelamente, a globalização e a integrada económica que se começaram no final da década de 70, resultou na globalização dos sistemas de produção, que conduziu à deslocalização do trabalho para China, México e outros locais com mão-de-obra mais barata. O número de postos de trabalho nos Estados Unidos no sector da produção começaram a diminuir assim que se deslocaram para a Ásia e para a bacia das Caraíbas. Isto afectou os trabalhadores com menor qualificação através do corte de salários para salvar outros postos de trabalhos ou do desaparecimento dos mesmos.

A terceira força tem sido o sistema político, que no caso dos Estados Unidos têm amplificado as desigualdades causadas por forças de mercado. Por exemplo, os contribuidores das campanhas têm sido capazes de usar a sua influência política para receber privilégios especiais na forma de isenção de impostos, subsídios ou alterações de regulamentações favoráveis.

Podemos entender estas alterações é olhar para o gráfico que mostra a diferença entre o salário extra (premium in income) recebidos pelos licenciados relativamente àqueles apenas com o ensino secundário nos Estados Unidos. Em 1973, essa diferença era de 30% e a partir de 1979, o salário extra dos licenciados aumentou rapidamente para cerca de 45%.

Rendimentos médios semanais de trabalhadores com licenciatura e ensino secundário nos Estados Unidos entre 1979 e 1999 
(Fonte: http://www.economist.com/images/20000923/csu712.gif)

Outro aspecto que se pode considerar é a diferença entre os salários dos CEOs e os salários dos trabalhadores. Com a apoio da desregulação, especialmente no sector financeiro e o enfraquecimento do poder dos sindicatos (em parte como resultado da globalização), os CEOs americanos começaram a atribuir mega-salários a eles próprios. Nos anos 70, o salário do CEO era cerca de 20 vezes maior do que o trabalhador médio, mas depois passaram a receber cerca de centenas de vezes mais. Comparativamente, os Estados Unidos são um dos países com um dos rácios mais elevados - cerca de 350.

Rácio entre salários de CEOs e trabalhadores entre 1965 e 2012
(Fonte: http://www.bud-meyers.com/CEOS/CEO_PAY-figure-a.jpg)
Rácio do salários CEO vs. trabalhadores em 6 países
(Fonte: http://www.macleans.ca/wp-content/uploads/2014/09/WHO-EARNS-WHAT-Business-7.jpeg)

Esta crescente desigualdade reflecte-se na fatia do rendimento que é detida pelas famílias mais ricas. Entre os anos 40 e os anos 70, as famílias que pertenciam aos 1% mais ricos detinham cerca de um 10% do rendimento total das famílias. Hoje em dia, essa diferença quase que duplicou, ou seja, 20% do rendimento total, pertencem a 1% das famílias que fazem parte do topo.

Fatia do rendimento pertencente aos 1% e aos 0,1% mais ricos nos Estados Unidos entre 1913 e 2013
(Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e7/U.S._Income_Shares_of_Top_1%25_and_0.1%25_1913-2013.png)

Fonte:
The Age of Sustainable Development - Jeffrey D. Sachs

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Equação IPAT

Uma das primeiras tentativas para descrever o papel de múltiplos factores na determinação da degradação ambiental foi a equação IPAT. Paul Ehrlich e John Holdren apresentaram numa série de artigos entre 1970 e 1974 a seguinte equação:

Equação IPAT
(Fonte: http://pierie.nl/wp-content/uploads/2012/01/IPAT-equation.jpg)

I - Impacto: representa os impactos de uma determinada acção no ambiente
P - População: número de pessoas numa determinada área
A - Afluência: nível de consumo per capita
T - Tecnologia: impacto por unidade de tecnologia

Esta fórmula foi inicialmente usada para dar ênfase à contribuição do crescimento populacional à escala global para a degradação ambiental, numa altura em que a população mundial era metade do que é actualmente. 

Para além de destacar a importância da contribuição da população para os problemas ambientais, esta equação fez outras duas contribuições importantes. Chamou a atenção para o facto de os problemas ambientais envolverem mais do que a poluição e que são motivados por diversos factores em acção ao mesmo tempo que produzem um efeito combinado. Posterior investigação, que usou a equação, indica que a suposição de uma simples relação multiplicativa entre os principais factores não se verifica - a duplicação da população, por exemplo, não se traduz numa duplicação do impacto ambiental. As abordagens que permitem uma ponderação diferenciada para cada factor tem sido mais bem sucedida.

As tentativas de melhorar o poder de previsão da equação têm sido de forma a incorporar uma variação de factores sociais. políticos e tecnológicos. Alguns dos estudos acentuam a utilidade da equação para as políticas de desenvolvimento através da indicação da contribuição de diferentes factores e assim os recursos podem ser melhor direccionados para reduzir o impacto de forma mais efectiva. No entanto, tornar a fórmula mais complexa também torna mais difícil aplicá-la.

Até à data, as aplicações da equação IPAT têm-se limitado à avaliação de uma única medida de impacto ambiental, como a poluição atmosférica. Por exemplo, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas aplicou a IPAT para estudos dos níveis de dióxido de carbono.

A equação IPAT ajuda-nos a entender quais os factores que aumentam ou diminuem o impacto ambiental e mostra-nos como existem múltiplos caminhos para reduzir os efeitos indesejados. Por exemplo, países diferentes podem focar-se em factores diferentes que reduzem o impacto global: países mais ricos podem contribuir mais se diminuírem o seu nível de consumo (A); os países mais pobres contribuir mais se reduzirem a sua população (P) e os antigos países socialistas podem contribuir mais se tornarem as suas tecnologias mais eficientes.

Fontes: