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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Índice de Desenvolvimento Humano - Relatório de 2018

O Índice de Desenvolvimento Humano (Human Development Index - HDI) é índice composto por 3 dimensões básicas do desenvolvimento humano: a capacidade de ter uma vida longa e saudável (medida através da esperança média de vida ao nascimento), a capacidade de adquirir conhecimento (medida através da média do número de anos de escolaridade e do número de anos esperados de escolaridade)  e a capacidade de atingir um nível de vida decente (medida através do produto nacional bruto per capita).

Para medir o desenvolvimento humano de forma mais abrangente, o relatório apresenta mais 4 índices: o IHDI (Inequality-adjusted Human Development Index) que desconta a extensão da desigualdade, o GDI (Gender Development Index) que compara os valores de HDI para homens e mulheres, o GII (Gender Inequality Index) que destaca o empoderamento das mulheres e o MPI (Multidimensional Poverty Index) que mede as dimensões não associada ao rendimento.



HDI

O relatório de 2018 apresenta valores de HDI para 189 países e territórios com dados referente ao ano de 2017. Deste conjunto de países, 59 apresenta um HDI muito alto, 53 um HDI alto, 39 um HDI médio e apenas 38 um HDI baixo.

Os países no top 5 são a Noruega, Suiça, Austrália, Irlanda e Alemanha. No outro extremo estão o Burundi, Chad, Sudão do Sul, República Central Africana e Níger. As maiores subidas do ranking entre 2012 e 2017 foram a Irlanda (subiu 13 lugares) e Botswana, República Dominicana e Turquia, que subiram 8 lugares cada um. As maiores descidas pertencem à Síria (27), Líbia (26) e Iémen (20).

Índice de Desenvolvimento Humano em 2018

Apesar de o HDI ter aumentado em todas as regiões e grupos de desenvolvimento humano, as taxas de crescimento variam significativamente. A Ásia do Sul foi a região com maior crescimento no período entre 1990-2017 com 45,3%, seguida da Ásia de Leste e o Pacífico com 41,8% e a África Sub-Sariana com 34,9%. Por outro lado o conjunto dos países da OCDE registou um aumento de 14%.

Evolução do HDI para um conjunto de regiões entre 1990 e 2017.

IHDI

Desde 2010, o IHDI tem sido apresentado no intuito de incluir a distribuição do desenvolvimento human em cada país. Numa situação de perfeita igualdade, o HDI e o IHDI são iguais. Quando existe desigualdade na distribuição da saúde, educação e rendimento, o HDI numa sociedade é inferior ao HDI agregado. Quanto maior é a desigualdade, menor é o IHDI e maior a diferença entre este e o HDI.

Tendo em conta as desigualdades, o valor de HDI global de 2017 cai de 0.728 para 0.582, o que corresponde a queda de 20%, que representa a descida da categoria de desenvolvimento humano de "alto" para "médio". A nível global, a desigualdade de rendimento contribui mais para a desigualdade global, seguida da educação e esperança média de vida. Os países dentro do grupo de desenvolvimento humano muito alto perdem menos do que os grupos com HDI mais baixo.

Diferenças entre o HDI e o IHDI nos 4 grupos de desenvolvimento humano.


Desigualdade de género - GDI e GII

As desvantagens para mulheres e raparigas são uma grande fonte de desigualdade e um dos grandes obstáculos para o progresso do desenvolvimento humano. Para medir as disparidades entre homens e mulheres são utilizados dois índices.

O primeiro é o GDI que mede as conquistas das mulheres e dos homens nas dimensões básicas do desenvolvimento humano. A nível mundial, a média do HDI para as mulheres (0.705) é 5,9% inferior à dos homens (0.749). Grande parte desta diferença é explicada pelos menores rendimentos e menor escolaridade que as mulheres possuem. Por outro lado a disparidade de género é maior nos países com baixo desenvolvimento humano, onde o valor médio de HDI é 13,8 inferior das mulheres em relação aos homens.

Diferenças entre o HDI para homens e mulheres e o correspondente GDI para 6 regiões do mundo.

O outro índice, o GII, que mede as desigualdades que as mulheres enfrentam na saúde reprodutiva, na educação, na representação política e no mercado de trabalho. Quanto maior o valor de GII, maior a desigualdade de género - que ocorre em todos os países. O valor global de GII em 2017 foi 0.441. O valor das regiões varia entre os 0.270 para a Europa e Ásia Central e os 0.569 para a África sub-sariana.

GII para 6 regiões do mundo.

Fonte:

domingo, 24 de abril de 2016

Desigualdade de género

A desigualdade de género tem sido uma característica presente desde há muito na maioria das sociedades, um pouco por todo o mundo. Na maior parte da história, os homens eram os únicos a pertencer à classe trabalhadora paga, enquanto que as mulheres trabalhavam na agricultura e para o lar enquanto que tinham a cargo a educação dos filhos. A legislação e as normas sociais reforçaram esta divisão do trabalho, tornando impossível que a mulher tivesse os seus próprios negócios ou controlasse os seus rendimentos.

Felizmente, estas desigualdades de género estão a diminuir rapidamente em muitas partes do Mundo. As velhas práticas de discriminação contra as mulheres estão a mudar, as ideias estão a mudar, as exigências económicas estão a mudar e as possibilidades económicas para as mulheres estão a caminhar para a direcção certa.

O desenvolvimento sustentável pode ajudar nesse processo através da promoção de alterações legais e administrativas que apoiem as mulheres. Como resultado, as adolescentes permanecem na escola mais tempo e entram no mercado de trabalho com maiores competências. As taxas de fertilidade descem bruscamente, as famílias com menos filhos investem mais em educação, saúde e nutrição por criança e as mulheres entram na força de trabalho promovendo um aumento da parte da população em idade de trabalho.

Em 2010, o Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PDNU) introduziu o Índice de Desigualdade de Género (IDG). À semelhança do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDG combina diversos indicadores numa base ponderada para fornecer uma avaliação quantitativa da desigualdade de género em cada país.

Índice de desigualdade de género do PDNU em 2014
(Fonte: http://bit.ly/1r9YwVT)

O índice inclui 3 categorias. A primeira é a saúde reprodutiva que inclui a taxa de mortalidade materna e a taxa de fertilidade na adolescência. Esta última é um indicador de quão as adolescentes são forçadas a desistir da sua educação e a casar mais cedo e a ter filhos. A segunda categoria é a capacitação, medida através da percentagem de mulheres com assento no parlamento nacional e taxa de inscrição de mulheres no ensino superior. A terceira é a participação da mulheres no mercado de trabalho.

Como se pode observar no mapa, os países da África subsariana e Sul da Ásia apresentam altos índices de desigualdade. Estas são zonas onde a mulher tem pouca participação política e prestígio social.

Percentagem de mulheres com mais de 15 anos que participam no mercado de trabalho em 2014 
(Fonte: http://www.copts.com/english/wp-content/uploads/2014/02/women-labor-force-participation1.jpg)

De notar que os países do Norte de África e Médio Oriente têm baixas percentagem de mulheres com participação no mercado de trabalho. Em muitos destes países, as práticas culturais impedem as mulheres de trabalhar fora do lar.

Mesmo nos países mais ricos, onde a taxa da participação das mulheres no mercado trabalho aumentou marcadamente nos últimos trinta anos, ainda existem diferenças consideráveis entre os rendimento dos homens e mulheres.

Diferença de rendimento entre mulheres e homens nos países da OECD em 2015
(Fonte: https://pbs.twimg.com/media/CLYMb6tUcAE1Lu1.png)

Existe ainda um progresso na igualdade de género, mesmo nos países mais pobres. Nos últimos 40 anos, a nível da escolaridade primária, a diferença entre rapazes e raparigas quase que desapareceu e em algumas partes do globo, as taxas de inscrição das adolescentes do sexo feminino no ensino secundário e superior ultrapassaram as taxas respeitantes aos adolescentes do sexo masculino.
Inscrição no ensino primário de rapazes e raparigas entre 1970-2004 
(Fonte: http://bit.ly/1YOxTAe)

Na política, algumas sociedades introduziram sistemas de quotas que obriga a que uma certa proporção de de votos na representação proporcional dos partidos que seja ocupada por mulheres. O apoio financeiro do governo para licença de maternidade e cuidado infantil podem ajudar as mulheres no mercado de trabalho.

Finalmente, importa dar ênfase aos actos de violência doméstica, violação e outros actos violentos de que as mulheres são alvo. Em muitas sociedades, as mulheres ainda são vistas como propriedade dos seus cônjuges. Esta abordagem desumana é a negação fundamental dos direitos humanos.

Fonte:
The Age of Sustainable Development - Jeffrey D. Sachs