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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Biodiversidade e as Alterações Climáticas

As alterações climáticas têm impacto na biodiversidade através de uma complexa interacção entre as espécies e os seus habitats. Tanto a estrutura dos habitats e as suas funções ecológicas irão se alterar num novo regime climático. No entanto, o movimento das espécies para dentro e fora de uma comunidade irá também afectar também os elementos físicos de um ecossistema e outras espécies.



As alterações às condições e recursos locais irão, portanto, influenciar a capacidade de um espécie sobreviver. Se uma espécie não pode sobreviver num ecossistema, tem duas escolhas. Se tem  uma rápida capacidade de dispersão, pode mudar-se, no caso de existir um habitat alternativo acessível e apropriado. Ou pode gradualmente desaparecer em diferentes locais e pode, por fim, extinguir-se.

Directa ou indirectamente, as alterações climáticas podem produzir uma variedade de efeitos nas populações, tais como:

  • Alterações na distribuição devido à perda de habitat;
  • Alterações aos limites de dispersão através dos movimentos de contracção e expansão;
  • Alterações fenológicas através da alteração do timing de etapas da vida das espécies;
  • Alterações ecológicas através do desequilíbrio entre os momentos do ciclo de vida das espécies e as fontes de alimento, desaparecimento de ligações entre predador e presa, novas invasões e a expansão de espécies exóticas invasoras já estabelecidas. 
Sob um novo regime climático os indivíduos de algumas espécies podem colonizar regiões novas e mais apropriadas. No entanto, um conjunto de factores pode limitar a disponibilidade e acessibilidade de tais áreas, como são as alterações e fragmentação do uso de solo, alterações hidrológicas, nitrificação e o aumento do nível do mar.

Entre os ecossistemas mais vulneráveis estão os recifes de coral, mares polares, áreas húmidas costeiras, florestas de altitude e a tundra árctica e alpina.

Mapa de vulnerabilidade sob alterações climáticas. 
(Fonte: https://news.mongabay.com/2013/09/which-ecosystems-are-most-vulnerable-to-climate-change/)

As alterações na composição das espécies, na estrutura dos habitats e no funcionamento dos ecossistemas serão notadas e em combinação, podem afectar a resiliência dos ecossistemas e dos serviços que prestam à humanidade.

Fonte:

domingo, 16 de outubro de 2016

O que é a diversidade de espécies e porque é importante?

Uma característica importante de uma comunidade e do ecossistema a que pertence é a diversidade de espécies ou o número e a variedade de espécies que contém. Uma componente importante é a diversidade de espécies é a riqueza das espécies - o número de diferentes espécies presentes. Por exemplo, uma comunidade biologicamente diversa como um recife de coral tem uma grande riqueza de espécies, enquanto que uma floresta de choupos pode ter apenas 10 espécies de plantas, uma baixa riqueza de espécies.

Fonte: http://www.npgrc.tari.gov.tw/npgrc-web/page-picture/diversity/medicinal.jpg

Para uma qualquer comunidade, outra componente da diversidade de espécies é a equitatividade ou homogeneidade de espécies, ou seja, os números comparativos de indivíduos de cada espécie presentes. Quanto mais homogéneos forem os números de indivíduos de cada espécie, mais elevado será esta componente. Por exemplo, uma floresta de choupos tem um grande número de árvores dessa espécie e um número relativamente baixo de indivíduos de outras espécies, e portanto a homogeneidade de espécies será baixa. A maior parte das florestas tropicais têm uma homogeneidade de espécies elevada, porque nela existem números similares de indivíduos de cada uma das muitas espécies.

Ambas as comunidades têm a mesma riqueza de espécies mas a comunidade 1 é mais homogénea do que a comunidade 2. (Fonte: http://www.bio.miami.edu/dana/pix/species_diversity.jpg)

A diversidade de espécies das comunidades varia com a sua localização geográfica. Para a maioria das plantas e animais terrestres, a diversidade de espécies (principalmente a riqueza de espécies) é maior nos trópicos e diminui à medida que nos movemos do equador para os pólos. Os ecossistemas mais ricos em espécies são as florestas tropicais, os grandes lagos tropicais, os recifes de coral e as zonas profundas do oceano.

Para responder à questão de quais efeitos que a riqueza de espécies tem num ecossistema, os ecólogos têm conduzido estudos para responder a duas questões que estão relacionadas: Primeiro, a produtividade das plantas é superior em ecossistemas ricos em espécies? Segundo, a riqueza de espécies favorece a estabilidade ou a sustentabilidade de um ecossistema? Os resultados dos estudos sugerem que a resposta para ambas as respostas é afirmativa, contudo é necessário que haja mais investigação nesta área.

De acordo com a primeira hipótese, quanto mais diverso é o ecossistema, mais produtivo ele é, ou seja, com uma maior variedade de espécies produtoras, um ecossistema irá produzir mais biomassa de plantas, que por sua vez, irá sustentar uma maior variedade de espécies consumidoras. Uma hipótese relacionada afirma que maiores riqueza de espécies e produtividades tornam o ecossistema mais estável ou sustentável. Por outras palavras, quanto maior for a riqueza de espécies e a rede de interacções bióticas num ecossistema, maior é a sua sustentabilidade ou a sua capacidade de resistir a desastres ambientais como secas e pragas de insectos. De acordo com o biólogo Edward O. Wilson, "Existe um elemento de senso comum nesta matéria, quanto mais espécies tiveres, mais próximo estás de ter um seguro para todo o ecossistema".

Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Biodiversidade

A biodiversidade ou diversidade biológica refere-se à variedade dos organismos no Terra e às relações complexas entre os seres vivos e entre estes e o ambiente.

Fonte (http://i.huffpost.com/gen/1307865/images/o-CORAL-REEF-facebook.jpg)

O conceito aparece mencionado pela primeira vez em 1980, introduzido pelos naturalistas que se inquietavam com a destruição rápida do meio natural e das espécies e com a necessidade de levar a sociedade a tomar medidas urgentes no sentido de proteger o património natural. Mas, só em 1992 é que foi consagrado na Conferência de Rio.

Nós não sabemos quantas espécies existem na Terra. As estimativas apontam que existam entre 8 e 100 milhões de espécies, mas as melhores estimativas sugerem que existam entre 10 a 14 milhões de espécies. Até agora, os biólogos identificaram cerca de 1.9 milhões de espécies. Cerca de 50% das espécies de animais e plantas vivem nas florestas tropicais e os insectos representam a maioria das espécies conhecidas.

Os cientistas criaram a Enciclopédia da Vida (http://eol.org/), um sítio online dedicado a sumarizar toda a informação básica sobre as espécies existentes, que está a ser constantemente actualizado.

A diversidade de espécies é apenas uma parte da biodiversidade. Para catalogarmos a vida na Terra, podemos de conhecer a diversidade genética que existe dentro de uma espécie, a diversidade de habitats e ecossistemas e a diversidade funcional.

A diversidade genética é a variação nos genes que existem dentro de uma espécie e entre diferentes espécies. A diversidade ecológica é a diversidade de ecossistemas, comunidades naturais e habitats. A diversidade funcional diz respeito à variedade de processos biológicos, funções ou características de um ecossistema e portanto reflecte a sua complexidade biológica. 

A diversidade na Terra é uma parte vital do capital natural que nos ajuda a manter-nos vivos e suporta as nossas economias. Com a ajuda da tecnologia, nós usamos a biodiversidade para nos fornecer alimento, madeira, fibras, energia e medicamentos. A biodiversidade também desempenha um papel fundamental na preservação da qualidade do ar e água, na manutenção da fertilidade do solo, na decomposição e reciclagem de resíduos e no controlo de populações de espécies consideradas pestes para os humanos.

Ao prestar estes serviços ecológicos, que fazem parte do capital natural da Terra, a biodiversidade ajuda a suster a vida no planeta.

Fontes: