terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Desigualdade de rendimento: Coeficiente de Gini

Para avaliar a desigualdade de entre países, nomeadamente de rendimento, podemos olhar para a distribuição do mesmo. Para além do cálculo do PIB per capita, podemos usar diversos indicadores para medir a desigualdade de rendimento. Por exemplo, pode-se olhar para o rácio dos rendimentos mais elevados sobre os rendimentos mais baixos, comparando-se por exemplo a média dos 20% mais ricos com a média dos 20% mais pobres. Outra medida amplamente usada é o coeficiente de GINI.

O coeficiente de GINI varia entre 0.0 e 1.0, sendo que 0.0 significa total igualdade de rendimento (todos têm o mesmo rendimento) e 1.0 significa desigualdade total (todo o rendimento pertence a uma pessoa, os restantes não têm rendimentos). Na realidade, as sociedades possuem um valor intermédio para este coeficiente.

Sociedades com bastante igualdade de rendimento e uma classe média alargada, possuem um coeficiente de GINI à volta de 0.25. Países que, em comparação, são mais desiguais, com concentração de riqueza e pobreza nos extremos da sociedade, o seu coeficiente tem um valor igual ou superior a 0.4.  

Coeficiente de Gini com base em dados de 1989 a 2012
(Fonte: CIA World Factbook)

Encontrámos os níveis de desigualdade mais baixos na Europa ocidental e especialmente na Escandinávia (Suécia, Noruega e Dinamarca), com um coeficiente de GINI à volta dos 0.25. Em comparação, os Estados Unidos são bastante desiguais na distribuição de rendimento, com um GINI de 0.45. Os países africanos, que têm dados disponíveis, são igualmente bastante desiguais. No caso da China, o país era bastante igual na sua pobreza há 50 anos atrás, mas com o recente desenvolvimento económico e uma divisão clara entre as áreas urbanas mais ricas e as áreas rurais mais pobres, as desigualdades na China aumentaram para níveis similares aos dos Estados Unidos.

Evolução da desigualdade de rendimento na China entre 1981-2012
(Fonte: 
http://www.china-mike.com/wp-content/uploads/2011/03/china_inequality-gini-rural-urban.jpg)

Olhando para o coeficiente de Gini dos países mais ricos, vemos que existem diferentes caminhos para o desenvolvimento económico. O enriquecimento de um país não significa torná-lo mais desigual nem garante que se torne mais igual no que ao rendimento diz respeito. Veja-se o contraste entre o Norte da Europa e os Estados Unidos.

Coeficiente de Gini na OCDE 2012/2013
(Fonte: http://www.dw.com/image/0,,18465081_401,00.gif)



Existem vários factores que explicam estas diferenças. A História, a geografia e o governo de cada país tem um papel decisivo na sua menor ou maior igualdade. Num mundo, onde a indústria e os serviços são muito mais importantes, as diferenças nos níveis de educação podem uma fonte significante de desigualdade, caso os jovens não tenham as mesmas oportunidades de ensino. Outro aspecto importante é a divisão entre mundo urbano e mundo rural, onde as perspectivas de emprego e de obtenção de rendimento são bastante contrastantes. A discriminação das mulheres e minorias raciais, étnicas e religiosas no mercado de trabalho também contribuem para o acentuar das desigualdades. 

As políticas governamentais podem fazer uma grande diferença na promoção da igualdade ou no favorecimento da desigualdade. Governos corruptos que usam as suas receitas para uma pequena classe com ligações ao governo podem criam bastante desigualdades. Frequentemente, países que dependem muito da extracção de petróleo, ouro ou diamantes, apresentam bastante desigualdades, dado que as receitas que derivam destas actividades apenas favorecem um pequeno número de pessoas. Este é o resultado da chamada "maldição do recurso natural", que traduz um paradoxo de um país com abundantes recursos acabar pobre e sub-desenvolvido com muita corrupção e desigualdade. 
Por outro lado, os governos podem promover a igualdade através do investimento na educação e cuidados de saúde, enquanto aumentam a eficiência económica no geral.

A prática do desenvolvimento sustentável significa compreender a natureza e as fontes da desigualdades e estabelecer um objectivo de um maior grau de inclusão social dentro do desenvolvimento económico. O desafio está em assegurar as mesmas oportunidades de prosperidade para todos.


Fonte:
The Age of Sustainable Development (Jeffrey D. Sachs)

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