Espaço de divulgação de informação relacionada com a sustentabilidade do Planeta Terra.
Aqui são tratados temas como a sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, biodiversidade, ecossistemas, poluição, economia, ciência, inclusão social, energia, população, entre outros.
Os ecossistemas de água doce fornecem habitat para cerca de 126.000 espécies de peixes, moluscos, répteis, insectos, plantas e mamíferos, isto apesar de cobrir menos de 1% da superfície terrestre.
Estes ecossistemas são também os mais ameaçados, sendo afectados pela modificação, fragmentação e destruição de habitat, espécies invasoras, sobrepesca, poluição, práticas florestais, doenças e alterações climáticas.
O conjunto das populações estudadas pelo índice (3.358), que representam 880 espécies de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes, mostra um declínio de 83% desde o ano de 1970, o que se traduz num decréscimo de 4% por ano. Os declínios mais acentuados registam-se nas regiões tropicais da América Central e do Sul, de África e do Sudeste Asiático.
Índice Living Planet para os ecossistemas de água doce desde 1970 até 2014.
Publicado há duas décadas, o Índice Living Planet global tem revelado o estado da biodiversidade no planeta, através da divulgação da taxa média de alteração de um conjunto de populações de diversas espécies.
A informação relativa às ameaças apenas está disponível para apenas cerca de um quarto de todos os registos da espécies neste índice. Estas ameaças estão agrupadas em 5 grandes categorias: perda e degradação de habitat, sobreexploração, espécies invasoras e doenças, poluição e alterações climáticas.
Frequência relativa das principais ameaças por grupo taxonómico.
A ameaça mais referida a nível global é a degradação e perda de habitat, que representa cerca de metade de todas as ameaças dentro de cada grupo taxonómico excepto os peixes. A segunda ameaça mais referida é a sobreexploração, que afecta maioritamente as populações de peixes. Juntas a degradação e a perda de habitat e a sobreexploração contabilizam pelos dois terlos de todas as ameaças registadas para as populações em cada grupo taxonómico.
As espécies invasoras e as doenças são mais frequentes para os répteis e anfíbios e mamíferos. A poluição afecta principalmente as aves e os anfíbios e répteis.
A influência das alterações climáticas nas populações selvagens ainda é relativamente moderada, afectando nomeadamente as populações de aves e peixes. No entanto, estas terão um papel relevante no que será o futuro da biodiversidade.
O índice global, calculado a partir da informação disponível para todas as espécies e regiões, mostra um declínio de 60% no tamanho das populações de vertebrados entre 1970 e 2014, ou seja, uma quebra acima do 50% em menos de 50 anos.
Índice Living Planet global entre 1970 e 2014.
A nível regional, apesar do declínio ser transversal a todas as regiões do globo, os trópicos são os que mais têm sofrido, particularmente as Américas Central e do Sul e as Caraíbas.
Índice Living Planet para a região Neotropical.
No que respeita ao Índice Living Planet para os ecossistemas de água doce, este mostra um declínio de 83% face a 1970, o que signfica uma perda de 4% ao ano. As populações mais vulneráveis são as de répteis e anfíbios e de peixes.
Índice Living Planet para os ecossistemas de água doce entre 1970 e 2014.
Antes do crescimento exponencial da população no século XX, o consumo da humanidade era muito menor do que a capacidade regenerativa do Planeta. No entanto, desde os meados da década de 70 que as necessidades da humanidade têm excedido aquilo que a Terra pode renovar.
Utilizando os conceitos de Pegada Ecológica e de Biocapacidade em hectares globais (gha) podemos avaliar de que forma a humanidade tem usado os recursos do planeta e como essa relação se tem alterado com o tempo.
Nos últimos 50 anos a biocapacidade aumentou cerca de 27% graças a alterações na tecnologia e nas práticas do uso do solo. O que não foi suficiente para contrabalançar o aumento de 190% da pegada ecológica durante o mesmo período.
Pegada ecológica mundial relacionada com o consumo por tipo de área entre 1961 e 2014 (em hectares globais).
A pegada ecológica calcula a quantidade de área biologicamente produtiva necessária para satisfazer as diferentes necessidades em termos de alimento, fibra, madeira, construção de estradas e edifícios e o sequestro de dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis.
Tipos de pegada ecológica de acordo com o tipo de necessidade.
Segundo os últimos dados disponíveis referentes a 2014, os países com maior pegada ecológica (acima dos 7 gha) são o Canadá, os Estados Unidos, a Dinamarca, o Luxemburgo, o Kuwait, o Bahrain, os Emirados Árabes Unidos e a Mongólia.
Mapa mundial da Pegada Ecológica relacionada com o consumo, 2014.
A Grande Aceleração é um evento único na história de 4.5 biliões de anos do nosso planeta. Este período da história que começa no início da Revolução Industrial, por volta de 1750, e continua nos dias de hoje. Pela primeira vez, as actividades humanas e o sistema económico global em particular, são o principal factor de alteração do sistema Terra ou seja a soma de todos os processos físicos, químicos, biológicos e humanos que interagem entre si.
Desde então, a população mundial cresceu 7 vezes, ultrapassando os 7.6 mil milhões e a economia mundial cresceu mais de 30 vezes. Mas foi nos últimos 50 anos que o desenvolvimento económico tem provocado uma procura crescente de energia, solo e água o que altera de forma fundamental o sistema de funcionamento da Terra.
O desenvolvimento económico e o crescimento das classes médias tem trazido vários benefícios nomeamente na melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas. No entanto, as melhorias exponenciais nos campos da saúde, conhecimento e qualidade de vida vêm acompanhadas de um custo enorme para a estabilidade dos sistemas naturais que nos sustentam. O nosso impacto atingiu uma tal escala que interfere com a atmosfera, a criosfera, os oceanos, as florestas, o solo e a biodiversidade do nosso planeta.
Para ilustrar essa aceleração foram apresentados, em 2004, 24 indicadores na síntese Global Change and the Earth System pelo IGBP (International Geosphere-Biosphere Programme) e que foram em 2015 revistos e actualizados na publicação Anthropocene Review.
12 tendências sócio-económicas.
Esses indicadores foram divididos em 12 indicadores relativos a tendências sócio-económicas e 12 relativos às tendências do sistema Terra. Os primeiros 12 reflectem as tendências da população, produto interno bruto, investimento directo estrangeiro, população urbano, uso primário de energia, consumo de fertilizantes, grandes barragens, uso da água, a produção de papel, transporte, telecomunicações e turismo internacional. Os segundos 12 reflectem as tendências relativamente ao dióxido de carbono, óxido nitroso, metano, ozono estratosférico, temperatura à superfície, acidificação dos oceanos, captura de peixes marinhos, aquacultura, fluxo de azoto que chega à costa, perda de floresta tropical, transformação do solo e degradação da biosfera terrestre.
12 tendências do Sistema Terra.
As tendências da Grande Aceleração suportam a sugestão de que a Terra entrou numa nova era geológica - o Antropoceno - cujo termo foi autoria de Paul Crutzen e Eugene Stoermer em 2000. Até agora, o termo ainda não foi formalizado e também questiona-se quanto data do seu início.
No passado mês de Outubro, o WWF e a Zoological Society of London publicaram a mais recente versão do relatório Living Planet, um dos mais importantes documentos a nível mundial sobre a saúde do nosso planeta e o impacto da actividade humana.
No primeiro capítulo, é destacado o papel da biodiversidade para a nossa saúde, bem-estar e segurança alimentar. Estima-se que, globalmente, a natureza fornece serviços que quando avaliados somariam cerca de 125 trilliões de dólares. Também se refere a dúvida por parte dos investigadores se é possível continuar o desenvolvimento humano na ausência de sistemas naturais saudáveis.
No segundo capítulo, onde se explora as ameaças e pressões, são referidas que a sobreexploração e a actividade agrícola, em resultado do consumismo descontrolado, são ainda as principais causas da extinção de espécies. A degradação da solo afecta 75% dos ecossistemas terrestres, reduzindo o bem-estar de mais de 3 mil milhões de pessoas, com grandes custos económicos. As abelhas, outros polinizadores e os nossos solos, que são críticos para a segurança alimentar global, estão sob ameaça crescente. A sobrepesca e a poluição por plásticos estão a ameçar os nossos oceanos, enquanto que a poluição, a fragmentação e destruição de habitats têm levado ao declínio da biodiversidade em ecossistemas de água doce.
Um dos dados mais importantes deste relatório é o que resulta do Índice Living Planet que revela um declínio global de 60% nas populações das espécies entre 1970 e 2014. O mesmo índice mostra que este declínio é mais acentuado nos trópicos, sendo que a América Central e do Sul registam 89% de perda de biodiversidade tendo o ano de 1970 como comparativo.
No último capítulo, conclui-se que, apesar de múltiplos acordos internacionais e da investigação extensiva, a biodiversidade continua em declínio. Portanto mais ambição será necessária para não apenas parar o declínio mas reverter esta tendência. Para isso a visão da Convenção para a Diversidade Biológica (CBD) para o ano de 2050 será fundamental.
A Agência Internacional para Energia concluiu que as emissões globais de dióxido de carbono resultado da produção de energia não cresceram em 2014. Foi a primeira vez em 40 anos que as emissões de dióxido de carbono relacionada com a energia estagnaram ou reduzidas enquanto que a economia crescia.
Esta descida deveu-se à diminuição do uso do carvão para gerar electricidade. Desde 2010, a cada 10 dias, uma central de carvão encerrada ou é agendada para encerramento. Paralelamente, a produção de energia a partir de fontes renováveis aumentou. Na China, o consumo de carvão desceu pela primeira vez em 2014, sendo que as emissões baixaram em 1%, enquanto que a economia cresceu em 7,4%.
No entanto, os resultados de 2014 não mostram uma tendência. No conjunto, as emissões dos gases com efeito de estufa de todas as fontes está ainda a aumentar. Deste modo, muitos cientistas e outros analistas ligados ao clima acreditam que as alterações climáticas são um dos mais urgentes problemas que a humanidade enfrenta a nível científico, político, económico e ético. Porém, um conjunto de características tornam este problema complexo difícil de resolver:
O problema é global. Lidar com esta ameaça requere cooperação internacional sem precedentes e prolongada.
O problema é uma questão política de longo prazo. As alterações climáticas estão a acontecer no momento e estão a ter impactos imediatos, mas não é vista como um problema urgente pela maioria dos governantes e leitores. Para além disso, a maioria da população que irá sofrer os maiores danos das alterações climáticas que se projectam durante a segunda metade do século ainda não nasceu.
Os impactos benéficos e prejudiciais das alterações climáticas não abrangem os países da mesma forma. Países situados em regiões de latitude elevada como o Canadá, Rússia e a Nova Zelândia pode beneficiar ao ver a produtividade agrícola subir e ao registar menos mortes no Inverno e uma redução na factura energética. Contudo, outros países na sua maioria pobres, estão mais vulneráveis aos impactos da subida do nível médio das águas do mar.
As soluções propostas, como reduzir significativamente ou abdicar do uso dos combustíveis fósseis, são controversas. Elas podem introduzir perturbações na economia e ameaçar os lucros das empresas da indústria dos combustíveis fósseis.
Os efeitos previstos têm uma incerteza associada. Os modelos climáticos actuais dão intervalos significativos de aumento de temperatura e aumento do nível médio das águas do mar. Portanto não sabemos se as consequências serão moderadas ou catastróficas, o que torna díficil a tarefa de planear para evitar ou reduzir o risco. Este facto demonstra a necessidade urgente de mais investigação científica para reduzir a incertezas nos modelos climáticos.
Fonte: Miller & Spoolman, Living in the Environment (19e)
O Índice de Desenvolvimento Humano (Human Development Index - HDI) é índice composto por 3 dimensões básicas do desenvolvimento humano: a capacidade de ter uma vida longa e saudável (medida através da esperança média de vida ao nascimento), a capacidade de adquirir conhecimento (medida através da média do número de anos de escolaridade e do número de anos esperados de escolaridade) e a capacidade de atingir um nível de vida decente (medida através do produto nacional bruto per capita).
Para medir o desenvolvimento humano de forma mais abrangente, o relatório apresenta mais 4 índices: o IHDI (Inequality-adjusted Human Development Index) que desconta a extensão da desigualdade, o GDI (Gender Development Index) que compara os valores de HDI para homens e mulheres, o GII (Gender Inequality Index) que destaca o empoderamento das mulheres e o MPI (Multidimensional Poverty Index) que mede as dimensões não associada ao rendimento.
HDI
O relatório de 2018 apresenta valores de HDI para 189 países e territórios com dados referente ao ano de 2017. Deste conjunto de países, 59 apresenta um HDI muito alto, 53 um HDI alto, 39 um HDI médio e apenas 38 um HDI baixo.
Os países no top 5 são a Noruega, Suiça, Austrália, Irlanda e Alemanha. No outro extremo estão o Burundi, Chad, Sudão do Sul, República Central Africana e Níger. As maiores subidas do ranking entre 2012 e 2017 foram a Irlanda (subiu 13 lugares) e Botswana, República Dominicana e Turquia, que subiram 8 lugares cada um. As maiores descidas pertencem à Síria (27), Líbia (26) e Iémen (20).
Índice de Desenvolvimento Humano em 2018
Apesar de o HDI ter aumentado em todas as regiões e grupos de desenvolvimento humano, as taxas de crescimento variam significativamente. A Ásia do Sul foi a região com maior crescimento no período entre 1990-2017 com 45,3%, seguida da Ásia de Leste e o Pacífico com 41,8% e a África Sub-Sariana com 34,9%. Por outro lado o conjunto dos países da OCDE registou um aumento de 14%.
Evolução do HDI para um conjunto de regiões entre 1990 e 2017.
IHDI
Desde 2010, o IHDI tem sido apresentado no intuito de incluir a distribuição do desenvolvimento human em cada país. Numa situação de perfeita igualdade, o HDI e o IHDI são iguais. Quando existe desigualdade na distribuição da saúde, educação e rendimento, o HDI numa sociedade é inferior ao HDI agregado. Quanto maior é a desigualdade, menor é o IHDI e maior a diferença entre este e o HDI.
Tendo em conta as desigualdades, o valor de HDI global de 2017 cai de 0.728 para 0.582, o que corresponde a queda de 20%, que representa a descida da categoria de desenvolvimento humano de "alto" para "médio". A nível global, a desigualdade de rendimento contribui mais para a desigualdade global, seguida da educação e esperança média de vida. Os países dentro do grupo de desenvolvimento humano muito alto perdem menos do que os grupos com HDI mais baixo.
Diferenças entre o HDI e o IHDI nos 4 grupos de desenvolvimento humano.
Desigualdade de género - GDI e GII
As desvantagens para mulheres e raparigas são uma grande fonte de desigualdade e um dos grandes obstáculos para o progresso do desenvolvimento humano. Para medir as disparidades entre homens e mulheres são utilizados dois índices.
O primeiro é o GDI que mede as conquistas das mulheres e dos homens nas dimensões básicas do desenvolvimento humano. A nível mundial, a média do HDI para as mulheres (0.705) é 5,9% inferior à dos homens (0.749). Grande parte desta diferença é explicada pelos menores rendimentos e menor escolaridade que as mulheres possuem. Por outro lado a disparidade de género é maior nos países com baixo desenvolvimento humano, onde o valor médio de HDI é 13,8 inferior das mulheres em relação aos homens.
Diferenças entre o HDI para homens e mulheres e o correspondente GDI para 6 regiões do mundo.
O outro índice, o GII, que mede as desigualdades que as mulheres enfrentam na saúde reprodutiva, na educação, na representação política e no mercado de trabalho. Quanto maior o valor de GII, maior a desigualdade de género - que ocorre em todos os países. O valor global de GII em 2017 foi 0.441. O valor das regiões varia entre os 0.270 para a Europa e Ásia Central e os 0.569 para a África sub-sariana.