terça-feira, 20 de junho de 2017

Que factores influenciam o tamanho da população humana (Parte 1)

A população humana cresce ou diminui em determinados países, cidades e outras áreas através da combinação de três factores: nascimentos (fertilidade), mortes (mortalidade) e migração. Podemos calcular a variação da população de uma área subtraindo o número de pessoas a deixar a população (através das mortes e emigração) ao número de pessoas a entrar (através dos nascimentos e imigração) durante um período específico de tempo, normalmente um período de 1 ano.

Variação da população = (Nascimentos + Imigração) - (Mortes + Emigração)

Quando os nascimentos mais a imigração excedem as mortes e a emigração, a população cresce e quando o reverso acontece, a população diminui.

Outra medida usada em estudos de população é a taxa de fertilidade, o número de filhos nascidos durante a vida de uma mulher. Dois tipos de taxas de fertilidade que afectam o tamanho e taxa de crescimento da população de um país. O primeiro tipo, chamado de taxa de fertilidade ao nível de reposição, é o número médio de filhos que os casais necessitam de ter para substituir-los. Esta taxa é ligeiramente superior a 2 filhos por casal (2.1 em países desenvolvidos e pode chegar aos 2.5 em países menos desenvolvidos), maioritariamente porque algumas crianças morrem antes de chegar a idade reprodutiva.

O segundo tipo de taxa de fertilidade, a taxa de fertilidade total (TFT), é o número médio de filhos nascidos durante a vida reprodutiva de uma mulher. Este factor desempenha um papel chave na determinação do tamanho da população. Entre 1955 e 2010, a TFT média caiu de 2.8 para 1.7 filhos por mulher nos países desenvolvidos e de 6.2 para 2.7 nos países menos desenvolvidos. Prevê-se que a TFT média continue a descer nos países menos desenvolvidos, enquanto que nos países mais desenvolvidos deverá subir ligeiramente.

Evolução das taxa de fertilidade total por região entre 1950 e 2050
(Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b2/Trends_in_TFR_1950-2050.png)

Taxas de natalidade e fertilidade

Muitos factores afectam a taxa de natalidade e TFT média de um país. Um deles é a importância dos filhos como parte da força de trabalho, em especial nos países menos desenvolvidos. Esta é a principal razão porque faz sentido para muitos casais pobres desses países terem um grande número de filhos.

Outro factor económico é o custo de criar e educar as crianças. Os nascimentos e as taxas de fertilidade tendem a ser mais baixas nos países mais desenvolvidos, onde essa tarefa é muito mais custosa. Por contraste, muitas crianças em países pobres têm poucas oportunidade de educação e em vez disso têm de trabalhar para ajudar as suas famílias a sobreviver.

A existência, ou a falta de sistemas de pensões privados ou públicos pode influenciar a decisão de alguns casais de quantos filhos irão ter, especialmente os casais mais pobres em países menos desenvolvidos. As pensões reduzem a necessidade dos casais de terem mais filhos para os apoiar em idade avançada.

De modo a compensar a morte infantil que é mais elevada em países mais pobres, os casais optam ter um determinado número de filhos que permita a sobrevivência do número de filhos que julgam ser necessário.

A urbanização também desempenha um papel importante dado que as pessoas em áreas urbanas têm acesso a serviços de planeamento familiar e tendem a ter menos filhos do que aqueles que vivem em ambiente rural.

Outro factor importante são as oportunidades de educação e emprego disponíveis para as mulheres. As TFTs tendem a ser baixas quando as mulheres têm acesso a educação e emprego pago fora de casa. Em países menos desenvolvidos, uma mulher com pouco ou nenhum grau de escolaridade tipicamente têm mais dois filhos do que uma mulher com educação secundária. Em quase todas as sociedades, as mulheres com mais escolaridade tendem a casar mais tarde e ter menos filhos.

As taxas de natalidade e as TFTs também são afectadas pelo acesso a abortos legais. Estimam-se que em cada ano 190 milhões de mulheres engravidam e que pelo menos 40 milhões fazem abortos, sendo que 50% deles são ilegais. Por outro lado, o acesso a métodos eficazes de contracepção também permite às mulheres controlar o número e o espaçamento com que têm filhos.

Por último, as crenças religiosas, as tradições e as normas culturais podem, em alguns países, favorecer famílias numerosas e opôr-se fortemente ao aborto e ao uso de contracepção.

Fonte:
Living in the environment  - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Índice Global da Paz 2017

O Instituto para a Economia e Paz publicou recentemente a 11ª edição do Índice Global da Paz (IGP), que ordena num ranking 163 estados independentes e territórios de acordo com o seu nível de paz.

Uma das principais conclusões deste relatório foi a melhoria do IGP relativamente ao ano anterior, em que 93 países apresentaram uma subida do índice, enquanto que 68 países assistiram a uma descida. Esta melhoria deveu-se principalmente ao aumento de indicadores ligados com a segurança e militarização, que conduziram à redução da taxa de homicídio e dos níveis de terror político. A redução do terror político foi o desenvolvimento mais importante que aconteceu em todas as regiões excepto na África sub-sariana, Médio Oriente e Norte de África.

Os 10 países mais pacíficos
(Fonte: http://visionofhumanity.org/app/uploads/2017/06/GPI-2017-Report-1.pdf)
Por outro lado, os actuais conflitos domésticos e internacionais deterioraram-se durante o ano de 2015. Devido ao conflito armado na região do Médio Oriente e Norte de África, muitos indicadores como as mortes por conflito interno, número de refugiados e deslocados internos e o conflito interno organizado estão em níveis elevados. Esta região continua a ter o clima menos pacífico do Mundo, que sofreu um agravamento ligeiro devido aos conflitos na Síria e Iémen que têm envolvido numerosos países. Paralelamente, a maior redução do IGP ocorreu na América do Norte (seguida da África subsariana, Médio Oriente e Norte de África) em face da intensificação do conflito interno organizado e do nível de percepção da criminalidade na sociedade. Enquanto que a maior subida ocorreu na América do Sul.

Os 10 países menos pacíficos
(Fonte: http://visionofhumanity.org/app/uploads/2017/06/GPI-2017-Report-1.pdf)
Evolução a longo prazo

Desde 2008, o nível global de paz tem vindo a deteriorar-se em cerca de 2%. Uma das principais evoluções registadas na última década tem sido a crescente desigualdade no que respeita à paz entre os países mais pacíficos e menos pacíficos.

A degradação da paz da última década está em grande parte relacionada com os conflitos no Médio Oriente que se traduziram em batalhas mortíferas, níveis recordes de terrorismo e deslocações de populações.

Impacto económico da violência

O impacto económico global da violência foi estimado em cerca de 14.3 triliões de PPC (paridade de poder de compra) em 2016, o equivalente a 12,6% do PIB global ou 1.953 dólares por pessoa. Os países menos pacíficos do mundo sofrem de forma desproporcionada em termos económicos dos seus níveis de violência. O custo médio da violência foi equivalente a 37% do PIB nos dez países menos pacíficos, comparado com 3% dos dez países mais pacíficos.

Os gastos na construção da paz foram na ordem dos 10 milhões de dólares, o que significa menos de 1% do impacto económico da guerra, que totalizou 1.04 biliões dólares.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quantas pessoas pode o planeta suportar?

Durante a maior parte da história, a população humana cresceu a um ritmo lento mas nos últimos 200 anos, cresceu a um ritmo acelerado, resultando na curva tipo J característica do crescimento exponencial.

Os três principais factores que levaram a este aumento populacional. Primeiro, os humanos desenvolveram a capacidade de se expandir para quase todas as zonas climáticas e habitats do planeta. Segundo, o aparecimento da agricultura antiga e moderna permitiu à humanidade produzir mais alimento por unidade de área cultivada. Terceiro, as taxas de mortalidade caíram abruptamente devido à melhoria das condições sanitárias e de saúde e o desenvolvimento de antibióticos e vacinas que ajudaram a controlar doenças infecciosas. Durante os últimos 100 anos, o crescimento da população mundial ocorreu maioritariamente devido à queda abrupta das taxas de mortalidade.

Cerca de 10.000 anos atrás, quando começou o período da agricultura, existiam cerca de 5 milhões de pessoas no planeta, agora existem mais de 7,5 mil milhões de pessoas. Desde que chegamos à Terra até 1927, os primeiros 2 mil milhões de pessoas foram adicionados à Terra. Foram precisos menos de 50 anos para adicionar os seguintes 2 mil milhões (até 1974) e apenas 25 anos para adicionar os próximos 2 mil milhões (até 1999).

História da população mundial
(Fonte: www.astro.sunysb.edu/fwalter/HON301/GEAS_Jun_12_Carrying_Capacity.pdf)

O ritmo de crescimento populacional tem abrandado mas a população mundial ainda cresce exponencialmente a um ritmo de cerca de 1,21% ao ano. Isto significa que cerca de 80 milhões de pessoas são adicionadas todos os anos, o que dá uma me´dia de 227.000 por dia ou 2 pessoas a cada batimento cardíaco.

As previsões da população mundial para o ano de 2050 apontam para que sejamos cerca de 7,5 a 10,8 mil milhões, como uma previsão média de 9,6 mil milhões de pessoas. As possibilidades de a população mundial estabilizar são muito reduzidas num futuro próximo mas durante este século, a população mundial passará de um crescimento característico de uma curva forma de J para um crescimento característico de uma curva em forma de S.

A pergunta que se levanta é: Quantas pessoas pode o planeta suportar? Alguns especialistas acreditam que esta é uma questão errada. Em vez disso, eles pensam que devemos perguntar: Qual é a capacidade de carga do planeta? Ou seja, qual o máximo número de pessoas que podem viver uma certa liberdade e conforto indefinidamente, sem comprometer a capacidade da Terra em suster as gerações futuras.

Capacidade de carga do planeta

As tentativas de se chegar à capacidade de carga do planeta datam pelo menos desde o século 17. O cientista belga Antoni van Leeuwenhoek estimou que se a população da Holanda na altura (1 milhão de pessoas) fosse extrapolada pela área inabitada do globo, esta seria de 13 mil milhões de pessoas. Desde Leeuwenboek, muitas mais estimativas foram sendo feitas para avançar um número. O intervalo dessas estimativas é enorme e tenderam a convergir para um intervalo mais apertado. Um estudo olhou para 94 estimativas dos limites superiores da população da Terra e encontrou estimativas desde 500.000.000 até 1 000 000 000 000 000 000 000. Esta diferença é explicada por métodos utilizados calcular a estimativa.

Capacidade de carga da Terra de 65 estimativas
(Fonte: www.astro.sunysb.edu/fwalter/HON301/GEAS_Jun_12_Carrying_Capacity.pdf)

Muitos estudos assumiram um único factor a restringir a população como o máximo de população que pode ser suportado pela disponibilidade de alimento. Uma variação mais sofisticada deste método assume um conjunto de possíveis restrições como alimento, água e combustível e o factor que entrasse em falta, determinaria o limite da população. Uma outra abordagem ainda mais sofisticada identifica diversos factores e também leva em conta a interdependência dessas variáveis. À medida que estes métodos se tornam mais avançados, têm de incorporar mais factores, que geralmente apenas podem ser estimados ou ter valores incertos.

As escolhas sociais e individuais ao nível do que é "necessário" para o bem-estar e as privações que poderiam ser toleradas no futuro podem ser estimadas dentro de um intervalo plausível. Qual é a quantidade de alimento, medicamentos, calor, roupa, água e abrigo que podemos assumir como sendo o necessário para cada individuo no futuro? Como podem estes ser distribuídos de forma igual?

No final, o resultado destas tentativas de estabelecer um tecto para a população humana sustentável parece destinado à incerteza. No entanto, poderá ser mais importante entender a dinâmica do sistema complexo do qual a população depende. Os modelos que captem as dinâmicas chave do sistema Terra podem servir como mapa para as escolhas que terão impacto no nosso futuro colectivo.

Fontes:

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Esperança de vida e migração

A revisão de 2015 das perspectivas da população mundial da Divisão da População das Nações Unidas confirma que se atingiram ganhos significativos na esperança de vida nos recentes anos. A nível global, a esperança de vida aumentou 3 anos de 67 para 70 anos entre 2000-2005 e 2010-2015. Todas as áreas do globo assistiram a um aumento da esperança de vida, no entanto os maiores aumentos aconteceram em África, onde a esperança de vida aumentou 6 anos nos anos 2000 depois de ter aumentado apenas 2 anos na década anterior. A esperança de vida em África em 2010-2015 situou-se nos 60 anos, comparados com os 72 anos na Ásia, 75 anos na América Latina e Caraíbas, 77 anos na Europa e Oceânia e 79 anos na América do Norte.

Esperança de vida entre 1950 e 2010 nas principais regiões do globo
(Fonte: https://healthyplanetpro.files.wordpress.com/2013/02/f-i.png)

A mortalidade de menores de cinco anos é um importante indicador do desenvolvimento e bem-estar das crianças. A nível global, as mortes entres crianças com menos de 5 anos caiu de 71 por 1000 nascimento em 2000-2005 para 50 por 1000 em 2010-2015. Descidas significativas ocorreram na África Sub-sariana (de 142 para 99 por 1000) e nos países menos desenvolvidos (de 125 para 86 por 1000).

Espera que a esperança de vida suba de 70 anos em 2010-2015 para 77 anos em 2045-2050 e para 83 anos em 2095-2100. Prevê-se que África ganhe cerca de 19 anos em esperança de vida até ao final do século, atingindo os 70 anos em 2045-2050 e 78 anos em 2095-2100. Tanto na Ásia como na América Latina e as Caraíbas a esperança de vida deverá aumentar 13 e 14 anos de 2095-2100 enquanto que na Europa, América do Norte e Oceânia esse crescimento rondará os 10-11 anos.

Apesar de a migração internacional ser uma pequena componente das alterações demográficas comparativamente com os nascimentos ou mortes. No entanto, em alguns países e áreas, o impacto da migração no tamanho da população é significante, incluindo os países que enviam ou recebem grandes números de migrantes económicos ou aqueles afectados por fluxos de refugiados.

No geral, entre 1950 e 2015, a Europa, América do Norte e Oceânia foram as áreas com maior saldo entre imigrantes e emigrantes, enquanto que África, Ásia, América Latina e Caraíbas foram as áreas onde o número de emigrantes superou o número de imigrantes. De 2000 a 2014, a migração anual líquida atingiu os 2,8 milhões de pessoas por ano. No futuro, a migração líquida deverá ser o maior contribuidor para o crescimento populacional nos países mais ricos. Entre 2015 e 2050, o número total de nascimentos nesses países deverá ultrapassar os 20 milhões, enquanto que o ganho líquido de migrantes deverá rondar os 91 milhões. Assim, a migração contribuirá em 82% para o crescimento da população nesse grupo de países.

Fluxos migratórios entre países de 2005 a 2010
(Fonte: https://qzprod.files.wordpress.com/2014/03/vid_global_migration_datasheet_web-gimp3_colorcorrected.jpeg?quality=80&strip=all)

Entre 2015 e 2050, os países com um saldo maior entre imigrantes e emigrantes (mais de 100.000 anualmente) deverão ser os Estados Unidos, Canada, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Federação Russa e Itália. Por outro lado, os países com cujo saldo é superior mas no sentido contrário serão a Índia, Bangladesh, China, Paquistão e México.

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Crescimento populacional e fertilidade

No que diz ao respeito, a maioria do aumento global entre o momento actual e 2050 deverá ocorrer tanto em países com alta fertilidade, principalmente em África e em países com muita população. No período entre 2015 e 2050, espera-se que metade do crescimento da população mundial se centre em 9 países: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos da América, Indonésia e Uganda.

As novas projecções mostram também que, por exemplo, dentro de sete anos, a população da Índia irá ultrapassar a população da China. Actualmente, a população da China é de aproximadamente 1,38 mil milhões enquanto que a população da Índia se situa nos 1,31 mil milhões. Por volta de 2022, ambos os países deverão chegar aos 1,4 mil milhões. A partir de 2022, a população indiana deverá continuar a crescer durante várias décadas atingindo os 1,5 mil milhões em 2030 e os 1,7 mil milhões em 2050, enquanto que a população chinesa deverá manter-se constante até à década de 30, depois da qual se espera que venha a decrescer.

Entre os maiores países do Mundo, um situa-se em África (Nigéria), cinco situam-se na Ásia (Bangladesh, China, Índia, Indonésia e Paquistão), dois situam-se na América Latina (Brazil e México), um na América do Norte (Estados Unidos da América) e um na Europa (Federação Russa). Dentro destes, a população da Nigéria, a sétima mais elevada no Mundo, está a crescer rapidamente. Em 2050, tornar-se-à o terceiro maior país em termos de população. Nesse período, seis dos dez maiores países do Mundo deverão ultrapassar os 300 milhões: China, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos da América.

Crescimento populacional na China e na Índia
(Fonte: http://weakonomics.com/wp-content/uploads/2012/06/china-and-india-population-growth.png)

Os níveis de população projectados são um resultado da diminuição substancial da fertilidade projectada. De acordo com a variante média, a fertilidade global deverá cair de 2,5 filhos por mulher entre 2010 e 2015 para 2,4 filhos entre 2025 e 2030 e 2,0 entre 2095 e 2100. Em países menos desenvolvidos estão previstas reduções abruptas da fertilidade de 4,3 entre 2010 e 2015 para 3,5 entre 2025-2030 e para 2,1 entre 2095 e 2100.

De modo a se atingirem reduções substanciais na fertilidade que são previstas, é essencial que os países invistam em saúde reprodutiva e planeamento familiar, particularmente em países menos desenvolvidos, para que mulheres e casais possam atingir a dimensão desejada do seu agregado familiar. Em 2015, acerca de 34% das mulheres, em idade reprodutiva casadas ou em união, usavam métodos contraceptivos em países menos desenvolvidos.

Fertilidade a nível mundial entre 1950 e 2100
(Fonte: https://ourworldindata.org/wp-content/uploads/2014/02/ourworldindata_world-population-by-level-of-fertility.png)

Nas últimas décadas muitos países têm assistido a significantes diminuições do tamanho familiar médio. Actualmente, os países podem ser classificados em 3 grupos em função do seu nível de fertilidade. Estima-se que 46% da população mundial vive em países com baixos níveis de fertilidade onde as mulheres têm menos de 2,1 filhos ao longo da sua vida. Este conjunto de países inclui toda a Europa e América do Norte, 20 países na Ásia, 17 na América Latina e Caraíbas, 3 na Oceânia e 1 em África. Os maiores países com baixa fertilidade são a China, Estados Unidos, Brasil, Federação Russa, Japão e Vietname.

46% da população mundial live em países com "fertilidade média" onde se assiste já a um declínio da fertilidade e onde as mulheres têm em média entre 2,1 e 5 filhos. Estes países encontram-se em muitas regiões, sendo os maiores países são a Índia, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, México e Filipinas.

Os remanescentes 9% da população mundial vive em países com "fertilidade elevada". Nestes países as mulheres têm 5 ou mais filhos durante o seu período de vida. Dos 21 países com fertilidade elevada, 19 estão em África e 2 na Ásia. Os maiores países são a Nigéria, República Democrática do Congo, Tanzânia, Uganda e Afeganistão.

Mapa da fertilidade mundial
(Fonte: http://www.targetmap.com/ThumbnailsReports/7704_THUMB_IPAD.jpg)
Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

População: África e Europa em pólos distintos

Mais de metade do crescimento da população mundial até ao ano de 2050 espera-se que ocorra em África. O continente africano tem a maior alta taxa de crescimento populacional de todo o globo, crescendo a uma taxa anual de 2,55% entre 2010 e 2015. Consequentemente, das 2,4 mil milhões de pessoas que serão adicionadas ao planeta entre 2015 e 2050, 1,3 mil milhões de pessoas  nascerão em África. Projecta-se que continente asiático será o segundo a contribuir para o futuro crescimento populacional, adicionando mais 0,9 mil milhões de pessoas entre 2015 e 2050, que será seguido da América do Norte, América Latina e Caraíbas e Oceânia. Segundo a projecção média, a população europeia deverá ser inferior em 2050 relativamente a 2015.

Taxa anual média de alteração da população por continentes entre 2000-2050
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

O rápido crescimento populacional em África ocorrerá mesmo que haja uma redução substancial dos níveis de fertilidade num futuro próximo. De acordo com a projecção média, a fertilidade irá diminuir de 4,7 filhos (2010-2015) para 3,1 (2045-2050), atingindo os 2,2 no período entre 2095 e 2100. Como resultado, a percentagem da global que pertence ao continente Africano irá crescer de 25% em 2050 para 39% em 2100, enquanto que a percentagem que reside em Ásia descerá de 54% em 2050 para 44% em 2100.


Taxas de fertilidade em África em 2013
(Fonte: http://www.humanosphere.org/wp-content/uploads/2014/03/20140308_mam905_595_0.png)

O crescimento populacional continua especialmente alto no grupo de 48 países designados pelas Nações Unidas como os países menos desenvolvidos, dos quais 27 são países africanos. Apesar de se prever uma diminuição da taxa de crescimento populacional deste grupo de países, a sua população espera-se que cresça de 954 milhões (em 2015) para 1,9 mil milhões (em 2050) e para 3,2 mil milhões (em 2100). Entre 2015 e 2100, a população de 33 países, a maioria países menos desenvolvidos, poderão, no mínimo, triplicar. Entre esses países, as populações de Angola, Burundi, República Democrática do Congo, Malawi, Mali, Niger, Somália, Uganda, Tanzânia e Zâmbia podem quintuplicar até 2100.

A concentração de crescimento populacional nos países mais pobres irá dificultar a tarefa dos seus governos de erradicar a pobreza e as desigualdades, combater a fome e mal-nutrição, expandir os sistemas de educação e de saúde, melhorar o fornecimento de serviços básicos e implementar outros elementos da agenda de desenvolvimento sustentável.

Em claro contraste, espera-se que as populações de 48 países ou áreas diminua entre 2015 e 2050. Em diversos países espera-se que a população possa diminuir em mais de 15%, onde se inclui a Bósnia Herzegovina, Bulgária, Croácia, Hungria, Japão, Letónia, Lituânia, Moldávia, Roménia, Sérvia e Ucrânia. A fertilidade em todos os países europeus está abaixo do nível de substituição a longo prazo (cerca 2,1 filhos por mulher, em média) e na maioria dos casos, esta situação já acontece há várias décadas. Projecta-se que a fertilidade na Europa possa aumentar de 1,6 filhos por mulher entre 2010-2015 para 1,8 entre 2045 e 2050, mas esse aumento não será suficiente para impedir a provável diminuição do tamanho da população total.

Taxas de fertilidade totais pela Europa em 2011
(Fonte: https://libraryeuroparl.files.wordpress.com/2013/05/fertility2.png)

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)

terça-feira, 4 de abril de 2017

O retrato e o futuro da População Mundial

De acordo com a Revisão de 2015 elaborada pela Divisão da População do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a população mundial atingiu os 7,3 mil milhões em 2015, o que significa que foram adicionados aproximadamente mil milhões de anos nos últimos 12 anos.

60% da população global vive na Ásia (4,4 mil milhões), 16% na África (1,2 mil milhões), 10% na Europa (738 milhões), 9% na América Latina e nas Caraíbas (634 milhões) e os restantes 5% na América do Norte (358 milhões) e Oceânia (39 milhões).  A China (1,4 mil milhões) e a Índia (1,3 mil milhões) continuam como os países com mais população, representando 19% e 18% da população mundial, respectivamente.


População mundial por áreas nos anos 2015, 2030, 2050 e 2010, de acordo com a projecção média
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

Em 2015, 50,4% da população mundial é masculina e 49,6% é feminina. A mediana da idade da população global, que se traduz, na idade em que metade da população é mais velha e a outra metade é mais jovem, é de 29,6 anos. Cerca de um quarto (26%) da população tem menos de 15 anos, 62% situam-se na faixa etária 15-69 anos e 12 % têm mais de 60 anos.

Distribuição da População Mundial por idade e sexo em 2015
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

Actualmente, a população mundial continua a crescer mas a um ritmo mais baixo do que no passado. Há 10 anos atrás, a população mundial estava a crescer a 1,24% ao ano. Hoje, assistimos a um crescimento de 1,18% por ano, ou seja, aproximadamente 83 milhões de pessoas são adicionadas anualmente. Projecta-se que a população mundial cresça em mais de mil milhões de pessoas dentro dos próximos 15 anos, atingindo os 8,5 mil milhões em 2030, 9,7 mil milhões em 2050 e 11,2 mil milhões em 2100.

Estimativas da População Mundial entre 2015 e 2100
(Fonte: World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision)

A projecção média pressupõe um declínio da fertilidade para os países onde as grandes famílias ainda prevalecem bem como um ligeiro aumento da fertilidade em vários países com menos do que dois filhos por mulher em média. Projecta-se também as possibilidades de sobrevivência aumentem em todos os países. Apesar de algum grau de incerteza, pode-se afirmar com 95% de grau de confiança que a população global estará entre os 8,4 e os 8,6 mil milhões em 2030 e entre os 9,5 mil e os 13,3 mil milhões em 2100. Espera-se que a população continue a crescer até ao final do século, mas existe cerca de 23% de hipótese que possa estabilizar ou mesmo entrar em declínio até 2100.

Fonte:
World Population Prospects - Key findings & advance tables, 2015 Revision (https://esa.un.org/Unpd/wpp/Publications/Files/Key_Findings_WPP_2015.pdf)