quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Meta 1 de Aichi para a Biodiversidade: Maior sensibilização

A primeira meta de Aichi é a seguinte:

Até 2020, as pessoas estão sensibilizadas para os valores da biodiversidade e para os passos que podem tomar para a conservar e usar de forma sustentável.

Para atingir esta meta será necessário que as pessoas sejam sensibilizadas para os valores da biodiversidade, num contexto mais amplo, olhando para os valores ambientais, culturais, económicos e intrínsecos. Apesar de esse conhecimento ser importante na motivação para a acção, não é suficiente. As pessoas também necessitam de estar sensibilizadas para os tipos de acções que podem tomar para conservar e usar a biodiversidade de forma sustentável. Diferentes segmentos da sociedade podem tomar diferentes acções dependendo do tipo de actividades que têm controlo ou influência sobre. Tal informação podem ajudar a capacitar os indivíduos a tomar acções.

De forma a progredir em direcção a essa meta, será necessário desenvolver e implementar uma esforços nas áreas da comunicação, educação e consciencialização do público de forma coerente, estratégica e sustentada. Diferentes tipos de actividade de educação e consciencialização serão necessários para chegar a diferentes audiências.

A aprendizagem ocorre em contextos formais, como escolas e universidades, bem como em contextos informais, como sejam o aconselhamento por parte dos mais velhos e também museus e parques e através de filmes, televisão e literatura. A aprendizagem pode igualmente ocorrer através da participação em eventos e outras oportunidades para troca de informação entre os interessados. Existem, portanto, uma variedade de comunicação e veículos de disseminação que podem ser usados.

Uma acção inicial para atingir esta meta que pode ser tomada será a realização de uma avaliação do estado actual da consciencialização para a biodiversidade de forma a identificar falhas e os grupos para cuja consciencialização dos valores da biodiversidade é mais importante para o estado da biodiversidade em cada país. Esta informação pode ajudar a identificar e dar prioridade aos tipos de  acções de comunicação e educação que são necessárias. São também importantes para alcançar esta meta: identificar as mensagens relevantes e os canais de comunicação para cada grupo, estudos a determinar e comunicar os valores da biodiversidade e o envolvimento de agentes parceiros.

Possíveis indicadores
  • Tendências na consciencialização e atitudes em relação à biodiversidade.
  • Tendências na participação pública relacionada com a biodiversidade.
  • Tendências em programas de comunicação e acções a promover a responsabilidade social das empresas.
Fonte:
https://www.cbd.int/doc/strategic-plan/targets/T1-quick-guide-en.pdf

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Índice Terrestre Living Planet

O sistema terrestre inclui muitos habitats (como florestas, savanas e desertas) e também ambientes artificiais desenvolvidos pelo Homem (como as cidades e os campos agrícolas). Este é o sistema melhor monitorizado dos três sistemas, fundamentalmente porque é onde as pessoas vivem e também porque a investigação apresenta menores desafios logísticos do que a investigação em sistemas marinhos e de água doce. Por essa razão, o conjunto de dados respeitante ao índice terrestre é o mais abrangente. É baseado em informação de 4.658 populações monitorizadas de 1.678 espécies terrestres ou seja, 45% das espécies presentes no índice geral.

Nos últimos séculos, o sistema terrestre tem sofrido grande transformação: a maioria da superfície terrestre tem sido modificada pelos humanos. Isto teve um grande impacto na biodiversidade, o que é confirmado pelo índice terrestre Living Planet que mostra que as populações têm decrescido 38% desde 1970, o que corresponde a um decréscimo anual de 1,1%.

Índice terrestre Living Planet entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

Apesar da crescente influência das actividades humanas, o sistema terrestre tem experenciado um declínio não tão acentuado na abundância das populações quando comparado com os sistemas marinhos e de água doce. A criação de áreas protegidas têm contribuído para a conservação e recuperação de algumas espécies.

A perda e a degradação de habitat são as ameaças mais comuns às populações terrestres, seguidas para sobre-exploração. As outras ameaças variam em importância de acordo com o grupo taxonómico.

A seguir à perda e degradação de habitat, as espécies invasoras e doenças são as ameaças mais comuns aos anfíbios e répteis. Seja através da predação ou da competição, os efeitos negativos das espécies exóticas nas espécies nativas têm sido bem documentados em várias partes do Globo. A introdução de espécies não-nativas de ratos, gatos e mangustos juntamente com répteis não nativos têm tido um enorme impacto nos répteis nativos, especialmente em ilhas.

Diferenças taxonómicas na frequência da ameaça para 703 populações terrestres em declínio
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)
No que respeita à diversidade de espécies, as florestas tropicais estão entre os ecossistemas mais ricos no planeta. Elas têm sofrido também grandes perdas de área. Até o ano 2000, 48,5% das florestas tropicais e subtropicais secas foram convertidas para uso humano. O índice mostra um declínio de 41% das espécies que vivem em florestas tropicais, o que se traduz num decréscimo anual de 1,3%. A partir do ano 2000 têm-se registado uma tendência de subida nomeadamente entre as populações de mamíferos e aves.

Índice terrestre Living Planet para as florestas tropicais entre 1970 e 2009
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

As pradarias estão sob grande pressão humana, sobretudo porque são ecossistemas apropriados para a agricultura. Até 2000, 45,8% da área dos prados temperados foi convertida e é agora predominantemente usada para actividades humanas. O índice para as pradarias é baseado em 372 populações de 126 espécies que habitam apenas este tipo de ecossistemas. Este mostra um declínio de 18%, o que corresponde a uma média anula de 0,5%. A tendência começou a estabilizar depois do ano 2000 e existe um ligeiro aumento desde 2004.

Índice Living Planet para as pradarias em 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

Fonte:

Relatório Living Planet 2016
(http://www.footprintnetwork.org/documents/2016_Living_Planet_Report_Lo.pdf)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ciclo do enxofre

O enxofre circula na biosfera através do ciclo do enxofre. A maior parte do enxofre está armazenado no subsolo em rochas e minerais e na forma de sais de sulfato (SO42-) enterrados debaixo de sedimentos marinhos.

Ciclo do enxofre
(Fonte: http://userscontent2.emaze.com/images/c2b8233f-f811-4177-9858-a6dad57d1eac/635460133794929214_ScreenShot2014-09-11at2.21.35.png)

O enxofre entra na atmosfera de diversas formas. O sulfureto de hidrogénio (H2S) é libertado de vulcões activos e da matéria orgânica que entra em decomposição em zonas inundadas. O dióxido de enxofre também é libertado por vulcões.

Partículas de sais de sulfato (SO42-), como o sulfato de amónio, entra na atmosfera através de água do mar vaporizada, tempestades de poeira e fogos florestais. As raízes das plantas absorvem os iões de sulfato e incorporam o enxofre como um componente essencial de muitas proteínas.

Certas algas marinhas produzem grandes quantidades de dimetilsulfureto ou DMS (C2H6S). Pequenas gotículas de DMS servem como um núcleo para a condensação de nuvens. Assim, alterações nas emissões de DMS podem afectar a formação de nuvens e clima.

Na atmosfera, o DMS é convertido em dióxido de enxofre, parte deste é por sua vez convertido em trióxido de enxofre (SO3) e em pequenas gotículas de ácido sulfúrico (H2SO4). O DMS também reage com outros químicos atmosféricos com o amoníaco para produzir pequenas partículas de sais de sulfato. Estas gotas e partículas descem à terra como componentes das chuvas ácidas, que em conjunto com outros poluentes do ar podem nocivos para as árvores e vida aquática.

As actividades humanas têm afectado o ciclo do enxofre, principalmente, através da emissão de grandes quantidades de dióxido de enxofre para a atmosfera. Nós libertamos enxofre para a atmosfera de três maneiras. Primeiro, queimamos carvão e petróleo que contém enxofre para produzir energia eléctrica. Segundo, refinamos petróleo que contém enxofre para produzir gasolina, gasóleo e outros produtos. Terceiro, extraímos metais como o cobre, chumbo e zinco de compostos que contêm enxofre presentes nas rochas.

Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Plano Estratégico 2011-2020 e as Metas de Aichi

Fonte: https://www.cbd.int/images/youth/cbd-world.gif
A Convenção para a Diversidade Biológica (CDB) ou a Convenção para a Biodiversidade, como é informalmente conhecida, é um tratado multilateral que tem como principais objectivos: a conservação da diversidade biológica (biodiversidade), o uso sustentável dos seus componentes e a partilha justa e igual dos benefícios que surgem dos recursos genéticos.

A Convenção foi criada aquando da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e entrou em pleno funcionamento no final do ano de 1993. Em 2016, faziam parte 196 partes, que incluía 195 estados e a União Europeia. Todos os membros das Nações Unidas - com a excepção dos Estados Unidos - ratificaram o tratado.

Na décimo encontro da Conferência de Partes, que aconteceu em 2010 em Nagoya (Aichi) no Japão, foi adoptado um Plano Estratégico para a Biodiversidade para o período de 2011-2020, incluindo as Metas de Aichi para a Biodiversidade.

O Plano Estratégico é composto por uma visão partilhada, uma missão, objectivos estratégicos e 20 metas ambiciosas, conhecidas como Metas de Aichi, 

A visão é definida da seguinte forma: "Até 2050, a biodiversidade é valorizada, conservada, restaurada e sabiamente usada, mantendo os serviços dos ecossistemas, sustentando um planeta saudável e fornecendo os benefícios essenciais para todas as pessoas."

Já a missão da Convenção é traduzida do seguinte modo: "Tomar medidas efectivas e urgentes para travar a perda da diversidade biológica a fim de assegurar que até 2020, os ecossistemas sejam resistentes e que continuem a fornecer os serviços essenciais, assegurando deste modo, a diversidade da vida no planeta e contribuindo para o bem-estar humano e para a erradicação da pobreza. Para que isso aconteça, é necessário que as pressões sobre a biodiversidade se reduzem, os ecossistemas se restaurem, os recursos biológicos sejam utilizados de forma sustentável e os benefícios que surjam da utilização dos recursos genéticos sejam partilhados de forma justa e equitativa; que sejam disponibilizados os recursos financeiros adequados, se melhorem as capacidades, as questões e valores da biodiversidade se tornem conhecidos, as políticas apropriadas sejam implementadas de forma efectiva e a tomada de decisão seja baseada em fundamentos científicos sólidos e numa abordagem de precaução."

Fonte: http://explore.tandfonline.com/uploads/images/campaigns/BIG_7751-Aichi_Biodiversity_Targets_978x509.jpg

As 20 Metas de Aichi estão divididas de acordo com 4 objectivos estratégicos:
  • Objectivo estratégico A: abordar as causas subjacentes à perda de diversidade biológica através da incorporação da diversidade biológica em todos âmbitos governamentais e da sociedade.
  • Objectivo estratégico B: Reduzir as pressões directas sobre a diversidade biológica e promover o seu uso sustentável.
  • Objectivo estratégico C: Melhorar a situação da diversidade biológica salvaguardando os ecossistemas, as espécies e a diversidade genética.
  • Objectivo estratégico D: Aumentar os benefícios da diversidade biológica e os serviços dos ecossistemas para todos.

Fontes:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Índice de Percepção da Corrupção 2016


A Transparency International (TI) declara-se como "um movimento global com uma visão: um mundo em que governos, negócios, sociedade civil e as vidas diárias das pessoas são livres de corrupção". Sediada em Berlim, o propósito desta organização sem fins lucrativos é desenvolver acções de combate à corrupção e prevenir actividades criminais com base na corrupção.

A TI declara também que "a corrupção e a desigualdade alimentam-se uma da outra, criando um círculo vicioso entre a corrupção, distribuição desigual de poder na sociedade e distribuição desigual de riqueza".

Desde 1995 que a TI vem publicando anualmente o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) criando um ranking de países com base nos níveis de corrupção determinados por avaliações de especialistas e inquéritos de opinião. O IPC define de forma genérica a corrupção como o uso de poderes públicos para benefício privado.

No IPC os países são classificados de acordo com uma escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (livre de corrupção). Em 2016, 176 países fizeram parte desta avaliação, sendo nenhum se aproximou dos 100 pontos e mais de 120 países obtiveram uma pontuação inferior a 50 pontos. O mapa abaixo mostra a distribuição do IPC por todo o Mundo.
Mapa do Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://files.transparency.org/content/download/2053/13224/file/CPI2016_Map_web.jpg)

Os países com maior pontuação tendem a ter graus mais elevados de liberdade de imprensa, acesso à informação sobre gastos públicos, padrões de integridade mais fortes para funcionários públicos e sistemas judiciais mais independentes.

No topo do índice encontramos principalmente países da Europa do Norte (Dinamarca, Finlândia, Suécia) e Central (Suíça, Holanda, Alemanha, Reino Unido e Luxemburgo) e ainda a Nova Zelândia, Singapura e Canadá.

Países com melhor ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Os países com ranking mais baixo são dominados pela desconfiança e mau funcionamento de instituições públicas com a polícia e a justiça. Mesmo que existam leis anti-corrupção, estas são frequentemente evitadas ou ignoradas. As pessoas nestes países enfrentam situações de suborno e extorsão, confiam em serviços básicos que foram minados pela apropriação indevida de fundos e confrontam a indiferença oficial quando procuram denunciar situações de corrupção.

No outro extremo encontramos na sua maioria países do continente africano (Angola, Eritreia, Guiné-Bissau, Líbia, Sudão, Sudão do Sul e Somália) e do médio oriente (Iraque, Afeganistão, Iémen e Síria) e também a Venezuela e a Coreia do Norte. 

Países com pior ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Fontes:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Relatório da felicidade mundial 2016



O mais recente relatório sobre a felicidade mundial foi apresentado em Março de 2016 na cidade de Roma.

A análise da distribuição da felicidade entre e dentro dos países baseia-se em 1000 individuais por ano em cada um dos mais países de 150 países, usando uma escala de 0 (pontuação mais baixa) a 10 (pontuação mais elevada) para o questionário. Neste estudo foi utilizada uma média para os resultados da avaliação para cada país respeitantes a 2013, 2014 e 2015.

Os gráficos seguintes apresentam a distribuição da felicidade a nível mundial e para 10 regiões do globo, traduzida nas respostas onde os inquiridos avaliam as suas vidas numa escala de 0 a 10, sendo 0 a pior vida possível e  10 a melhor vida possível.

Distribuição da felicidade a nível mundial
(Fonte: World Happiness Report 2016)


Distribuição da felicidade mundial para 10 regiões do globo
(Fonte: World Happiness Report 2016)


As avaliações da vida em termos médios a nível nacional são explicadas por uma equação em termos de seis variáveis: PIB per capita, suporte social, esperança de vida saudável, liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade e liberdade da corrupção. Em conjunto, estas seis variáveis explicam quase três quartos da variação dos resultados nacionais anuais entre países, usando dados de 2005 a 2015.

No que respeita à comparação entre países. observa-se que os 10 países com avaliações mais baixas são os mesmos países que constavam do relatório de 2015. Todos eles apresentam médias abaixo de 3.7 e 8 destes 10 países encontram-se na África subsariana.

Os 10 países com menor pontuação na avaliação média de vida
(Fonte: World Happiness Report 2016)

No outro extremo, os países no top 10 apresenta uma média de 7,4. As desigualdades a nível do rendimento explicam em mais de um terço as diferenças que se encontram nas avaliações de vida. O rendimento é o factor mais desigualmente distribuído entre os países. O PIB per capita no top 10 superior é 25 vezes maior do que no top 10 inferior.


Top 20 dos países com maiores pontuações na avaliação de vida(Fonte: http://fingfx.thomsonreuters.com/gfx/rngs/1/1038/1529/WORLD-HAPPINESS%20REPORT%20T.jpg)

Entre o período de 2005-2007 a 2013-2015 houveram 55 países que viram o seu resultado subir e 45 países em que o resultado desceu. Os ganhos registaram-se especialmente na América Latina, estados independentes da Commonwealth e Europa Central e de Leste. As perdas aconteceram principalmente em países da Europa Ocidental e em menor grau na África sub-sariana, Médio Oriente e Norte de África.

Fonte:
World Happiness Report 2016

domingo, 15 de janeiro de 2017

Índice Local da Integridade da Biodiversidade

O Índice Local da Integridade da Biodiversidade (ILIB) estima em quanto a biodiversidade original de uma área terrestre permanece em face da ocupação do solo e das pressões associadas por parte dos humanos. Em virtude de o ILIB estar relacionado com o biodiversidade a nível local, esta pode calculada e reportada para qualquer escala espacial maior (por ex.: países, focos de biodiversidade ou biomas mas também a nível global).

O ILIB pode reportar-se à riqueza de espécies e à abundância média e está a ser desenvolvida para também reportar à raridade de alcance geográfico (endemismo) e diversidade filogenética. O ILIB é complementar do proposto Índice de Biodiversidade e Habitat (IBH). O foco do ILB é a integridade biótica local média, que reflecte a persistência das espécies numa paisagem e a capacidade dos ecossistemas locais que fornecerem muitos serviços. O IBH, por contraste, foca-se em como a diversidade global de área mais abrangente é afectada pela degradação e perda de habitat.

O ILIB abrange toda a superfície terrestre e pode reportar tanto a nível global como a uma escala mais pequena relevante para políticas globais.

Índice Local da Integridade da Biodiversidade (Fonte: http://www.ipbes.net/sites/default/files/Metadata_GEO_BON_PREDICTS_Local_Biodiversity_Intactness_Index.pdf)

Fonte: