domingo, 12 de fevereiro de 2017

Índice Terrestre Living Planet

O sistema terrestre inclui muitos habitats (como florestas, savanas e desertas) e também ambientes artificiais desenvolvidos pelo Homem (como as cidades e os campos agrícolas). Este é o sistema melhor monitorizado dos três sistemas, fundamentalmente porque é onde as pessoas vivem e também porque a investigação apresenta menores desafios logísticos do que a investigação em sistemas marinhos e de água doce. Por essa razão, o conjunto de dados respeitante ao índice terrestre é o mais abrangente. É baseado em informação de 4.658 populações monitorizadas de 1.678 espécies terrestres ou seja, 45% das espécies presentes no índice geral.

Nos últimos séculos, o sistema terrestre tem sofrido grande transformação: a maioria da superfície terrestre tem sido modificada pelos humanos. Isto teve um grande impacto na biodiversidade, o que é confirmado pelo índice terrestre Living Planet que mostra que as populações têm decrescido 38% desde 1970, o que corresponde a um decréscimo anual de 1,1%.

Índice terrestre Living Planet entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

Apesar da crescente influência das actividades humanas, o sistema terrestre tem experenciado um declínio não tão acentuado na abundância das populações quando comparado com os sistemas marinhos e de água doce. A criação de áreas protegidas têm contribuído para a conservação e recuperação de algumas espécies.

A perda e a degradação de habitat são as ameaças mais comuns às populações terrestres, seguidas para sobre-exploração. As outras ameaças variam em importância de acordo com o grupo taxonómico.

A seguir à perda e degradação de habitat, as espécies invasoras e doenças são as ameaças mais comuns aos anfíbios e répteis. Seja através da predação ou da competição, os efeitos negativos das espécies exóticas nas espécies nativas têm sido bem documentados em várias partes do Globo. A introdução de espécies não-nativas de ratos, gatos e mangustos juntamente com répteis não nativos têm tido um enorme impacto nos répteis nativos, especialmente em ilhas.

Diferenças taxonómicas na frequência da ameaça para 703 populações terrestres em declínio
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)
No que respeita à diversidade de espécies, as florestas tropicais estão entre os ecossistemas mais ricos no planeta. Elas têm sofrido também grandes perdas de área. Até o ano 2000, 48,5% das florestas tropicais e subtropicais secas foram convertidas para uso humano. O índice mostra um declínio de 41% das espécies que vivem em florestas tropicais, o que se traduz num decréscimo anual de 1,3%. A partir do ano 2000 têm-se registado uma tendência de subida nomeadamente entre as populações de mamíferos e aves.

Índice terrestre Living Planet para as florestas tropicais entre 1970 e 2009
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

As pradarias estão sob grande pressão humana, sobretudo porque são ecossistemas apropriados para a agricultura. Até 2000, 45,8% da área dos prados temperados foi convertida e é agora predominantemente usada para actividades humanas. O índice para as pradarias é baseado em 372 populações de 126 espécies que habitam apenas este tipo de ecossistemas. Este mostra um declínio de 18%, o que corresponde a uma média anula de 0,5%. A tendência começou a estabilizar depois do ano 2000 e existe um ligeiro aumento desde 2004.

Índice Living Planet para as pradarias em 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet, 2016)

Fonte:

Relatório Living Planet 2016
(http://www.footprintnetwork.org/documents/2016_Living_Planet_Report_Lo.pdf)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ciclo do enxofre

O enxofre circula na biosfera através do ciclo do enxofre. A maior parte do enxofre está armazenado no subsolo em rochas e minerais e na forma de sais de sulfato (SO42-) enterrados debaixo de sedimentos marinhos.

Ciclo do enxofre
(Fonte: http://userscontent2.emaze.com/images/c2b8233f-f811-4177-9858-a6dad57d1eac/635460133794929214_ScreenShot2014-09-11at2.21.35.png)

O enxofre entra na atmosfera de diversas formas. O sulfureto de hidrogénio (H2S) é libertado de vulcões activos e da matéria orgânica que entra em decomposição em zonas inundadas. O dióxido de enxofre também é libertado por vulcões.

Partículas de sais de sulfato (SO42-), como o sulfato de amónio, entra na atmosfera através de água do mar vaporizada, tempestades de poeira e fogos florestais. As raízes das plantas absorvem os iões de sulfato e incorporam o enxofre como um componente essencial de muitas proteínas.

Certas algas marinhas produzem grandes quantidades de dimetilsulfureto ou DMS (C2H6S). Pequenas gotículas de DMS servem como um núcleo para a condensação de nuvens. Assim, alterações nas emissões de DMS podem afectar a formação de nuvens e clima.

Na atmosfera, o DMS é convertido em dióxido de enxofre, parte deste é por sua vez convertido em trióxido de enxofre (SO3) e em pequenas gotículas de ácido sulfúrico (H2SO4). O DMS também reage com outros químicos atmosféricos com o amoníaco para produzir pequenas partículas de sais de sulfato. Estas gotas e partículas descem à terra como componentes das chuvas ácidas, que em conjunto com outros poluentes do ar podem nocivos para as árvores e vida aquática.

As actividades humanas têm afectado o ciclo do enxofre, principalmente, através da emissão de grandes quantidades de dióxido de enxofre para a atmosfera. Nós libertamos enxofre para a atmosfera de três maneiras. Primeiro, queimamos carvão e petróleo que contém enxofre para produzir energia eléctrica. Segundo, refinamos petróleo que contém enxofre para produzir gasolina, gasóleo e outros produtos. Terceiro, extraímos metais como o cobre, chumbo e zinco de compostos que contêm enxofre presentes nas rochas.

Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Plano Estratégico 2011-2020 e as Metas de Aichi

Fonte: https://www.cbd.int/images/youth/cbd-world.gif
A Convenção para a Diversidade Biológica (CDB) ou a Convenção para a Biodiversidade, como é informalmente conhecida, é um tratado multilateral que tem como principais objectivos: a conservação da diversidade biológica (biodiversidade), o uso sustentável dos seus componentes e a partilha justa e igual dos benefícios que surgem dos recursos genéticos.

A Convenção foi criada aquando da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e entrou em pleno funcionamento no final do ano de 1993. Em 2016, faziam parte 196 partes, que incluía 195 estados e a União Europeia. Todos os membros das Nações Unidas - com a excepção dos Estados Unidos - ratificaram o tratado.

Na décimo encontro da Conferência de Partes, que aconteceu em 2010 em Nagoya (Aichi) no Japão, foi adoptado um Plano Estratégico para a Biodiversidade para o período de 2011-2020, incluindo as Metas de Aichi para a Biodiversidade.

O Plano Estratégico é composto por uma visão partilhada, uma missão, objectivos estratégicos e 20 metas ambiciosas, conhecidas como Metas de Aichi, 

A visão é definida da seguinte forma: "Até 2050, a biodiversidade é valorizada, conservada, restaurada e sabiamente usada, mantendo os serviços dos ecossistemas, sustentando um planeta saudável e fornecendo os benefícios essenciais para todas as pessoas."

Já a missão da Convenção é traduzida do seguinte modo: "Tomar medidas efectivas e urgentes para travar a perda da diversidade biológica a fim de assegurar que até 2020, os ecossistemas sejam resistentes e que continuem a fornecer os serviços essenciais, assegurando deste modo, a diversidade da vida no planeta e contribuindo para o bem-estar humano e para a erradicação da pobreza. Para que isso aconteça, é necessário que as pressões sobre a biodiversidade se reduzem, os ecossistemas se restaurem, os recursos biológicos sejam utilizados de forma sustentável e os benefícios que surjam da utilização dos recursos genéticos sejam partilhados de forma justa e equitativa; que sejam disponibilizados os recursos financeiros adequados, se melhorem as capacidades, as questões e valores da biodiversidade se tornem conhecidos, as políticas apropriadas sejam implementadas de forma efectiva e a tomada de decisão seja baseada em fundamentos científicos sólidos e numa abordagem de precaução."

Fonte: http://explore.tandfonline.com/uploads/images/campaigns/BIG_7751-Aichi_Biodiversity_Targets_978x509.jpg

As 20 Metas de Aichi estão divididas de acordo com 4 objectivos estratégicos:
  • Objectivo estratégico A: abordar as causas subjacentes à perda de diversidade biológica através da incorporação da diversidade biológica em todos âmbitos governamentais e da sociedade.
  • Objectivo estratégico B: Reduzir as pressões directas sobre a diversidade biológica e promover o seu uso sustentável.
  • Objectivo estratégico C: Melhorar a situação da diversidade biológica salvaguardando os ecossistemas, as espécies e a diversidade genética.
  • Objectivo estratégico D: Aumentar os benefícios da diversidade biológica e os serviços dos ecossistemas para todos.

Fontes:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Índice de Percepção da Corrupção 2016


A Transparency International (TI) declara-se como "um movimento global com uma visão: um mundo em que governos, negócios, sociedade civil e as vidas diárias das pessoas são livres de corrupção". Sediada em Berlim, o propósito desta organização sem fins lucrativos é desenvolver acções de combate à corrupção e prevenir actividades criminais com base na corrupção.

A TI declara também que "a corrupção e a desigualdade alimentam-se uma da outra, criando um círculo vicioso entre a corrupção, distribuição desigual de poder na sociedade e distribuição desigual de riqueza".

Desde 1995 que a TI vem publicando anualmente o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) criando um ranking de países com base nos níveis de corrupção determinados por avaliações de especialistas e inquéritos de opinião. O IPC define de forma genérica a corrupção como o uso de poderes públicos para benefício privado.

No IPC os países são classificados de acordo com uma escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (livre de corrupção). Em 2016, 176 países fizeram parte desta avaliação, sendo nenhum se aproximou dos 100 pontos e mais de 120 países obtiveram uma pontuação inferior a 50 pontos. O mapa abaixo mostra a distribuição do IPC por todo o Mundo.
Mapa do Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://files.transparency.org/content/download/2053/13224/file/CPI2016_Map_web.jpg)

Os países com maior pontuação tendem a ter graus mais elevados de liberdade de imprensa, acesso à informação sobre gastos públicos, padrões de integridade mais fortes para funcionários públicos e sistemas judiciais mais independentes.

No topo do índice encontramos principalmente países da Europa do Norte (Dinamarca, Finlândia, Suécia) e Central (Suíça, Holanda, Alemanha, Reino Unido e Luxemburgo) e ainda a Nova Zelândia, Singapura e Canadá.

Países com melhor ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Os países com ranking mais baixo são dominados pela desconfiança e mau funcionamento de instituições públicas com a polícia e a justiça. Mesmo que existam leis anti-corrupção, estas são frequentemente evitadas ou ignoradas. As pessoas nestes países enfrentam situações de suborno e extorsão, confiam em serviços básicos que foram minados pela apropriação indevida de fundos e confrontam a indiferença oficial quando procuram denunciar situações de corrupção.

No outro extremo encontramos na sua maioria países do continente africano (Angola, Eritreia, Guiné-Bissau, Líbia, Sudão, Sudão do Sul e Somália) e do médio oriente (Iraque, Afeganistão, Iémen e Síria) e também a Venezuela e a Coreia do Norte. 

Países com pior ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Fontes:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Relatório da felicidade mundial 2016



O mais recente relatório sobre a felicidade mundial foi apresentado em Março de 2016 na cidade de Roma.

A análise da distribuição da felicidade entre e dentro dos países baseia-se em 1000 individuais por ano em cada um dos mais países de 150 países, usando uma escala de 0 (pontuação mais baixa) a 10 (pontuação mais elevada) para o questionário. Neste estudo foi utilizada uma média para os resultados da avaliação para cada país respeitantes a 2013, 2014 e 2015.

Os gráficos seguintes apresentam a distribuição da felicidade a nível mundial e para 10 regiões do globo, traduzida nas respostas onde os inquiridos avaliam as suas vidas numa escala de 0 a 10, sendo 0 a pior vida possível e  10 a melhor vida possível.

Distribuição da felicidade a nível mundial
(Fonte: World Happiness Report 2016)


Distribuição da felicidade mundial para 10 regiões do globo
(Fonte: World Happiness Report 2016)


As avaliações da vida em termos médios a nível nacional são explicadas por uma equação em termos de seis variáveis: PIB per capita, suporte social, esperança de vida saudável, liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade e liberdade da corrupção. Em conjunto, estas seis variáveis explicam quase três quartos da variação dos resultados nacionais anuais entre países, usando dados de 2005 a 2015.

No que respeita à comparação entre países. observa-se que os 10 países com avaliações mais baixas são os mesmos países que constavam do relatório de 2015. Todos eles apresentam médias abaixo de 3.7 e 8 destes 10 países encontram-se na África subsariana.

Os 10 países com menor pontuação na avaliação média de vida
(Fonte: World Happiness Report 2016)

No outro extremo, os países no top 10 apresenta uma média de 7,4. As desigualdades a nível do rendimento explicam em mais de um terço as diferenças que se encontram nas avaliações de vida. O rendimento é o factor mais desigualmente distribuído entre os países. O PIB per capita no top 10 superior é 25 vezes maior do que no top 10 inferior.


Top 20 dos países com maiores pontuações na avaliação de vida(Fonte: http://fingfx.thomsonreuters.com/gfx/rngs/1/1038/1529/WORLD-HAPPINESS%20REPORT%20T.jpg)

Entre o período de 2005-2007 a 2013-2015 houveram 55 países que viram o seu resultado subir e 45 países em que o resultado desceu. Os ganhos registaram-se especialmente na América Latina, estados independentes da Commonwealth e Europa Central e de Leste. As perdas aconteceram principalmente em países da Europa Ocidental e em menor grau na África sub-sariana, Médio Oriente e Norte de África.

Fonte:
World Happiness Report 2016

domingo, 15 de janeiro de 2017

Índice Local da Integridade da Biodiversidade

O Índice Local da Integridade da Biodiversidade (ILIB) estima em quanto a biodiversidade original de uma área terrestre permanece em face da ocupação do solo e das pressões associadas por parte dos humanos. Em virtude de o ILIB estar relacionado com o biodiversidade a nível local, esta pode calculada e reportada para qualquer escala espacial maior (por ex.: países, focos de biodiversidade ou biomas mas também a nível global).

O ILIB pode reportar-se à riqueza de espécies e à abundância média e está a ser desenvolvida para também reportar à raridade de alcance geográfico (endemismo) e diversidade filogenética. O ILIB é complementar do proposto Índice de Biodiversidade e Habitat (IBH). O foco do ILB é a integridade biótica local média, que reflecte a persistência das espécies numa paisagem e a capacidade dos ecossistemas locais que fornecerem muitos serviços. O IBH, por contraste, foca-se em como a diversidade global de área mais abrangente é afectada pela degradação e perda de habitat.

O ILIB abrange toda a superfície terrestre e pode reportar tanto a nível global como a uma escala mais pequena relevante para políticas globais.

Índice Local da Integridade da Biodiversidade (Fonte: http://www.ipbes.net/sites/default/files/Metadata_GEO_BON_PREDICTS_Local_Biodiversity_Intactness_Index.pdf)

Fonte:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Índice Living Planet marinho

Os oceanos e os mares cobrem cerca de 70% da superfície terrestre. Eles desempenham um papel crítico na regulação do clima na Terra e nos proporcionam uma riqueza de benefícios como alimento, subsistência e usos culturais. Manter a saúde do ambiente marinho, incluindo a sua biodiversidade, é vital para a sobrevivência da humanidade.

O índice Living Planet para os ambientes marinhos mostra um declínio global de 36% entre 1970 e 2012 com uma média de 1% por ano. Este índice é baseado em informação relativa a 6.170 populações monitorizadas de 1.353 espécies marinhas (aves, mamíferos, répteis e peixes). A maior parte do declínio aconteceu em 1970 e a última parte da década de 80. Isto reflecte a tendência da actividade pesqueira a nível global, que estabilizou a partir de 1988, quando o conceito de rendimento máximo sustentável foi introduzido para controlar a extensão da exploração dos recursos pesqueiros.

Índice Living Planet marinho entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

Apesar de o índice marinho global estar estável desde 1988 e de algumas pescarias estarem a mostrar sinais de recuperação devido a medidas fortes de gestão, a maioria dos recursos pesqueiros que contribuem mais para a captura global de peixe estão agora totalmente exploradas ou sobre-exploradas.

A informação disponível mostra que a ameaça mais comum para as espécies marinhas é a sobre-exploração, seguida da degradação e perda de habitats marinhos. Estudos recentes apontam para que 31% dos recursos pesqueiros estejam sobre-explorados. Sem uma gestão efectiva, os níveis insustentáveis de captura irão levar à extinção a nível comercial.

Para as aves, mamíferos e répteis marinhos, a sobre-exploração refere-se na sua maioria a mortes acidentais, pesca acessória e exploração comercial. As alterações no habitat são a segunda ameaça mais comum associada com o declínio das populações marinhas.

Diferenças taxonómicas na frequência das ameaças para as populações presentes no Índice Living Planet
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)
Fonte:
Relatório Living Planet 2016
(https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2016)