sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ciclo do enxofre

O enxofre circula na biosfera através do ciclo do enxofre. A maior parte do enxofre está armazenado no subsolo em rochas e minerais e na forma de sais de sulfato (SO42-) enterrados debaixo de sedimentos marinhos.

Ciclo do enxofre
(Fonte: http://userscontent2.emaze.com/images/c2b8233f-f811-4177-9858-a6dad57d1eac/635460133794929214_ScreenShot2014-09-11at2.21.35.png)

O enxofre entra na atmosfera de diversas formas. O sulfureto de hidrogénio (H2S) é libertado de vulcões activos e da matéria orgânica que entra em decomposição em zonas inundadas. O dióxido de enxofre também é libertado por vulcões.

Partículas de sais de sulfato (SO42-), como o sulfato de amónio, entra na atmosfera através de água do mar vaporizada, tempestades de poeira e fogos florestais. As raízes das plantas absorvem os iões de sulfato e incorporam o enxofre como um componente essencial de muitas proteínas.

Certas algas marinhas produzem grandes quantidades de dimetilsulfureto ou DMS (C2H6S). Pequenas gotículas de DMS servem como um núcleo para a condensação de nuvens. Assim, alterações nas emissões de DMS podem afectar a formação de nuvens e clima.

Na atmosfera, o DMS é convertido em dióxido de enxofre, parte deste é por sua vez convertido em trióxido de enxofre (SO3) e em pequenas gotículas de ácido sulfúrico (H2SO4). O DMS também reage com outros químicos atmosféricos com o amoníaco para produzir pequenas partículas de sais de sulfato. Estas gotas e partículas descem à terra como componentes das chuvas ácidas, que em conjunto com outros poluentes do ar podem nocivos para as árvores e vida aquática.

As actividades humanas têm afectado o ciclo do enxofre, principalmente, através da emissão de grandes quantidades de dióxido de enxofre para a atmosfera. Nós libertamos enxofre para a atmosfera de três maneiras. Primeiro, queimamos carvão e petróleo que contém enxofre para produzir energia eléctrica. Segundo, refinamos petróleo que contém enxofre para produzir gasolina, gasóleo e outros produtos. Terceiro, extraímos metais como o cobre, chumbo e zinco de compostos que contêm enxofre presentes nas rochas.

Fonte:
Living in the environment - G. Tyler Miller, Scott E. Spoolman

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Plano Estratégico 2011-2020 e as Metas de Aichi

Fonte: https://www.cbd.int/images/youth/cbd-world.gif
A Convenção para a Diversidade Biológica (CDB) ou a Convenção para a Biodiversidade, como é informalmente conhecida, é um tratado multilateral que tem como principais objectivos: a conservação da diversidade biológica (biodiversidade), o uso sustentável dos seus componentes e a partilha justa e igual dos benefícios que surgem dos recursos genéticos.

A Convenção foi criada aquando da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e entrou em pleno funcionamento no final do ano de 1993. Em 2016, faziam parte 196 partes, que incluía 195 estados e a União Europeia. Todos os membros das Nações Unidas - com a excepção dos Estados Unidos - ratificaram o tratado.

Na décimo encontro da Conferência de Partes, que aconteceu em 2010 em Nagoya (Aichi) no Japão, foi adoptado um Plano Estratégico para a Biodiversidade para o período de 2011-2020, incluindo as Metas de Aichi para a Biodiversidade.

O Plano Estratégico é composto por uma visão partilhada, uma missão, objectivos estratégicos e 20 metas ambiciosas, conhecidas como Metas de Aichi, 

A visão é definida da seguinte forma: "Até 2050, a biodiversidade é valorizada, conservada, restaurada e sabiamente usada, mantendo os serviços dos ecossistemas, sustentando um planeta saudável e fornecendo os benefícios essenciais para todas as pessoas."

Já a missão da Convenção é traduzida do seguinte modo: "Tomar medidas efectivas e urgentes para travar a perda da diversidade biológica a fim de assegurar que até 2020, os ecossistemas sejam resistentes e que continuem a fornecer os serviços essenciais, assegurando deste modo, a diversidade da vida no planeta e contribuindo para o bem-estar humano e para a erradicação da pobreza. Para que isso aconteça, é necessário que as pressões sobre a biodiversidade se reduzem, os ecossistemas se restaurem, os recursos biológicos sejam utilizados de forma sustentável e os benefícios que surjam da utilização dos recursos genéticos sejam partilhados de forma justa e equitativa; que sejam disponibilizados os recursos financeiros adequados, se melhorem as capacidades, as questões e valores da biodiversidade se tornem conhecidos, as políticas apropriadas sejam implementadas de forma efectiva e a tomada de decisão seja baseada em fundamentos científicos sólidos e numa abordagem de precaução."

Fonte: http://explore.tandfonline.com/uploads/images/campaigns/BIG_7751-Aichi_Biodiversity_Targets_978x509.jpg

As 20 Metas de Aichi estão divididas de acordo com 4 objectivos estratégicos:
  • Objectivo estratégico A: abordar as causas subjacentes à perda de diversidade biológica através da incorporação da diversidade biológica em todos âmbitos governamentais e da sociedade.
  • Objectivo estratégico B: Reduzir as pressões directas sobre a diversidade biológica e promover o seu uso sustentável.
  • Objectivo estratégico C: Melhorar a situação da diversidade biológica salvaguardando os ecossistemas, as espécies e a diversidade genética.
  • Objectivo estratégico D: Aumentar os benefícios da diversidade biológica e os serviços dos ecossistemas para todos.

Fontes:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Índice de Percepção da Corrupção 2016


A Transparency International (TI) declara-se como "um movimento global com uma visão: um mundo em que governos, negócios, sociedade civil e as vidas diárias das pessoas são livres de corrupção". Sediada em Berlim, o propósito desta organização sem fins lucrativos é desenvolver acções de combate à corrupção e prevenir actividades criminais com base na corrupção.

A TI declara também que "a corrupção e a desigualdade alimentam-se uma da outra, criando um círculo vicioso entre a corrupção, distribuição desigual de poder na sociedade e distribuição desigual de riqueza".

Desde 1995 que a TI vem publicando anualmente o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) criando um ranking de países com base nos níveis de corrupção determinados por avaliações de especialistas e inquéritos de opinião. O IPC define de forma genérica a corrupção como o uso de poderes públicos para benefício privado.

No IPC os países são classificados de acordo com uma escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (livre de corrupção). Em 2016, 176 países fizeram parte desta avaliação, sendo nenhum se aproximou dos 100 pontos e mais de 120 países obtiveram uma pontuação inferior a 50 pontos. O mapa abaixo mostra a distribuição do IPC por todo o Mundo.
Mapa do Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://files.transparency.org/content/download/2053/13224/file/CPI2016_Map_web.jpg)

Os países com maior pontuação tendem a ter graus mais elevados de liberdade de imprensa, acesso à informação sobre gastos públicos, padrões de integridade mais fortes para funcionários públicos e sistemas judiciais mais independentes.

No topo do índice encontramos principalmente países da Europa do Norte (Dinamarca, Finlândia, Suécia) e Central (Suíça, Holanda, Alemanha, Reino Unido e Luxemburgo) e ainda a Nova Zelândia, Singapura e Canadá.

Países com melhor ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Os países com ranking mais baixo são dominados pela desconfiança e mau funcionamento de instituições públicas com a polícia e a justiça. Mesmo que existam leis anti-corrupção, estas são frequentemente evitadas ou ignoradas. As pessoas nestes países enfrentam situações de suborno e extorsão, confiam em serviços básicos que foram minados pela apropriação indevida de fundos e confrontam a indiferença oficial quando procuram denunciar situações de corrupção.

No outro extremo encontramos na sua maioria países do continente africano (Angola, Eritreia, Guiné-Bissau, Líbia, Sudão, Sudão do Sul e Somália) e do médio oriente (Iraque, Afeganistão, Iémen e Síria) e também a Venezuela e a Coreia do Norte. 

Países com pior ranking no Índice de Percepção da Corrupção em 2016
(Fonte: http://www.transparency.org/whatwedo/publication/corruption_perceptions_index_2016)

Fontes:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Relatório da felicidade mundial 2016



O mais recente relatório sobre a felicidade mundial foi apresentado em Março de 2016 na cidade de Roma.

A análise da distribuição da felicidade entre e dentro dos países baseia-se em 1000 individuais por ano em cada um dos mais países de 150 países, usando uma escala de 0 (pontuação mais baixa) a 10 (pontuação mais elevada) para o questionário. Neste estudo foi utilizada uma média para os resultados da avaliação para cada país respeitantes a 2013, 2014 e 2015.

Os gráficos seguintes apresentam a distribuição da felicidade a nível mundial e para 10 regiões do globo, traduzida nas respostas onde os inquiridos avaliam as suas vidas numa escala de 0 a 10, sendo 0 a pior vida possível e  10 a melhor vida possível.

Distribuição da felicidade a nível mundial
(Fonte: World Happiness Report 2016)


Distribuição da felicidade mundial para 10 regiões do globo
(Fonte: World Happiness Report 2016)


As avaliações da vida em termos médios a nível nacional são explicadas por uma equação em termos de seis variáveis: PIB per capita, suporte social, esperança de vida saudável, liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade e liberdade da corrupção. Em conjunto, estas seis variáveis explicam quase três quartos da variação dos resultados nacionais anuais entre países, usando dados de 2005 a 2015.

No que respeita à comparação entre países. observa-se que os 10 países com avaliações mais baixas são os mesmos países que constavam do relatório de 2015. Todos eles apresentam médias abaixo de 3.7 e 8 destes 10 países encontram-se na África subsariana.

Os 10 países com menor pontuação na avaliação média de vida
(Fonte: World Happiness Report 2016)

No outro extremo, os países no top 10 apresenta uma média de 7,4. As desigualdades a nível do rendimento explicam em mais de um terço as diferenças que se encontram nas avaliações de vida. O rendimento é o factor mais desigualmente distribuído entre os países. O PIB per capita no top 10 superior é 25 vezes maior do que no top 10 inferior.


Top 20 dos países com maiores pontuações na avaliação de vida(Fonte: http://fingfx.thomsonreuters.com/gfx/rngs/1/1038/1529/WORLD-HAPPINESS%20REPORT%20T.jpg)

Entre o período de 2005-2007 a 2013-2015 houveram 55 países que viram o seu resultado subir e 45 países em que o resultado desceu. Os ganhos registaram-se especialmente na América Latina, estados independentes da Commonwealth e Europa Central e de Leste. As perdas aconteceram principalmente em países da Europa Ocidental e em menor grau na África sub-sariana, Médio Oriente e Norte de África.

Fonte:
World Happiness Report 2016

domingo, 15 de janeiro de 2017

Índice Local da Integridade da Biodiversidade

O Índice Local da Integridade da Biodiversidade (ILIB) estima em quanto a biodiversidade original de uma área terrestre permanece em face da ocupação do solo e das pressões associadas por parte dos humanos. Em virtude de o ILIB estar relacionado com o biodiversidade a nível local, esta pode calculada e reportada para qualquer escala espacial maior (por ex.: países, focos de biodiversidade ou biomas mas também a nível global).

O ILIB pode reportar-se à riqueza de espécies e à abundância média e está a ser desenvolvida para também reportar à raridade de alcance geográfico (endemismo) e diversidade filogenética. O ILIB é complementar do proposto Índice de Biodiversidade e Habitat (IBH). O foco do ILB é a integridade biótica local média, que reflecte a persistência das espécies numa paisagem e a capacidade dos ecossistemas locais que fornecerem muitos serviços. O IBH, por contraste, foca-se em como a diversidade global de área mais abrangente é afectada pela degradação e perda de habitat.

O ILIB abrange toda a superfície terrestre e pode reportar tanto a nível global como a uma escala mais pequena relevante para políticas globais.

Índice Local da Integridade da Biodiversidade (Fonte: http://www.ipbes.net/sites/default/files/Metadata_GEO_BON_PREDICTS_Local_Biodiversity_Intactness_Index.pdf)

Fonte:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Índice Living Planet marinho

Os oceanos e os mares cobrem cerca de 70% da superfície terrestre. Eles desempenham um papel crítico na regulação do clima na Terra e nos proporcionam uma riqueza de benefícios como alimento, subsistência e usos culturais. Manter a saúde do ambiente marinho, incluindo a sua biodiversidade, é vital para a sobrevivência da humanidade.

O índice Living Planet para os ambientes marinhos mostra um declínio global de 36% entre 1970 e 2012 com uma média de 1% por ano. Este índice é baseado em informação relativa a 6.170 populações monitorizadas de 1.353 espécies marinhas (aves, mamíferos, répteis e peixes). A maior parte do declínio aconteceu em 1970 e a última parte da década de 80. Isto reflecte a tendência da actividade pesqueira a nível global, que estabilizou a partir de 1988, quando o conceito de rendimento máximo sustentável foi introduzido para controlar a extensão da exploração dos recursos pesqueiros.

Índice Living Planet marinho entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

Apesar de o índice marinho global estar estável desde 1988 e de algumas pescarias estarem a mostrar sinais de recuperação devido a medidas fortes de gestão, a maioria dos recursos pesqueiros que contribuem mais para a captura global de peixe estão agora totalmente exploradas ou sobre-exploradas.

A informação disponível mostra que a ameaça mais comum para as espécies marinhas é a sobre-exploração, seguida da degradação e perda de habitats marinhos. Estudos recentes apontam para que 31% dos recursos pesqueiros estejam sobre-explorados. Sem uma gestão efectiva, os níveis insustentáveis de captura irão levar à extinção a nível comercial.

Para as aves, mamíferos e répteis marinhos, a sobre-exploração refere-se na sua maioria a mortes acidentais, pesca acessória e exploração comercial. As alterações no habitat são a segunda ameaça mais comum associada com o declínio das populações marinhas.

Diferenças taxonómicas na frequência das ameaças para as populações presentes no Índice Living Planet
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)
Fonte:
Relatório Living Planet 2016
(https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2016)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Índice Living Planet - Habitats de água doce

A água doce apenas perfaz 0,01% de toda a água existente na superfície terrestre mas proporciona habitat a quase 10% das espécies que são hoje conhecidas. Dado que os humanos e quase todos os seres vivos necessitam de água, estes habitats têm um valor económico, cultural, estético, de recreação e educacional elevados.

Os habitats de água doce são difíceis de conservar dado que são fortemente afectados pela modificação das bacias de água bem como pelos impactos directos de barragens, poluição, invasão de espécies aquáticas e extracções de água de forma insustentável. Adicionalmente, eles cruzam fronteiras administrativas e políticas, o que requer um esforço extra para encontrar formas colaborativas de protecção.

Vários estudos têm mostrado que as espécies que vivem em habitats de água doce estão a sofrer mais do que as espécies terrestres. O índice Living Planet para estes habitats substancia essa conclusão, mostrando que em média a abundância de populações monitorizadas em sistemas de água doce decresceu no geral em cerca de 81% entre 1970 e 2012, com uma média anual de 3,9% de decréscimo. Estes números são baseados em dados de 3.324 populações monitorizadas de 881 espécies de água doce.

Índice Living Planet para habitats de água doce entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

O índice contém informação relativa às ameaças para 449 populações, cerca de 31% das populações monitorizadas. Com base nessa informação, a ameaça mais comum para o declínio das populações é a degradação e perda de habitat. A perda de habitat pode ocorrer de forma directa quando os humanos procedem à escavação de areia dos rios ou quando interrompem o fluxo dos rios. No entanto a degradação e perda de habitat pode ocorrer através de efeitos indirectos como é o caso da desflorestação que pode aumentar a quantidade de sedimento que chega aos rios, levando a uma maior erosão das suas margens com mudanças na qualidade de água e do seu fluxo. A sobre-exploração directa - através de pesca insustentável, apanha para subsistência ou para com objectivos comerciais - é a segunda ameaça mais frequente para as populações de água doce (24%), seguida das espécies invasoras e doenças (12%), poluição (12%) e alterações climáticas.

A frequência com que as diferentes ameaças são mencionadas na base de dados varia de acordo com o grupo taxonómico. No que concerne aos anfíbios, as espécies invasoras e as doenças representam a segunda ameaça mais frequente depois da perda de habitat. Já as populações de aves, mamíferos, peixes e répteis, a perda de habitat é a ameaça mais frequente, seguida da sobre-exploração.

Frequência do tipo de ameaças para os diferentes grupos taxonómicos para as populações de água doce
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

Zonas húmidas

As zonas húmidas são encontradas em todo o Mundo desde os trópicos até às planícies geladas da Sibéria. Tanto as zonas húmidas interiores como as costeiras estão agora em declínio. Um estudo global recente mostra que cerca de 87% das zonas húmidas têm vindo a desaparecer durante os últimos 300 anos. A perda destes habitats deve-se maioritariamente à conversão para uso agrícola.

A redução da área das zonas húmidas afecta directamente as espécies delas dependentes uma vez que vão ter uma disponibilidade reduzida de habitat e vão enfrentar maior competição por recursos e alimento. Dentro do índice Living Planet, as espécies dependentes das zonas húmidas sofreram uma redução de 39% na abundância entre 1970 e 2012. Desde 2005, o índice tem registado um ligeiro aumento. Algumas espécies de aves mostra um aumento nos seus número a partir dessa altura.

Índice Living Planet para as zonas húmidas entre 1970 e 2012
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

Rios

Historicamente, os rios têm sido extensivamente alterados para desenvolvimento urbano, transporte, protecção contra cheias, fornecimento de água e geração de energia. Pelo menos 3.700 grandes barragens estão planeadas ou em construção para geração de energia hídrica ou irrigação, principalmente em países com economias emergentes. Cerca de 48% do volume dos rios a nível global já está alterado por regulação e/ou fragmentação dos fluxos.

As barragens alteram o fluxo, a temperatura e o transporte de sedimentos dos rios. Além disso, as barragens inibem a migração, afectando o regular movimento e distribuição das espécies. A análise global das populações de peixes mostra que em média, a abundância de espécies de peixes que migra dentro do habitat de água doce e entre o habitat de água doce e o marinho decresceu cerca de 41% no total entre 1970 e 2012, com um decréscimo anual de 1,2%.

Índice Living Planet para peixes migratórios
(Fonte: Relatório Living Planet 2016)

Embora a informação relativa às ameaças para muitas populações esteve indisponível, para as populações onde a informação estava acessível, quase 70% estão ameaçadas pela alteração do seu habitat. O que provavelmente explica o quadro geral de declínio.

O aumento registado depois de 2006 ocorreu em várias espécies migratórias de peixes: o que pode indicar os benefícios observados em regiões onde se registaram melhorias na qualidade da água e da introdução de zonas de passagens para os peixes para permitir a migração onde foram instaladas barreiras.

Fonte:
Relatório Living Planet 2016
(https://www.worldwildlife.org/pages/living-planet-report-2016)